Filha mais Velha

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[Boa e Velha Selvageria]


Eles querem
adestrar todo mundo,
querem todos
mansos e humildes;


risadinhas,
aplausos e brindes;
risadinhas,
aplausos e brindes;


mas nosso espírito
é indomável
e não se dobra
com palavras vazias.


Só podemos
prometer a eles,
nossa boa e velha
selvageria.


(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

"A morte baterá à sua porta, ao abrir, diga apenas: "Bem-vinda, velha amiga", até porque você sempre soube da existência dela, temia ela, mas, no fundo, ansiava pela sua chegada"

TRANSCEPTO CRUZEIRO



No mar da velha poesia,
Dois navios vão singrando:
Um carrega a dor da história,
Outro segue renovando.
Entre o ontem e o agora,
Vai o verso navegando.


Castro Alves levantou
Sua voz de claridade,
Denunciando as correntes
Da cruel desumanidade.
Fez do poema um clarim
Em defesa da liberdade.


Seu Navio Negreiro, então,
Foi um grito contra o mal,
Retratando o sofrimento
Do cativeiro brutal.
Cada estrofe era um açoite
Na consciência mundial.


Negreiros Neto, por sua vez,
Lança a Nave ao infinito;
Não conduz corpos cativos,
Mas o sonho mais bendito.
Leva esperança na proa
E Deus guiando o seu rito.


Se um navio foi prisão,
Outro é ponte e travessia;
Se um cruzou mares de sangue,
Outro semeia poesia.
Um revela antigas sombras,
Outro anuncia o novo dia.


No transcepto do cruzeiro,
Onde os rumos se entrelaçam,
A memória encontra a fé
E os destinos se abraçam.
O passado vira mestre,
Sem que as feridas desfaçam.


Castro Alves fez da pena
Uma espada de justiça;
Negreiros faz do cordel
Um altar de boa liça.
Cada qual em seu tempo
Cultivou igual premissa.


Não disputam grandeza,
Nem procuram primazia;
São faróis de um mesmo porto,
Cada qual com sua guia.
Um combate a escravidão,
Outro exalta a harmonia.


Transcepto Cruzeiro é ponte
Entre o pranto e a esperança;
É o encontro das palavras
Com a eterna confiança.
Quem conhece o seu passado
Dá ao futuro segurança.


Que o Brasil jamais esqueça
O valor da consciência;
Pois a arte quando é livre
Transforma toda existência.
E a poesia permanece
Como luz da resistência.

Vida, corriqueira vida
Poeira ao vento
Velha avenida
Que era só pó
A corrida, a carreira
O aspirar , suspirar
Ouvir o rangido
Das portas do tempo
O estampido do tiro
Dos poetas
Os hipócritas desapareceram em meio
As cinzas num redemoinho
Enquanto os artistas
Que semeiam
A euforia
Vive seus delirios
Fascinantes
No Gan Éden
Chacrona, mariri
Cânhamo trágico,
Fruto que alucina
daime santo,
O manjar dos deuses.
Nada mudou
Na avenida da vida
O tempo não para
Há agora um deserto
Comumente de certo
surgiste do pó
Puro pó...
A insanidade
A desigualdade
Falácias, falácias, falácias
O buchicho, o bocejo, o nó
A célula, a cédula
A sensura
O desejo
Poeira só.

100126

⁠A saudade é como uma velha amiga, que volta e meia vem nos visitar, mas sempre deixa um gosto de "fica mais um pouco?".

O maior perigo de afastar a nova geração da política não é a revolta, é o ego da velha geração.

A velha geração usa o passado da guerra como escudo para silenciar a juventude e foge à prestação de contas.

Sob a velha Hercílio Luz, diante da imensidão do mar que se perde no horizonte, sinto a mão de Deus me abraçando, lembrando-me da dádiva de ter nascido neste pedaço de paraíso que pulsa com a brisa, a chuva e o som das ondas.

O passado é uma casa velha que insiste em ranger quando o vento da lembrança passa. Podemos trancar portas, entulhar janelas, mas o eco do que vivemos sempre encontra um jeito de entrar. E talvez não seja para ferir, mas para lembrar que o sobrevivente ainda habita aqui. E isso já é vitória demais para quem quase não existiu.

Atravessando o rio gélido de um destino não tão bonito, em uma velha jangada, anunciando sua trajetória lenta, pesada, tocando um sino enferrujado, com seu som abafado, como se estivesse submerso, sendo afogado, feita de almas atormentadas, cheias de dor, pelo fundo pedregoso, margens lamassentas e ao horizonte, não existem margens, o rio não se finda e o céu, baixo e cinzento, curva-se como um teto prestes a ruir, comprimindo o ar nos pulmões já cansados, a corrente não conduz, apenas arrasta, e cada braçada é um adeus ao que ficou para trás, enquanto a jangada range, como se soubesse que não há porto, não há farol, não há terra firme, apenas o curso interminável dessa água fria que não acolhe, não absolve, não esquece. E assim sigo, não por esperança, mas por não haver retorno, deixando que o sino continue seu lamento mudo, até que o próprio som se dissolva na névoa, e eu me torne parte do rio que jamais termina.

Minha mente é uma casa velha, em ruínas, com portas trancadas por fora. Nos dias escuros, o teto cede e as paredes mofadas se fecham sobre mim. Divido o espaço com fantasmas que sussurram traumas passados; o medo é o ar que respiro, a fome é uma ferida aberta que nunca sela. É um isolamento pavoroso, um cativeiro assombrado. Mas quando o pânico me paralisa e a escuridão é total, o assoalho racha. Como uma fresta de luz que corta o sótão esquecido, as epifanias rasgam o pavor. Uma lucidez violenta, fria, que ilumina as assombrações. Eu morro de medo aqui dentro, mas decifro cada cicatriz. Esta casa condenada é o meu lar.


- Tiago Scheimann

Percorri caminhos , tantos que nem sei...às vezes eles surgem em minha mente, na velha sensação de deja vu, uma fugaz lembrança do que fui ou do que sou, por onde andei, não sei...Talvez sejam sonhos...Talvez sejam reais.Só sei que às vezes penso que nada sei.

Atenção, atenção, foi dada a largada,
na corrida eleitoral da velha bancada,
candidato atacando de forma desesperada,
e a verdade ficando sempre abafada.
Banco formando teia de corrupção,
dinheiro girando dentro do salão,
senado abrindo o bolso da população
como se fosse normal tanta exploração.
Oh, que sensação!
Helaine Machado

Cada pequeno passo é guarda uma velha lembrança, que criará uma novas lembranças que será Guardada

Acordei com a alma décadas mais velha,
Mas o coração estranhamente leve.
O mundo lá fora ainda é injusto,
O lobo ainda espreita o cordeiro,
Mas aqui dentro, a madrugada trouxe a paz.
Não tenho mais sede de vingança,
Apenas uma fome incurável de esperança.
Entre o silêncio e a oração,
Peço ao Espírito que guie o que devo calar e o que devo agir.
Faço em prece a oração de Agostinho
Ser minha própria Igreja é o meu abandono.
Aceito os planos, tomo posse dos sonhos.
Levanto-me com o peso do cansaço,
Mas com a força invencível da fé.
E parto para mais um dia lindo de lutas e vitórias....❀❀❀☕︎ྀི˚

Nova semana, nova meta, velha missão: ser feliz.
Ótima semana!
🌻🤞🍀

“Camisa velha não é roupa cansada — é testemunha. Ela viu dias que ninguém aplaudiu, abraçou o corpo quando o mundo virou as costas e, por isso, mesmo rasgada, continua sendo impossível de jogar fora.”

Diário de Bordo: O Retorno dos Gafanhotos à Velha Terra
​O que parecia um mito nos becos escuros das favelas espaciais agora estava em nossas mãos: a chave temporal. Ligada aos cristais de tempo que contrabandeamos e alimentada pelos novos motores tridimensionais, a nossa lata velha deixou de apenas flutuar no espaço; agora, ela rasga o próprio tecido do ontem e do amanhã.
​Ao ver os indicadores do painel brilharem com a energia cronológica, os olhos do capitão faiscaram de pura malícia. Ele tragou o resto do cigarro, olhou para a tripulação de loucos e deu a ordem que mudaria o rumo da galáxia:
— Vamos voltar para a Velha Terra.
​O plano não era um retorno pacífico ou um resgate nostálgico. Nós tínhamos novas perguntas que só o passado poderia responder, mas, acima de tudo, precisávamos de novas cargas. O estoque de cachaça de metanol estava no fim, os embriões precisavam de reforço e o universo ainda tinha muitos postos de combustível para explodirmos. A Terra — com toda a sua história de guerras, recursos e a nossa própria linhagem de malandros — era o mercado atacadista perfeito para a nossa predação.
​Os motores tridimensionais roncaram, os cristais de tempo canalizaram a energia quântica e a nave inteira tremeu, saltando através das eras.
​A humanidade já era o terror do espaço profundo. Agora, com o controle do tempo, nem o passado da Terra está a salvo de nós. Segura o cinto, porque os gafanhotos estão voltando para casa.
​— Por Celso Roberto Nadilo

- OS MORTOS QUE AINDA RESPIRAM - O pub fede a cerveja velha, tabaco barato e promessas que nunca sobreviveram ao amanhecer. A madeira do balcão conhece mais derrotas do que qualquer igreja conhece confissões. Ninguém ali é santo. Ninguém ali espera um milagre.
É por isso que gosto deste lugar.
Aqui a mentira morre cedo.
Vejo homens afogando décadas dentro de um copo. Vejo outros contando moedas enquanto fingem que ainda têm tempo. Todos repetem a mesma oração miserável:
"Amanhã eu começo."
Mentira.
O amanhã é um golpe inventado para tranquilizar covardes.
A vida acontece agora, enquanto o gelo derrete no copo, enquanto a fumaça sobe em espirais e enquanto o coração ainda insiste em bater. Cada segundo desperdiçado é um pedaço da própria existência vendido por quase nada.
Você pode esperar.
Esperar o dinheiro. Esperar o amor. Esperar a oportunidade perfeita. Esperar que o medo vá embora.
Só não reclame quando descobrir que a morte nunca esperou por você.
Não se curve.
Porque o mundo adora homens de joelhos. Gente obediente compra mais, pensa menos e morre em silêncio.
Não quebre.
Quebrou o nariz? Levante. Quebrou o coração? Continue. Quebrou os planos? Construa outros com os pedaços. Ferro só vira lâmina depois que conhece o fogo.
Não desista.
Os maiores túmulos não estão nos cemitérios. Estão andando pelas ruas, respirando por obrigação, existindo sem nunca terem vivido um único dia de verdade.
Eu só quero viver enquanto estou vivo.
Não quero uma biografia limpa. Quero marcas. Quero erros. Quero noites mal dormidas, gargalhadas inconvenientes, amores intensos, fracassos honestos e histórias que façam alguém baixar o copo para escutar até o fim.
No fim da noite, o dono do pub apagará as luzes.
Um dia alguém apagará as suas.
A única pergunta que importa é esta:
Quando isso acontecer, você terá vivido... ou apenas ocupado espaço entre o nascimento e o enterro?
A morte não leva apenas os vivos. Ela coleciona, principalmente, aqueles que passaram a vida inteira pedindo licença para existir.

O CICLO QUE NINGUÉM VÊ
Há uma folha desenhada sobre a madeira velha deste balcão. Não está realmente aqui. Está apenas na minha cabeça, entre um copo de uísque barato, a fumaça de um cigarro que insiste em sobreviver e o silêncio que os bêbados confundem com paz.
A vida inteira cabe numa folha.
Ela nasce verde, arrogante, convencida de que o vento é liberdade. Dança porque acredita que escolheu dançar. Depois aprende que era apenas o galho decidindo por ela. Mais tarde, o tempo amarela suas certezas, rouba o brilho, seca suas vaidades e, por fim, a entrega ao chão, onde ninguém mais olha.
Engraçado... fazemos exatamente o mesmo.
Neste bar há homens falando sobre carros que nunca comprarão, mulheres sorrindo para pessoas que jamais amarão e jovens planejando futuros que venderão na primeira promoção de estabilidade. Todos parecem ocupados demais para perceber que estão envelhecendo enquanto discutem banalidades.
A correnteza não faz barulho.
Ela apenas leva.
Leva os sonhos, a curiosidade, a coragem de dizer "não". Leva aquele impulso infantil de observar uma chuva, ouvir um disco inteiro, sentir o cheiro da madeira molhada ou reparar como a fumaça desenha fantasmas sob a luz amarela do teto.
As pessoas chamam isso de amadurecer.
Eu chamo de desistir.
Não falo da resistência dos heróis estampados nos livros. Essa costuma render medalhas e discursos. Falo da resistência silenciosa, quase invisível: a de não acreditar em todas as mentiras que vendem como felicidade; a de não transformar a própria existência numa fila de boletos, relógios e domingos ansiosos; a de continuar enxergando beleza numa folha caída enquanto o resto do mundo só enxerga sujeira para ser varrida.
Porque morrer não começa quando o coração para.
Começa quando deixamos de notar os detalhes.
Quando o café perde o aroma, o abraço vira protocolo, o beijo vira rotina e a janela deixa de ser uma moldura para o mundo e passa a ser apenas vidro.
Olho para o fundo do copo. O gelo já desapareceu, como desaparecem tantas coisas sem pedir licença.
A folha da fotografia teve uma vida inteira. Nasceu, brilhou, alimentou a árvore, envelheceu e caiu. Nunca fingiu ser outra coisa.
Nós, ao contrário, passamos décadas fingindo viver.
E talvez seja essa a tragédia mais elegante da espécie humana: não a morte, mas a facilidade com que entregamos nossa vida à correnteza, chamando de destino aquilo que foi apenas falta de coragem para abrir os olhos.
No fim da noite, o garçom apaga as luzes. A fumaça desaparece. O balcão continua ali, velho como sempre.
E, em algum lugar, outra folha começa a nascer.
Tomara que ela aproveite melhor o vento do que nós.