Comunhão de bens com a solidão Às... Aex Araujo

Comunhão de bens com a solidão


Às vezes o isolamento é um alento
Para quem não quer alvoroço,
Para quem já está cheio de gente.
Se ser popular é sorrir para todo mundo,
Eu não quero ser notório.
Introspecção poderia ser o meu nome,
Eu não nasci com essa dádiva.


Busco refúgio no conhecimento.
A paciencia é o meu escudo
E a persistencia, a minha espada.


Por outro lado,
É cansativo viver no abandono.
Às vezes quero é ir para a casa grande...
Eu já sei falar, falar...


Mas falar com quem nesse isolamento?
A solidão algumas vezes só me fez mal.
Eu quero ser ouvido.
Eu já sei falar...


Mas a Solidão não quer mais me largar.
Já está cobrando comunhão de bens!
Se bem que eu não tenho nada...
Talvez eu até saia no lucro.
Para ela, eu me finjo de mudo.
Ela gosta de silêncio...
Logo agora,
Que eu já sei falar.


A Solidão é aquele tipo de pessoa
Que você leva para a cama,
E no outro dia ela já diz que a mãe quer te conhecer.
É muito delicada e astuta,
Não quer nada além de devoção.
Com ela só se fala em pensamento.
Ela gosta de silêncio.
Logo agora...


A Solidão é uma amante ciumenta,
Insana e louca,
Que roubou a minha voz.