Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
MINHA CADELA O TEMPO E O CÉU
Tenho uma cadela de 8 anos de idade cujo nome é Laika.
Sentimental como sou, resolvi dar tal nome ao animal em homenagem à cadela russa que nos anos 60 teve sacrificada a vida para o progresso da ciência. Colocada num foguete russo, serviu de cobaia às experiências espaciais da época, e o mundo todo acompanhou o sofrimento do pobre animal lutando pela vida dentro da cápsula infame.
Encontrei a Laika comendo lixo em 1997, numa noite de céu claro. Estava ela ali perto de casa, barrigudinha de vermes e tão pequenininha que cabia na palma de minha mão. Não tive dúvidas em levá-la para casa, alimentá-la, vaciná-la, enfim, adotá-la.
Os anos se passaram e Laika já trouxe ao mundo quase 30 filhotes em 4 vezes que ficou prenha. Recordo-me que uma das crias aconteceu na madrugada de 11 de setembro de 2001. Não demorou a que eu pusesse o nome de um dos dois cachorrinhos que nasceram de Bin Laden. Assim ficou e o dono que o adotou continuou com o mesmo nome. Assim, quando chega 11 de setembro não tenho que ficar lembrando somente de mortes e tristeza, mas do nascimento de uma vida, ainda que seja de um cão.
Mas, voltando ao assunto Laika, ela ficou uma cadela enorme. Acho que ela tem ancestrais Pastores Alemães, pois tem cor e estilo dos mesmos, apesar de ser uma reconhecida Vira-Lata. A minha cadela, porém é nobre. Ela sabe ouvir, ela respeita, ela me entende. Os anos se passaram e a idade do animal é diferente da nossa. Ela está ficando uma "senhora de idade". Seus pelos estão embranquecendo, os olhos estão ficando um tanto foscos e as tetas já demonstram que serviram muito bem para alimentar tantos cães. Está verdadeiramente "despeitada".
Tem uma coisa nela que me ensina bastante. Ela me olha e é como se me dissesse: "-Veja, a velhice existe... estou indo na frente para você perceber que também envelhecerá". E também já noto meus cabelos mostrando muitos fios brancos, meus amigos principiando bons "telhados" de neve, enfim, a vida se fazendo presente.
Laika faz-me pensar sobre a fruta que amadurece e sobre o tempo que não cessa. Ela cumpriu com seus instintos animais. Cresceu e procriou, tomou conta da casa e me fez companhia. Ficou alegre e triste quando adoeceu, mas luta bravamente pela vida, sem ter noção que um dia ela se extinguirá, tanto para ela como para mim.
O chato da vida é perder, mas Laika também me ensina que as coisas podem ser encontradas, como eu a encontrei. Talvéz assim eu encontre razões para pensar que exista um céu também para os animais, ou que eu encontre razões para pensar no meu próprio céu, ou algum lugar que se pareça com esse mistério que a gente coloca na mente.
Seja como for, meu cão me ensina que tudo passa, inclusive a vida, mas o sentimento persiste. É este sentimento que perpetua quando lembro-me da Laika russa.Tomara que ele continue depois do túmulo. Tomara que um dia, quando a minha Laika morrer, ela possa encontrar a Laika russa. Será que se estranharão?
Tomara que o céu exista, para eu me encontrar com os amigos que perdi e que nem embranqueceram os negros cabelos... e também aqueles cujos "telhados" ficaram brancos. Nesse dia, eu certamente estarei com minha cadela do lado e passarei a mão no seu pelo macio, que foi colo para mim em tantas noites de solidão e dor."
Erros
Vou pelo tempo e que no tempo aflito
A prosa sentimental, tropega, suada
Poesias que tagarelam com o espírito
Das faltas, vou indo pela madrugada
Poética, sofrente, fincada no infinito
Escrito no rigor de uma rima pesada
E nos meus enganos o olhar contrito
Colocando a minha alma pendurada
De tudo que finda, a vida que passa
A passo largo a ilusão que escassa
Assim, gerando nas causas, aterros
Então, equívoco e acerto o destino
Ferino autor... num quase desatino
Saturando o fado com infindos erros
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2023, 19, agosto, 20’14” – Araguari, MG
PAUTA SOBRE ELA
Ela está estressada e ao mesmo tempo sentimental demais. Ela é doce e tem um sorriso apaixonante, do tipo que não dá para resistir. Ela é um pouco chata, às vezes durona; tem um "quê” de mistério no olhar, mas de uma bondade infinita na alma.
Ela é assim, por fora um sorriso frouxo e por dentro um coração sensível.
- Para Uma Moça de Coração Intenso
Meus argumentos descoordena o tempo sentimental, porém o coração pulsa em um certo desatino particular.
Meu penoso coração vivenciado em uma solidãoque na qual eu mesmo construi, sem fim esperando um cuidado de um longe sentimento.
Por mais dura que seja a realidade o tempo cria o desejo sentimental, faz com que os sentimentos se funda ao fogo do amor;
Senão se fundir é que o fogo da paixão não se faz suficiente;
O amor chega em uma hora
Daqui a uma hora ele chega. Não deu tempo de consertar o esfolado da minha unha e de esfoliar decentemente os pêlos encravados. Esfolado, esfoliado. Tudo parece música e rima mas é só porque você chega em uma hora. Tem um carro que passa lá longe, enquanto eu tento abrir os olhos e encarar esse dia em que você chega. Esse carro não sabe, mas foram mil anos abrindo os olhos e ouvindo carros e ouvindo ruas e não ouvindo a sua voz. E agora a sua voz existe e você chega em uma hora. Não estou pronta. Minha barriga dói. Eu tenho vontade de vomitar. Eu não consigo comer de tanto medo que eu estou sentindo. Eu quase desmaiei agora de manhã, porque pra piorar está calor. Não lido bem com calor. Não lido bem com nada que não seja eu em minha bolha arejada de imaginações. Mentira, não lido bem com minha bolha arejada de imaginações também. Não lido bem com nada. Não deu tempo de virar mulher. A hora que ele aparecer no desembarque do aeroporto, com sua cara de homem, com sua voz de homem, eu vou ter vontade de pedir que ele volte de onde veio e espere mais cem anos. Porque não deu tempo de eu virar mulher. Eu vou ter vontade de pedir que ele me carregue no colo até a casa da minha mãe e me entregue pra ela. Eu queria tomar sopa na casa da minha mãe. Eu lembrei agora que minha mãe me dava Sustagem quando eu ficava assim, tão assustadoramente encantada pelo mistério das coisas. E ela temia que eu desintegrasse. E agora? Como faz quando se é adulta? Qual é a sustagem de agora para que eu não desintegre? Como é que se ama com um corpo de trinta e três anos se por dentro eu tenho cinco anos e estou tremendo, apavorada, pressentindo o estrago que as coisas de verdade podem causar. Por que eu chamo de estrago quando sei que, na verdade, estrago é o que as coisas que não são de verdade causam. Eu tenho tamanho pra suportar o tamanho das coisas de verdade?
O amor chega em uma hora e eu ainda não consegui comer, escolher a roupa, arrumar minha franja, decidir se já posso amar. O amor chega em uma hora e vai quebrar meu gesso mas eu não decidi se os ossos já estão bons o suficiente. Mas ele vai chegar com trinta martelos e eu vou estar esperando, forte e decidida, pra receber a porrada. E o ar que vai entrar. E mais dor. E o ar que vai entrar. E quem sabe então alguma felicidade, já que fui corajosa. Quem sabe a felicidade seja a harmonia entre a dor e o ar que entram pelos poros que temos coragem de abrir? E quem sabe só o amor seja o martelo possível?
Escrevo isso e choro. Porque quero tanto e não quero tanto. Porque se acabar morro. Porque se não acabar morro. Porque sempre levo um susto quando te vejo e me pergunto como é que fiquei todos esses anos sem te ver. Porque você me entedia e dai eu desvio o rosto um segundo e já não aguento de saudade. E descubro que não é tédio mas sim cansaço porque amar é uma maratona no sol e sem água. E ainda assim, é a única sombra e água fresca que existe. Mas e se no primeiro passo eu me quebrar inteira? E se eu forçar e acabar pra sempre sem conseguir andar de novo? Eu tenho medo que você seja um caminhão de luz que me esmague e me cegue na frente de todo mundo. Eu tenho medo de ser um saquinho frágil de bolinhas de gude e de você me abrir. E minhas bolhinhas correrem cada uma para um canto do mundo. E entrarem pelas valetas do universo. E eu nunca mais conseguir me juntar do jeito que sou agora. Eu tenho medo de você abrir o espartilho superficial que aperto todos os dias para me manter ereta, firme e irônica. Minha angústia particular que me faz parecer segura. Eu tenho medo de você melhorar minha vida de um jeito que eu nunca mais possa me ajeitar, confortável, em minhas reclamações. Eu tenho medo da minha cabeça rolar, dos meus braços se desprenderem, do meu estômago sair pelos olhos. Eu tenho medo de deixar de ser filha, de deixar de ser amiga, de deixar de ser menina, de deixar de ser estranha, de deixar de ser sozinha, de deixar de ser triste, de deixar de ser cínica. Eu tenho muito medo de deixar de ser.
Agora é menos de uma hora. Você vai chegar e automaticamente minha agenda de milhares de regras e horários e controles vai desaparecer. E eu vou ficar apavorada porque só o que eu tenho é o contorno mentiroso que eu dou para os meus dias. E você, porque me abraça e me dá outro desenho, é o vilão da minha vida programada. Você é o tufão de oxigênio que invade meu nariz mas, porque estou com tanto medo, mais parece falta de ar. Agora é menos de menos de uma hora. Preciso terminar esse texto. Mas eu tenho medo, sobretudo, de terminar esse texto. Sobre o que eu vou escrever se você for melhor do que esperar por você?
E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória.
É claro que falo, faço, ou penso bobagem 99,9% do tempo.
Não conheço ninguém que seja verdadeiramente feliz
levando a vida sempre tão a sério. :)
(...) não sei, às vezes me parece que estou perdendo tempo (...)
O tempo existe, Pimentinha, e passa, leva no arrastão as coisas, e as pessoas que não morrem: ficam encantadas.
Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. (...) Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama.
Nunca perca tempo se preocupando com pessoas que não gostam de você, eles só te odeiam porque você é um reflexo do que eles sempre quiseram ser.
Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.
Uma geração envelhece enquanto a outra cresce.
Não vivemos apenas em nosso próprio tempo. Carregamos conosco também a nossa história.
Quem de três milênios,
Não é capaz de se dar conta,
Vive na completa ignorância, na sombra,
A mercê dos dias e do tempo.
