Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Se minha permanência incomoda, olhem para Cristo, não para mim. Eu sou apenas testemunho daquilo que a graça pode fazer.
Eu não fui salva porque merecia; fui salva porque Cristo teve misericórdia de mim. Por isso, creio que a graça também pode alcançar qualquer pessoa.
Se a graça me alcançou apesar de quem eu era, não tenho o direito de decidir quem é indigno de ser alcançado por Cristo.
Há coisas que eu não teria capacidade de administrar sozinho, mas a graça de Deus me capacita a atravessá-las.
Se a minha permanência incomoda, não é porque eu seja forte demais; é porque a graça de Deus foi maior do que aquilo que esperavam que me destruísse.
O que incomoda alguns não é o meu deserto, é descobrir que eu ainda consigo sorrir enquanto caminho por ele.
Hoje já não digo: Senhor, tira-me daqui a qualquer custo.
Digo: Senhor, enquanto eu estiver aqui, não permita que eu saia sem aprender tudo aquilo que Tu queres formar em mim.
Porque o meu maior desejo já não é apenas sair do deserto.
É sair dele parecido com Cristo.
Enquanto alguns querem aparecer, eu quero que Cristo apareça em mim.
Não preciso ser vista pelos homens para ser conhecida pelo Pai.
Não preciso disputar lugar, porque meu lugar está nas mãos dEle.
Eu não preciso diminuir ninguém para exaltar Cristo. Não preciso odiar o diferente para provar minha fé. Minha segurança está em Jesus.
Hoje, mais uma vez, eu senti Deus.
Não foi em um templo, não foi através de uma religião, nem porque alguém me ensinou onde procurá-Lo. Foi em uma oração. Em algo que pedi em silêncio e que, de alguma forma, encontrou resposta.
E talvez seja justamente isso que torna tudo tão difícil de explicar: eu não sei dizer onde Deus estava, mas sei exatamente como me senti quando percebi que minha oração havia sido ouvida.
Hoje, eu não precisei encontrar Deus em nenhum lugar.
Foi como se, por um instante, Ele tivesse encontrado a mim.
Priscila de Araújo
Eu não quero ser comum.
Quero me perder nos detalhes de uma flor e me me encantar.
Quero contemplar o pôr do sol e me me alegrar.
Quero olhar o brilho das estrelas e me me apaixonar pelo infinito.
Quero encarar a lua e lembrar de um olhar que já me atravessou.
Quero sentir o mar e entender o quão imenso é o universo.
Quero ouvir uma música e sentir meu corpo se arrepiar.
Priscila de Araújo
Não posso ensinar nada, porque ainda vivo em construção, minhas certezas são andaimes e meu eu, uma casa inacabada.
Eu escrevo para não transbordar, o papel se torna meu confidente, onde meus pensamentos escorrem em rabiscos que carregam todas as minhas cicatrizes invisíveis, que além de mim, ninguém consegue as ver.
Não busco abrigo, eu o crio, a casa nasceu das minhas mãos, e hoje habito onde antes só soprava o vento.
Eu nunca quis ser o primeiro, porque compreendi cedo que o mérito não está em chegar antes, mas em permanecer inteiro quando todos se perdem tentando provar algo. O destaque, quando veio, foi apenas reflexo de uma autenticidade que nunca precisei ensaiar.
