A SOMA DE TUDO O QUE HÁ DE MAIS BELO... Bajosse Baca
A SOMA DE TUDO O QUE HÁ DE MAIS BELO NAS CANÇÕES.
Há músicas que são analgésicos: serenam os músculos, acariciam os ouvidos, massageiam a alma, dissolvem a dor.
São como bonecas de pelúcia, ternas e macias, tão fofas quanto a suavidade do teu toque.
Há um tipo de canção que transcende letra, género ou idioma, cuja melodia traduz a tua paz num cosmos minimalista de notas de amor, eternizando o teu sereno olhar.
Alcanço-te involuntariamente ao escutar Semba, Fado, MPB, Jazz, Blues, Pop Contemporâneo ou Bachata.
És uma playlist escolhida pela própria contingência, um rumor nos fones de ouvido que inspira o melhor texto, induzindo a poética numa prosa prodigiosa como esta.
Este texto é a voz enrouquecida, emergindo do fundo da garganta já cansada, de um poeta embriagado não apenas de afeto, mas da consciência de que amar é reconhecer a precariedade da vida.
E, mesmo assim, proclamar com a lucidez de quem sabe que tudo é transitório, e com o fervor de um fanático imprudente, que és a soma de tudo o que há de mais belo nas canções, e aceitar o facto de que és igualmente o eco daquilo que jamais será plenamente cantado.
