Kiko Arquer

Encontrados 11 pensamentos de Kiko Arquer

Se eu vir...?

"Se eu ver" não existe,
minha língua perde o afeto.
Não vou deixar minha palavra triste,
então assumo em me sumir por completo.

A guerra é sempre
do anti-herói,
o ruim contra o ruim.

Nunca se deslembre
que tanto dói,
e torça só pelo seu fim.

Para acabar com o tráfico de drogas:


- Vá ao médico.
- Receba orientação e receita para uso recreativo.
- Vá na farmácia de drogas.
- Deixe a receita.

Cetemque é palavra de vocabulário degradativo.


Meio que um pronome-verbo-impositivo.


Quando usado, só tem a 1ª pessoa:
eu, eu, eu.


Mas é um EU diferente.
Um tipo de acusativo mal conjugado.


Eu cetemqueio não existe.
Nós cetemqueamos é um coach triste
Seu cetemqueado, dá até pra xingar.


O infinitivo, sem sentido, seria cetemquear...
mas não há.


Em 2ª pessoa fica redundante.
É obvio que o cetemque é só pra tu.
É obvio que o cetemque é só pra você!



E em 3ª pessoa? Ele, ela...?
Ah, nesse caso a mudança seria toda radical:


Eletemque toma forma fofocal


e hiperboliza o lexical.

Fui levar meu lixo na lixeira,
e no meio do caminho uma velhinha caminhava
com sacolinhas na mão, sacolinhas de lixo.


Então eu disse no capricho:
– Deixe que eu jogo fora para a senhora,
faço de bom coração.


Mas ela foi discreta:
– Não, não. Meu lixo está muito sujo, acho melhor não.


Insisti, educado, e disse:
– Senhora, seu lixo é mais limpo que o meu.


E ela, com tino, retrucou:
– Sim, sim. Mas na competição de lixos o limpo perdeu.

Inserida por kikoarquer

Em todos os casamentos que fui,
vejo um fantasiado levantar os braços
e bobeirar que sabe o mundo.


De jeito nenhum,


nunca me caberia casar assim,
com um tolo me culpando pelos próprios fracassos.


Nem por decreto,


nem a pau me calaria diante de um mascarado imundo
falando que minha mulher é inferior a mim.

Se casa com casa na cabeça,
descase do cara.
Case com a mesa.

Haja
viagem
que
viaja
em si,
essas eu viví.


Vi a parede enredar a aranha
Tirei sarro da sanha
na meça tamanha
de um papo meu que foi até de manhã

Pergunta o meu nome querendo dizer Pedro.
A data do meu aniversãrio pedindo presente.
Qual a minha opinião sobre patos, bigodes, bolsas e crentes?


A rachadura na parede ouve,
nitidamente, seu quack-quack, nãoseioquelá, deuses.


E Pedro pedreiro, muito penseiro


só matraqueando seu trem
que só vai
que só vai
que só vai


E eu aqui,
já desisti de me empolgar
esperando, esperando, esperando,
só vejo um bife desfocado a tagarelar

"O filtro medroso de um ser é o que o limita e delimita seu constante".

Imagine que Maria é uma pessoa mal casada com um homem bem peludo.
Bem mal casada. Bem peludo.

Maria odiará pelos em todas as circunstâncias.

Ela tentará falar de pelos em todas as conversas.

É assim que ela cospe, diariamente, o que a incomoda. Ela tenta tirar isso de si mesma a todo instante.

Ela fala pra tirar de si, ela fala para entender, ela fala para se sentir menos sozinha.

Maria se abastece de ódio toda noite com o maridão peludo, e Maria se esvazia durante o dia.

E ainda mais, como odiadora de pelos, ela será reconhecida por todas as pessoas ao redor dela.

Suas amigas Lulu, Elisa e Mônica também tem seus nojinhos por pelos.

Maria é a líder do ódio. A identidade de Maria se constrói e se consolida nisso.

"Maria, a odiadora de pelos !!!"

O maridão peludo pode até morrer, mas Maria não, Maria não abrirá mão.

Enfim, até mesmo se enfiarmos a 9ª Sinfonia de Beethoven numa conversa, Maria irá se segurar em seu medo e gritará que os pelos do peito de Ludwig são asquerosos.

Ludwig, o asqueroso !!!

O bobo corre atrás da bola,
a bola vende o bobo.


Os bobos chamam de jogo
o bola rica que sai na Globo.