Classe de pensadores Entregacionista -... P. H. Amancio.

Classe de pensadores
Entregacionista
- P. H. Amancio.


O Entregacionismo, formulado por P. H. Amancio, constitui uma filosofia existencial contemporânea que propõe a entrega consciente do indivíduo à sua própria verdade ontológica. Distanciando-se de doutrinas moralistas, de sistemas dogmáticos e de discursos motivacionais superficiais, essa corrente filosófica fundamenta-se na autenticidade, na responsabilidade individual e na recusa da autoalienação. Este texto tem como objetivo apresentar, de maneira sistemática e analítica, os fundamentos do Entregacionismo, seus princípios estruturantes e sua relevância no contexto sociocultural contemporâneo, marcado pela padronização dos comportamentos, pela fragmentação identitária e pela negação da subjetividade.








1. Introdução


O pensamento entregacionista surge como resposta crítica ao esvaziamento existencial característico da modernidade tardia. Em um cenário no qual o indivíduo é constantemente pressionado a se adaptar a modelos sociais, morais e produtivos pré-estabelecidos, observa-se uma crescente dissociação entre o sujeito e sua própria essência.




É nesse contexto que P. H. Amancio desenvolve o Entregacionismo, não como uma doutrina normativa, mas como uma filosofia da consciência. Sua proposta parte do reconhecimento de que grande parte do sofrimento humano deriva da negação sistemática do próprio ser, da vivência condicionada e da substituição da autenticidade por convenções sociais.




O Entregacionismo, portanto, apresenta-se como uma alternativa existencial, centrada na retomada da responsabilidade individual e na afirmação da verdade pessoal como fundamento da existência.








2. O Conceito de Entrega no Entregacionismo


O conceito de “entrega”, no pensamento de Amancio, não deve ser confundido com passividade, resignação ou submissão. Ao contrário, trata-se de um ato profundamente ativo e consciente.




Entregar-se significa reconhecer a própria condição existencial sem subterfúgios, assumir os próprios desejos, contradições e limites, e abandonar a tentativa de corresponder a expectativas externas que negam a autenticidade do sujeito.




Nesse sentido, a entrega é compreendida como um gesto ontológico: um movimento de retorno ao que se é, desprovido de máscaras sociais. Trata-se de uma escolha deliberada por viver em coerência entre pensamento, sentimento e ação.








3. Consciência e Responsabilidade Existencial


A consciência ocupa papel central no Entregacionismo. Não há entrega sem lucidez, tampouco liberdade sem responsabilidade. A filosofia de Amancio rejeita qualquer noção de liberdade desvinculada de consequências, defendendo que toda escolha carrega implicações éticas, emocionais e existenciais.




Diferentemente de perspectivas que relativizam a responsabilidade individual, o Entregacionismo sustenta que o sujeito é integralmente responsável por sua trajetória. Não há espaço para a terceirização da culpa ou para a vitimização como forma de justificar a própria inércia.




Nesse aspecto, a proposta dialoga com tradições existencialistas, mas se distingue por enfatizar a entrega como prática contínua e não apenas como reflexão teórica.








4. Autenticidade e Ruptura com a Alienação


A autenticidade constitui um dos eixos centrais do Entregacionismo. Para Amancio, a alienação moderna não se manifesta apenas em estruturas econômicas ou políticas, mas sobretudo na forma como o indivíduo aprende a negar a si mesmo para ser aceito.




O Entregacionismo propõe uma ruptura com esse processo. Viver autenticamente implica aceitar o desconforto, o conflito interno e a solidão que frequentemente acompanham a fidelidade a si mesmo. A autenticidade, nesse contexto, não é um ideal romântico, mas uma exigência ética.




A filosofia entregacionista, portanto, não promete conforto, mas coerência existencial.








5. Oposição ao Moralismo e ao Relativismo


O Entregacionismo posiciona-se de maneira crítica tanto em relação ao moralismo normativo quanto ao relativismo absoluto. Para Amancio, ambos negam a responsabilidade individual: o primeiro ao impor regras externas, o segundo ao dissolver qualquer critério de sentido.




A ética entregacionista fundamenta-se na consciência e na responsabilidade. O indivíduo não age porque lhe foi ordenado, tampouco porque “tudo é permitido”, mas porque compreende o peso e as consequências de suas escolhas.




Trata-se, portanto, de uma ética da lucidez.








6. O Entregacionista


O sujeito entregacionista é aquele que:




•recusa viver de forma automática;


• não terceiriza suas decisões;


• não se esconde atrás de papéis sociais;


• assume as consequências de suas escolhas;


• compreende a liberdade como responsabilidade.




O Entregacionismo não forma seguidores, mas indivíduos conscientes de si.






7. Considerações Finais


O Entregacionismo, enquanto filosofia existencial, apresenta-se como uma resposta crítica à superficialidade da vida contemporânea. Ao defender a entrega consciente ao próprio ser, P. H. Amancio propõe uma ética baseada na autenticidade, na lucidez e na responsabilidade.




Mais do que um sistema teórico, o Entregacionismo configura-se como uma postura diante da existência — uma escolha contínua por viver sem negar a própria essência.




Em última instância, a filosofia entregacionista sustenta que:




A pior forma de morte é viver sem se permitir existir.








8. Referência à Obra Fundadora


A formulação conceitual do Entregacionismo encontra sua expressão inaugural na obra Manifesto do Entregacionismo, de autoria de P. H. Amancio. Nesse texto, o autor apresenta de forma sistematizada os fundamentos da filosofia entregacionista, articulando seus princípios centrais — entrega, consciência, liberdade e responsabilidade — em uma narrativa de caráter filosófico e existencial.




A obra constitui o núcleo teórico do Entregacionismo, funcionando como referência primária para a compreensão do pensamento do autor e de sua proposta de ruptura com os modelos de existência baseados na negação do eu e na submissão às estruturas normativas da sociedade contemporânea.






Referência




AMANCIO, P. H. Manifesto do Entregacionismo. 2026