Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Quando se está a morrer, tem-se muito mais que fazer do que pensar na morte.

O trabalho é uma coisa elevada, digna, excelente e moral, mas bastante fastidiosa com o tempo.

O fator em última análise determinante da história é a produção e a reprodução da vida imediata.

A morte é uma vitória, e quando se viveu bem o caixão é um arco de triunfo.

Que verdades conhecia o morto?
Quem estrangulou
sua palavra?

Os grandes braseiros brotam das pequenas faíscas.

A vida é magnífica enquanto nos consome.

Girassol na tarde
se curva em reverência:
o sol se vai.

Quando se receou de mais aquilo que pode acontecer, acaba-se por encontrar algum alívio quando isso acontece.

Nenhuma mulher considera o marido realmente inteligente se é ciumento; tenha ele motivo ou não para sê-lo.

Cuidado com quem fixa os olhos no sol e não espirra.

O dinheiro não pode fazer com que sejamos felizes; mas é a única coisa que nos compensa do fato de não o sermos.

Desprezo o verso que soa e não cria.

A curiosidade é a última paixão das pessoas velhas.

A honra quer dizer o preconceito de cada pessoa e de cada condição.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.

Os poetas são os legisladores do mundo, não reconhecidos.

Menina nua
toma banho de cacimba
e ri pra lua.

o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa