A GUERRA É PURAMENTE MENTAL Talvez a... Carloseduardobalcarse
A GUERRA É PURAMENTE MENTAL
Talvez a guerra mais perigosa do nosso tempo não seja travada entre pessoas, mas dentro delas.
É puraMENTE mental.
Não começa quando alguém nos obriga a acreditar. Começa quando deixamos de perguntar por que acreditamos.
A repetição familiariza.
A familiaridade acomoda.
A acomodação normaliza.
E aquilo que ontem parecia absurdo pode, amanhã, parecer apenas comum.
É assim que podemos aceitar o inaceitável, tolerar o intolerável, acreditar no inacreditável, justificar o injustificável e, por fim, defender o indefensável.
Nem toda manipulação precisa impedir alguém de pensar. Às vezes, basta influenciar silenciosamente os critérios pelos quais essa pessoa decide o que merece ser pensado.
Eis o perigo:
Quando perdemos o discernimento, podemos continuar pensando — sem perceber que já não examinamos aquilo que pensamos.
O senso comum comumente mente.
A verdade não se torna verdadeira porque muitos a repetem. O absurdo não deixa de ser absurdo porque nos acostumamos com ele. E aquilo que se torna normal não se torna, por isso, necessariamente aceitável.
Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes do nosso tempo não seja:
“Em que você acredita?”
Mas:
“Quem ensinou você a decidir no que merece acreditar?”
Pensar é necessário.
Duvidar do próprio pensamento é discernimento.
Porque quem não examina aquilo que entra em sua mente corre o risco de passar a vida defendendo ideias que nunca decidiu, verdadeiramente, escolher.
A mente informa. O discernimento decide.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor, Educador, Pesquisador
