Fogo
"Eis que venho sem demora",
diz o Senhor,
com fogo nos olhos e vestes de esplendor.
Cada joelho se dobrará,
e toda língua confessará:
"Jesus Cristo é o Rei que reinará!"
Essa aliança é como o fogo do altar:
alimentada dia após dia, sem deixar apagar.
Pois onde Deus é o centro, o vínculo é eterno!
como chama que aquece até no inverno.
É paz no meio do caos,
é voz suave no escuro.
É fogo que não consome,
mas purifica o mais impuro.
É Ele quem consola o fraco,
ensina o que o mundo não vê.
Quem busca, encontra.
Quem se rende, sobe.
Quem jejua, rompe.
Quem paga o preço, vive o fogo santo.
Todos querem o óleo, mas poucos suportam a prensa.
Todos querem azeite.
Todos querem fogo, presença, unção.
Mas poucos querem o processo.
Poucos suportam o esmagar da alma,
o choro no secreto,
o silêncio que prepara,
o quebrar que transforma.
Começar é fácil. Permanecer é prova de fogo.
Há muitos que começam com paixão,
mas poucos que continuam com convicção.
VII - Caso Demiurgo
Não é repentino o fogo, nem por demasia o temporal.
Caso jactante o homem, dar-vos-eis glória aos Sandeus?
Far-vos-eis murito a mular o marado que farado a feitura fugidia?
Tal indispõe da peleja o anturguero alante, domador da razão e amante do caos?
Ruptura I
Quebre o espelho; danem-se os reflexos. Despeje o chumbo, abrase a prata.
Que o fogo negro da revolta incendeie e, do lodo, renasça brutal e voraz.
Não se consegue
esquecer alguém
que nos deixa madrugadas na pele, manhãs na boca, fogo nas veias e canções no coração.
Ele riu de uma maneira deliciosa e isso fez meu peito ficar em fogo, como se fosse uma fera selvagem que eu tentasse domar. Eu ia repreender minha felicidade boba mas me contive. Há quanto tempo eu estava repreendendo minha felicidade e não a deixando ser plena, ser livre, flutuar nos céus como balões ? A vida era muito curta e talvez um amigo meu estivesse certo quando disse que devemos nos permitir sentir, deixar o coração ser selvagem, como na música do Belchior, e se libertar das amarras da razão.
E agora, destino?
E agora, destino?
O tempo parou,
a estrada sumiu,
o vento calou,
o fogo apagou,
e agora, destino?
e agora, mistério?
Tu, que teces enredos,
que traças caminhos,
que moves os homens
como folhas ao léu,
e agora, destino?
Teus mapas rasgados,
teus passos incertos,
tua sina de ferro,
teu fardo de névoa,
já não há bússola,
já não há norte,
o mundo desaba,
o abismo desperta,
as sombras se alongam,
e agora, destino?
E agora, destino?
Teu sol não desponta,
tua estrela se apaga,
tua prece é silêncio,
teu sonho é ruína,
teu tempo é areia
que escorre depressa,
e tudo desfaz,
e tudo desanda,
e tudo desaba,
e agora, destino?
Com as mãos estendidas
buscas uma saída,
mas a porta se fecha,
o céu se retrai,
o mar já não canta,
o vento não dança,
o eco não volta,
o chão se dissolve,
e agora, destino?
Se te rebelasses,
se ousasses um grito,
se rasgasses o véu,
se rompesses as grades,
se o caos te engolisse,
se a noite cedesse,
se o tempo voltasse...
Mas o tempo é surdo,
o tempo é pedra,
e tu, destino,
marcharás sem rumo,
errante e só,
sem porta, sem guia,
sem sombra, sem luz,
sem nome, sem glória...
Destino, para onde?
Assim como o cobre conduz o fogo, conduzo minha vontade para acender mundos invisíveis e trazer ouro ao mundo visível.
Pensar é acender o fósforo; decretar é lançar a chama; sentir é alimentar o fogo; vibrar é ser a própria combustão criadora.
