Finge
Quando você finge ser algo apenas para ter a aprovação dos outros, você só atrai aqueles que aceitam aquilo que você não é.
A mulher é toda carinho, finge fragilidade no meio da briga e da agitação. Elas não gostam de um ciumento que não amam, mas ficam bravas se o homem que amam não tiver ciúmes. É um sorriso quando tudo parece ruim. Ela é o amanhecer na grama verde e o anoitecer debaixo das estrelas. Ela é um cobertor quente. É vento forte, é furacão, quando ama então...
As paixões fazem a gente ficar maluco, fazem a gente dizer coisas das quais depois a gente se arrepende!
A vida testa quem finge ser forte,
decisão separa discurso de porte.
Ou você se assume e encara o preço,
ou vira refém do próprio tropeço.
Eu não sou do tipo que, diante de uma ferida, coloca apenas um curativo por cima e finge que está tudo bem, dizendo que ela vai sarar sozinha ou que não houve culpa nenhuma no corte que a causou.
Sou do tipo que limpa a ferida, aperta para o pus sair e trata a infeção pela raiz, para que não se espalhe pelo pé inteiro. Vai doer? Vai, sim. Mas é necessário, e é para o teu bem.
Quem não encontra valor em si mesmo idolatra quem finge tê-lo e nisso reside a raiz de toda manipulação.
O Sol poente no horizonte do mar cria uma miragem ao olhar: ali, o infinito finge ter fim, lembrando-nos de que o limite do que vemos é apenas o começo do que ignoramos.
Reno Fioraso
O olho que tudo vê é o primeiro a cegar-se quando a noite do homem finge não ter nome; mas a ferida do ciclope ecoa no abismo, pois o sangue do filho desperta a maré implacável de poseidon.
Reno Fioraso
O livre-arbítrio é a piada mais refinada do criador: ele te dá a corda e depois finge surpresa quando você decide se enforcar.
Sossega, não sendo uma boa pessoa, senão a sociedade matar-te-á em vão. Finge apenas que és uma má pessoa.
Quem finge não ver os próprios defeitos vira as costas para um incêndio, pode não ver o fogo, mas uma hora será queimado.
O vilão moderno não te combate, ele te converte. Ele sorri e abraça; finge empatia para te escravizar numa servidão ideológica permanente.”
O narcisista confunde humilhação com verdade; finge que ofensas são conselhos e ainda exige gratidão.
Mais vale a paz de quem cresce com princípios intocáveis do que o aplauso barato de quem se finge de amigo enquanto arquiteta a ruína do próximo.
A rua testa a força do trabalhador, mas o tempo desmascara a farsa de quem finge praticar o bem apenas para ter o que contar.
A Crueldade da Poesia
A poesia é uma fera que lambe o sangue que ela mesma faz jorrar.
Finge consolar, mas apenas prolonga o suplício.
Diz que salva — e salva mesmo —
mas do modo como um naufrágio salva o mar: afogando.
Ela exige do poeta o que o mundo não ousa pedir:
a própria carne transfigurada em verbo,
a memória queimada até virar luz,
a alegria ferida até soar como canto.
O poeta, escravo e cúmplice,
aprende a sofrer em métrica,
a chorar com ritmo,
a morrer devagar, para que o verso viva.
E quando a palavra enfim o liberta,
já é tarde:
a poesia partiu, deixando-o vazio,
com a alma exaurida e os ossos repletos de beleza.
Porque toda poesia é uma crueldade sagrada
e o poeta, o único animal que agradece
por sangrar com estilo.
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