“Vivemos cercados de respostas” Em... Carloseduardobalcarse

“Vivemos cercados de respostas”

Em poucos segundos, encontramos definições, pesquisas, opiniões, vídeos, especialistas, estatísticas e, agora, sistemas capazes de organizar tudo isso em textos convincentes.

Nunca foi tão fácil obter uma resposta.

Talvez por isso nunca tenha sido tão necessário aprender a desconfiar dela.

O grande problema do nosso tempo já não é apenas a falta de informação. É a incapacidade de avaliar a autoridade que concedemos àquilo que encontramos.

Informação não é conhecimento.

Conhecimento não é sabedoria.

E nenhuma quantidade de informação substitui o discernimento.

Podemos ter acesso a milhares de dados e continuar intelectualmente desarmados diante deles. Podemos repetir uma explicação correta sem compreendê-la. Podemos defender uma ideia falsa com argumentos sofisticados. Podemos, inclusive, saber muito e julgar muito mal.

A tecnologia ampliou extraordinariamente nossa capacidade de encontrar respostas. Mas não pode assumir a responsabilidade humana de decidir quais delas merecem confiança.

É exatamente nesse intervalo que o discernimento se torna indispensável.

Discernir não é desconfiar de tudo. É não acreditar em tudo com a mesma facilidade.

É perguntar pela origem, pela evidência, pela coerência, pelos limites e, principalmente, pelo peso que determinada informação merece receber antes de influenciar aquilo que pensamos e decidimos.

A informação oferece respostas.

O discernimento decide quais respostas merecem autoridade.

Talvez o analfabeto mais vulnerável do nosso tempo não seja aquele que não consegue acessar informação.

Seja aquele que acessa todas e já não consegue distinguir o que merece ser acreditado.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista | Educador | Escritor | Pesquisador