Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
A cada dia que passa, entendo melhor a ideia do Amor Fati, não que eu aceite tudo que vier, sem mudar o meu destino conforme a minha vontade, mas pelo que o passado me trouxe. Por mais dolorosas e destrutivas que certas situações sejam, são elas que nos forjam. Minhas escolhas me trouxeram até onde estou agora, a quem sou, e me orgulho de quem venho me tornando. Tenho milhões de defeitos, não sou e não pretendo ser perfeita, muito menos forjar isso, mas busco iluminar minhas sombras para aprender a lidar com elas, integrando cada uma das minhas faces.
Passei por abismos, desafíos intensos. Conheci as melhores e as piores pessoas. Virei pó, queimei e renasci das cinzas. Não foi fácil a caminhada, mas não mudaria nada. Ao morrer, pude renascer. Ao me cortar, pude ser mais forte. Ao cair, aprendi a levantar. Não, não romantizo o sofrimento, mas, de fato, a alquimia interna só pode acontecer através da dor. Até a borboleta, antes de ganhar asas, sofre um doloroso processo de transformação. Sigo em meu casulo e, logo, voarei por aí.
- Marcela Lobato
Podem até dizer ser loucura, mas eu escolho viver nos meus sonhos, e não mais na realidade. Se sonhando te encontro, então viverei em meus sonhos até o meu último suspiro.
- Marcela Lobato
As pancadas da vida
Eu sei que a vida às vezes é dura.
Às vezes ela não avisa.
Simplesmente vem…
e nos enche de pancadas.
E tem noites em que a gente fica acordado de madrugada pensando:
“O que eu poderia ter feito diferente para evitar tanta dor?”
A mente procura respostas.
O coração tenta entender.
Mas olhando por outro lado…
cada pancada também ensinou alguma coisa.
Você aprendeu a sobreviver.
Mesmo com traumas do passado.
Mesmo com momentos em que quase desistiu de tudo.
Ainda assim, em algum momento, você percebeu algo importante:
você era mais forte do que imaginava.
E mesmo depois de tantas quedas,
você continuou seguindo.
Porque às vezes a vida bate forte…
não porque você merece sofrer.
Mas porque, de alguma forma,
essas pancadas acabam revelando a força que existia dentro de você o tempo todo.
“Felicidade na Realidade”
Por um momento em minha vida, pensei que não me tornaria nada.
Eu tinha medo da realidade e me comparava demais com os outros.
Achava que para ser como todos eu precisava fazer tudo o que todos fazem: viajar, postar fotos bonitas, estudar, malhar, mostrar sempre o lado bom da vida.
Mas percebi uma verdade simples e dura: nas redes sociais ninguém mostra o dia a dia de verdade.
Ninguém mostra quando o dia é duro, quando não consegue dormir, quando a mente fica sobrecarregada ou quando você pensa em desistir.
Eu não confiava na minha própria capacidade. Pensava em desistir por achar que não era suficiente.
Procurava apoio familiar, buscava relacionamentos perfeitos, achava que precisava disso para ser feliz.
E então percebi: a felicidade não está em um relacionamento perfeito.
Nos meus 23 anos, nunca vivi nada perfeito, e percebi que felicidade tem mais letras que amor.
— ela é complexa, real, feita de pequenas conquistas e aceitação da vida como ela é.
Desde então, parei de procurar a perfeição nos outros ou nas redes sociais.
Comecei a focar na minha realidade, no que passo, nas minhas escolhas e na minha evolução.
A felicidade verdadeira não é sobre aparências.
É sobre aceitar sua vida, aprender com seus desafios e crescer todos os dias, mesmo quando ninguém vê.
TORMENTA
Se eu soubesse chover...
Não me molharia tanto.
Se eu soubesse sumir...
Seria só um crepúsculo,
Se eu soubesse morrer...
Não doeria tanto.
Mas porque tanto barulho,
Tanta comemoração,
Se todo dia é esta tormenta...
E me derramo todo,
Se sumo e desapareço
Nesse desalento
Se morro a cada momento...
Se algum dia eu sonhar com algo que não for poesia....
Se algum dia os desencantos não me encantarem...
Não é fácil lavar louça quando eu poderia estar lendo um soneto da Cecília, um poema do Bukowski, qualquer coisa do Drummond... se bem que o tilintar de colheres, facas e garfos é inspirador; a espuma do detergente, o barulho dos pratos, a água caindo... ah, tudo é poesia e isso me transporta pra um horizonte sem limites; eu sou um anjo e condeno os pecados do mundo, mas eu também tenho os meus pecados, esta paixão... esta paixão pela vida; Louis Armstrong sabe de tudo: "what a wonderful world!" que mundo maravilhoso; garfos, facas e colheres tilintam... pratos e panelas são lavados lembrando-me que pessoas se alimentaram, a água cai como cristais lembrando rios e lagos, a poesia é viva e dinâmica; e eu reflito no meu horizonte: os pecadores passam, a paixão nos rejuvenesce e a poesia... a poesia é o ar que você respira, a água que você bebe, é o que te alimenta. Ah, quem vive sem poesia?
Não quero ver teus olhos tristes
sob o céu tão estrelado,
o lado que eu gosto do teu lado,
é o lado de dentro quando
eu entro calmo como se o teu coração
fosse minha morada,
beijo teu útero como se fosse meu último desejo,
mas meu último desejo é sempre o penúltimo,
e eu quero sempre esse beijo...
sou triste porque esse é o álibi pra tua presença,
amar-te não é crime,
mas amas este meu lado marte,
esse meu lado triste, vazio, imenso
que comporta a tua presença
com todos os teus pecados
Eu acho ridículo isso no homem...
Ser fofoqueiro, ser linguarudo, não saber guardar segredo e ficar bisbilhotando em seu próprio perfil e redes sociais... quem visitou, quem viu ou deixou ver... quem viu seu stories, ou se inscreveu ...
Posta e se esquece homi...
A lua daqui
Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.
Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.
Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.
A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.
Eu ficaria parado por horas a fio, imerso na contemplação de cada traço teu, se a lucidez não me trouxesse o receio de parecer insano ante a tamanho sentimento por você. É um fascínio que me paralisa, uma hipnose consentida.
Vejo em ti uma deusa despida de vaidades terrenas.
Teus cabelos esmerados moldam um semblante onde a própria arte encontra o seu limite. Não se trata apenas da harmonia do teu rosto, mas da luz terna e quase melancólica que emana de ti. És a materialização da calmaria, o refúgio onde uma alma exausta como a minha ansiaria repousar.
E, no entanto, a cruel geografia ri do meu desespero.
Quilômetros e horizontes se estendem como um abismo infinito entre o bater do meu peito e a suavidade da tua pele. A matéria me aprisiona neste canto do mundo, enquanto o meu pensamento, rebelde e desesperado, já habita o teu espaço. É a mais sublime das torturas: ter o universo inteiro diante dos meus olhos através de uma imagem, e ao mesmo tempo ter as mãos atadas pela tirania da distância.
Nessa agonia do inalcançável, porém, encontro a minha mais pura certeza.
Minha essência, antes peregrina, cega e trôpega, reconhece na tua imagem o fim da sua busca. Não anseio mais pela abstração do ideal, pois o meu sentido encontrou pouso na tua existência.
Sinto, com a força de um paradoxo indomável, que és o encerramento da minha jornada. A mulher que desenhei nos meus delírios mais lúcidos, aquela a quem eu entregaria não apenas o meu amor, mas a eternidade dos meus dias. Estás tão fisicamente longe, mas, de alguma forma inexplicável, nunca alguém esteve tão perto de ser o tudo que me falta.
Se eu vir...?
"Se eu ver" não existe,
minha língua perde o afeto.
Não vou deixar minha palavra triste,
então assumo em me sumir por completo.
