Feridas
Feridas.
De tanto viver em descompasso
O dia é sempre um dia e nada mais
Pensar no amanhã, jamais
Sem lugar pra voltar, sem abraço
De viver eternamente
O mesmo passo a passo
Era somente a vida e o estar vivo
Era ser pra sempre
A própria ferida
Todo dia o mesmo curativo
Transpondo as pedras que surgissem
Uma a uma, passo a passo
Uma hora, nem percebe, se acostuma
As gotas de chuva na cara
A vida segue...o coração não para
Se é que a gente de vez em quando
Para e olha
As gotas de chuva na cara
Tanto faz se molha
A paz se instala
Os olhos veem, o ouvido escuta
O coração fala menos comigo a cada dia
Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço
...e sem palavra arguta
Vou pra onde o vento me levar, não ligo
Não levo um sorriso e nem lágrimas
Nem meu coração não fala mais comigo
Tanto faz, nada faço
Cada dia é sempre o dia e nada mais
Um dia a paz, ela vem e se instala
Nesse descompasso
Minh'alma se cala também
Tem um Deus, também calado
Passo a passo desse dia a dia
Pensar no amanhã, jamais
Trago meu coração em silêncio
Na ferida da vida que eu vivo
Todo dia o mesmo curativo.
Edson Ricardo Paiva.
SALVA-VIDAS
Que vida mais atrevida
Qual será minha medida
Vai curando umas feridas
Noutras pontas sem saída
Parecendo um suicida
Sendo salvo: amor da vida!
PANACÉIA
Pras tormentas que testaram
Em momentos tumultuados
Pras feridas que lanharam
Quero ser o teu cuidado
Tantas dores revelaram
Que mereces outro estado
Novos sonhos embalaram
Um repouso descansado
Querubins já anunciaram
Sem nenhum remédio amargo
São guardiões que nos reparam
Abençoando amor sagrado.
Tem feridas que sempre vem à superfície para lembrar-nos de algo que queremos esquecer.
Mas a medida que o aprendizado se faz, nossas Almas ficam cada vez mais leves e as marcas da vida guardadas nos porões em nós mesmo desaparecerão lentamente até que não reste mais nada que nos liguem a um passado doloroso.
Desejo-lhe uma boa trajetória. E que durante o caminho possa você colher flores que perfumarão sua vida novamente.
O sucesso é a cura das feridas que se ganha durante a jornada em busca dos próprios sonhos e objetivos.
Ouvir as dores dos outros nos faz entender que nossas feridas não são únicas. Olhai o que sangra na pele alheia e oferece medicação para a alma. Seu abraço pode curar o que lateja. Cristo ensina o princípio da caridade. Isso, também, fez irmã Dulce e tantos outros e outras. Olhai o teu irmão e lhe ofereça a simplicidade do olhar carinhoso.
As feridas cicatrizam, embora pulsem por dentro da pele...
elas estão ali recobertas por uma camada de pele que tentou anulá-las, mas elas permanecem ali. As feridas são as marcas da vida que insistem em permanecer sempre!!! Não é fácil seguir sem percebê-las... elas estão ali... não é fácil permanecer sem tocá-las, elas estão aqui hj e agora pulsando como se fosse ontem na infância. No entanto é possível aprender com elas e viver com elas e conviver com elas e fazê-las deixar de doer, ou sendo mais humilde, se acostumar com a dor...
Sufocar suas dores não permitirá que as suas feridas se fechem. É preciso sangrar para que o tecido se regenere.
VERSOS COR DE ROSA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho dedo certeiro pra feridas,
mesmo quando não sei seus endereços,
quando as vidas escondem os indícios
entre panos de calmas ilusórias...
Trago a sina de acertos no que dói,
sem saber como sei, só sei que sei,
de qual lei me revisto e sou tão duro
sob a capa sensível de poeta...
Meus poemas desossam existências,
têm machados precisos e solenes,
consistência e projetos de tortura...
Sou a força macabra em tom de anjo,
pois esbanjo verdades carniceiras
embrulhadas em versos cor de rosa...
Apesar das áreas livres, vivemos congestionados de dor, isto porque, as nossas feridas são, ainda mais profundas que as nossas afeições.
Reescrever a própria história é renovação interior, reeditar as feridas é escravizar-se no presente.
A amizade produz na alma um bálsamo que ajuda a curar as feridas produzidas pelas decepções da vida
"O que será de você, depois d'eu?
Quem há de curar-lhe as feridas, quando for-me eu?
Tu me abandonastes, e das feridas que me causara; a saudade, foi a que mais doeu.
Eu sou de ninguém, as vezes sou do mundo, mais eu queria mesmo, era ser seu.
Eu peço, rogo, imploro, por uma eternidade contigo, para Deus.
Essa nossa distância, me faz ateu.
Depois do fim, o que será de ti, o que será d'eu?
O nosso início nunca existiu, e já encontrou um fim, infelizmente morreu.
Enterrado no cemitério da esperança, onde aquele nosso sonho, aquela nossa felicidade, jazeu.
Quisera eu, que em meu leito de morte, houvesse a luz de uma outra vida contigo, mas é só breu.
Eu já não me pergunto o que existe após o jazer, a minha única indagação é: O que será de você, depois d'eu?"
