NILO DEYSON MONTEIRO PESSANHA: FILOSOFIA E VOCÊ Vivemos numa...

FILOSOFIA E VOCÊ

Vivemos numa civilização na qual predominam as aplicações técnico-científicas em todos os setores da vida humana. Esta civilização que cobre o mundo desenvolvido e que é o sonho do mundo subdesenvolvido, tem um grande impacto sobre culturas e tradições milenares.

Qual é o papel da filosofia nesta virada histórica? Terá ainda algum sentido tratar de metafísica na época do triunfo das ciências físicas, biológicas e econômicas? Tem a reflexão filosófica alguma importância na vida real ?

Na perspectiva hegeliana a Filosofia não precisa apressar-se porque ela é uma ciência vesperal que levanta vôo ao cair da noite ou seja, depois dos acontecimentos do dia. Mas será a Filosofia só retrospectiva? Não seria ela também uma ciência matinal, prospectiva, que caminha com todos os outros modos de conhecimento? Pode ela dispensar-se de participar da historicidade da existência humana?

De fato a Filosofia pretende coincidir com cada movimento da história. Ela alimenta o projeto ambicioso de elucidar a radicalidade da existência tanto sob o ponto de vista da razão teórica como da razão prática. Isto é, a Filosofia, tomada como metafísica e ética trata sempre do saber e do agir humanos na história. Afinal, o que é fazer filosofia? Que significa isso? Em sentido muito amplo, significa o exercício de uma atividade intelectual igual outras atividades intelectuais como a literatura, a sociologia, a economia.

Esta atividade é exercida num espaço, num campo específico bem determinado: o corpus philosophiae que é formado pelos sistemas filosóficos conservados ao longo da História. Ademais, a atividade ou a práxis filosófica é contingente, o que vale dizer que ela nunca foi necessária: para viver não precisamos de filosofia. A ciência, por exemplo, se ocupa de coisas tão fundamentais quanto a Filosofia: o espaço, o tempo, a matéria, a vida, as causas.

Mas ainda, a atividade filosófica depende da cultura ambiental. Ela aparece depois de um certo desenvolvimento cultural. É verdade porém que se torna independente do ambiente quando reorganiza em sistema. Os ambientes culturais passam, mas os sistemas filosóficos permanecem e formam o corpus philosophiae sobre os quais se exerce uma parte da atividade filosófica. Enfim, vou ficar por aqui por enquanto, e em breve voltaremos a escrever sobre Filosofia.

Nilo Deyson Monteiro Pessanha