Fernando Pessoa Ausencia
Diário da alma
Hoje, escolhi o silêncio.
Não como ausência, mas como refúgio.
Existe um lugar dentro de mim que não precisa ser explicado, nem exposto, nem compartilhado — apenas sentido. E foi para lá que eu fui. Sem avisar, sem deixar rastros, sem olhar para trás.
Cansei de traduzir sentimentos em palavras rasas para que outros pudessem entender. Nem tudo foi feito para ser compreendido… algumas coisas só existem para serem vividas em segredo, no íntimo, onde o mundo não alcança.
Aprendi que a paz não faz barulho.
Ela não pede atenção, não disputa espaço, não se exibe. Ela simplesmente chega… e fica.
E foi nesse silêncio, nesse afastamento quase invisível, que eu me reencontrei. Sem máscaras, sem versões editadas, sem necessidade de ser aceita.
Hoje, não preciso mais ser vista.
Porque finalmente aprendi a me enxergar.
E, pela primeira vez… isso basta.
Labirinto de Espelhos
Traga-me amor e eu te mostrarei a ausência; traga-me ódio e eu te entregarei o desprezo. Mostre-me quem você acredita ser e eu te revelarei a infinidade de versões que posso assumir para te confundir. Enquanto você se ancora em definições estáticas, eu habito a variável. Eu me transmuto conforme a conveniência do nome pelo qual desejo ser invocado, um camaleão de intenções ocultas sob a superfície do óbvio.
Sou o ruído branco que preenche os vácuos da conversa. Você ouve o necessário, aquilo que sua mente consegue digerir, mas jamais decifra o que foi silenciado entre as sílabas. Minhas palavras são iscas, nunca o banquete.
Como um oceano que desconhece a paz, não ofereço margens seguras. Sou a inquietude das águas profundas, onde as ondas não obedecem ao vento, mas brotam e fornecem ao comando do meu próprio caos interno. Não há um lado certo para o impacto; a maré sobe onde eu decido que o solo deve ser submerso.
Sou o espelho que não reflete a imagem, mas a distorce até que você não reconheça o que projetou. Minha essência é o movimento perpétuo de quem aprendeu que ser qualquer coisa é a única forma de não ser ninguém. No final, você encontrará apenas o rastro da espuma na areia — o sinal de que estive lá, sem nunca ter se deixado capturar.
Silvio Jr.
A simplicidade, afinal, não é ausência de profundidade, mas a sua face mais pura. É quando o ser se mostra sem ornamento, e o que encontramos já não pertence aos livros nem às teorias — pertence a nós, pertence ao mundo.
✍🏻Só descobrimos a verdadeira importância de um ser humano em nossa vida com a ausência física definitiva deste ser.
💐💜😔🤍💗
O teu sumiço me dissolve devagar
A ausência faz a saudade consumir
Sensações diárias do meu querer
Mar das maresias tristes
Intensidade das ações do teu ser cativante
Desfaz meu ser aos poucos
A cada navegar, uma falta do destino que deixei para trás.
O Alento da Ausência
Outrora, eu era vigília e fresta,
ansiando o teu olhar como quem acende a luz
no cais de uma espera deserta,
suplicando ao horizonte que te trouxesse de volta.
Hoje, as sombras me bastam.
Prefiro o abismo desse silêncio inteiro
à tua presença fragmentada, que não habita apenas visita.
Pois o que oscila entre o vir e o partir
não oferece abrigo; apenas turva o cristal da memória.
Ver-te agora, ainda que sob o véu da distância,
não é bálsamo, mas interrogação.
Cansou-me o fardo dos intervalos,
os sinais que desbotam antes de se tornarem rastro,
esses quase-encontros que são, em verdade, desertos.
Se o teu destino é o não-estar,
que a tua ausência seja, enfim, absoluta e limpa.
Sem o eco de passos breves,
sem o toque fantasma que tateia mas não sustenta.
Há uma quietude austera em renunciar à espera.
Descubro, no vagar dos dias, a lição mais difícil:
que o esquecimento, por vezes,
é a forma mais profunda de zelar por si.
Ausência que dói.
Durante todo o tempo
Em que estivemos juntos,
Jamais lhe ouvi pronunciar
AMOR.
O que me incomodava
Não era a ausência da palavra
No seu vocabulário.
E sim, a ausência de amor
Em Ti..
Você não me ama. O que te inquieta não é a minha ausência, mas a possibilidade de eu existir inteira em outro lugar — longe do alcance do que você nunca soube cuidar.
quanto mais amar no presente
na ausência será mais dor
menos pior que viver na dor e doente
e não ter sentido amor
A solidão não é ausência de mundo — é excesso de interior não elaborado. O sujeito que a habita não encontrou ainda como processar as vozes internas que nunca foram silenciadas, apenas adiadas: os objetos internos em conflito, as identificações mal integradas, as lembranças que nunca encontraram repouso narrativo. Nesses espaços, o psiquismo vira vigia de suas próprias sombras, organiza ausências, pendura representações de afetos que talvez nunca tenham existido com a intensidade que a memória lhes atribui. O cárcere não é construído pelo externo — é sustentado pela dificuldade de atravessar a própria porta, que muitas vezes só exige que o sujeito cesse de guardar o que poderia ser, finalmente, largado.
Se tudo que teu coração entregou não foi o bastante, entregue a tua ausência, porque é na falta que se revela o verdadeiro valor da presença; na ausência Deus mostrará a verdadeira importância do que se perdeu.
Alma coberta de enfeites,
Ego de balão inflável,
Ausência de raro conteúdo,
Ecoa sem reflexos a essência do que foram somente exageros.
Com a sua ausência, aprendi: não dá pra escolher não sentir…
e, no fim, sentir é tudo que nos resta.
