Fogo
Tudo nela é intenso.
Morno com ela não rola.
Nem no café, muito menos no amor.
Pois ela é fogo que queima.
E mar onde quero mergulhar
E virar imensidão de nós dois.
Preste atenção,tem pessoas querendo uma faísca do fogo que está aceso te aquecendo,e você querendo apaga-lo.
Me conta, amor,
que o fogo já está aceso,
que o mate está pronto,
que as crianças já estão aninhadas...
Me conta, amor,
que tu está me esperando na porta do galpão,
com o facão na cintura,
e o vestido vermelho marcado pela lida, e mesmo assim o mais lindo que já vi...
Me conta, amor,
que tu não tens pressa porque a noite já chegou...
Me conta, amor,
que o açude está cheio,
que ainda não é tempo de seca,
que o gado está no pasto
e a chuva chegou mansa,
molhando a terra e lavando a alma.
Me conta que amanhã cedo
o sol vai nascer por trás do campo,
que tem pão na mesa,
mate na cuia
e trabalho esperando.
Mas me conta também, amor...
como foi que o tempo passou tão ligeiro,
e a vida trocou o cavalo pelo carro,
a carta pelo celular,
a prosa na varanda pelas mensagens apressadas?
Ainda assim, me conta, amor,
que alguma coisa ficou.
Que ainda existe um fogo aceso,
um mate esperando,
um campo depois da chuva
e um Rio Grande dentro da gente
que o tempo não conseguiu levar.
Salve o 20 de Setembro!
Saudades ...
Saudade é só uma fagulha de fogo que incendeia a fogueira apagada das minhas lembranças...
Eu não sei
Pra que servem
as coisas
Que eu sei
Vou levando a vida
Em fogo brando
Teimando em buscar
Algo que insiste em se esconder:
Um brilho de olhos
Tão tristes quanto os meus
E os teus teimam em recordar
Muitas cenas esquecidas
desta vida
Que apesar de
hoje,
branda
Ainda queima
Creio que jamais vi de perto
A sanidade plena
Pois
Mesmo em épocas amenas
um mais um
Jamais somaram
dois, completamente
A vista engana
A memória mente
E eu, simplesmente
desconheço
razão ou utilidade prática
Pra esta insana matemática
E qualquer outra ciência.
Nunca sorriu-me
Qualquer chance de escolha
A queda da última folha
Quase sempre além do alcance
Apesar de tudo que hoje eu sei
O desenlace me parece
Aqui dentro e ao mesmo tempo
tão distante
Vida esquecida
drástica e elástica
Revoltas que dão duas voltas
e voltam
O dia amanhece
A vida prossegue adiante
Com suas celeumas
e chamas infames
Uma espécie de charme
Que queima
Edson Ricardo Paiva
Um anjo montava guarda
vestido de branco
Tinha em suas mãos
o fogo da espada
Guardando os portões
dos túneis da História
e tudo que se passou
de alguma forma
lá ainda está
Os últimos que embarcaram
naquele trem sem volta
Os primeiros a ser encontrados
Milhares de anos depois
E aqueles que desapareceram
pra nunca mais voltar
Os segredos que foram queimados
E os portais que se abriam
pra dois lados
É como se fosse uma fotografia
de um rio que correu em outros dias
Passou e permaneceu
E continua a correr
Em outros casos
Nem nasceu ainda
Aquilo que começa
e tudo aquilo que finda
de alguma forma
hoje, agora; Está tudo lá
Toda vergonha e toda a Glória
Atrás daqueles portões ainda estão
levados pelo rio
revelados na fotografia
escondido há milhares de anos
Aquilo que estava e não estava nos planos
Tudo isso aconteceu
e ainda vai acontecer
Hoje, antes que termine o dia
Cada amor que nasceu
tendo ele acontecido ou não
Tendo que passar obrigatoriamente
Por todos aqueles rincões
e aqui
Me disseram que na vida
Nada é eterno
Mas o que vem a ser Eterno
A paz lá no Céu
Ou o fogo no inferno
A vida da alma
A ausência da calma
A paz que se ausenta
ou será que eterna é a ambição
Que o fogo do inferno
Alimenta?
Dance,
dance sob o fogo que te queima.
Dance sob as pedras que te machucam
Somente dance
Não importa como
Apenas continue e dance.
"Ontem, de alma atenta
Perto do fogo se ouvia
O nó da madeira a chorar baixinho
Lancinante tristeza
De sorte que vida havia
Na seiva caramelada
A última lágrima de despedida
Tristemente escorria. "
Edson Ricardo Paiva.
