Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Eu tenho os olhos no céu
porém não olho pro Sol
Não faço nada impossível
Se fizer foi sem saber
e você, sôfrega...tropeça
eu não entendo aonde vai
com tanta pressa.
Às vezes tudo que eu queria
era apenas não ser eu
e nem ter esta vida que Deus me deu
e nem ser do jeito que fui feito
ser qualquer outra pessoa
e portanto, ser perfeito e gente boa
pois todos defeitos do mundo
existem apenas em mim
mas se eu não fosse eu
seria eu, de qualquer jeito
este ser humano ridículo e imperfeito
por melhor que fosse feito
então, talvez as coisas sejam assim
e tudo que posso dizer ao mundo
e que, se algo der errado
podem pôr a culpa em mim.
olho pela janela
não vejo o Mundo
vejo parte dele
às vezes eu acho
que simplesmente
nesta parte
eu não me encaixo
haverá outros lugares
outros Mundos
outras épocas
outras vidas
onde minha presença
e pensamentos
normalmente insatisfeitos
seriam normais
e bem vindos?
Será que a vida
é mesmo vida?
o Mundo é concreto?
o tempo, este eu sei
não é continuo
e muito menos reto
será que os olhos
são mesmo as janelas da alma?
ou será que o Mundo
espia-me a alma
através dos meus olhos?
Eu queria ter um casaco grande
pra sair à noite no sereno
meu pai me trouxe um que não servia
mas eu ainda uso ele todo dia
casaco pequeno é
que nem casaco grande
só que pequeno
eu quis viver uma grande alegria
e eu ainda a vivo todo dia
vida feliz ou vida triste
depende de quem avalia
eu quero escrever um poema
e não sei fazer direito
escrevo este
não saber fazer
não é problema
poema ruim é melhor
que nenhum poema
escrever coisa bonita
não se compara a dar presente
pois não tem aonde
amarrar aquela fita
assim eu posso estar presente
na vida de quem lê
apesar de quase sempre
parecer estar ausente
e se eu não te contar
você nunca vai saber
que talvez este poema malfeito
tenha sido escrito
enquanto eu pensava em você
queria que você soubesse
que apesar das coisas que digo
no fundo, de verdade
nem ligo
mas não encontro outro recurso
pra te fazer pensar
em mim por um instante
pensamentos que permanecem
distantes o resto do dia
queria apenas te dizer
que acordar não significa
por cor em nada
mas sim, estar de acordo
mesmo não
estando acordado
Uma vez eu te pedi
um par de sapatos marrons
que você não podia comprar
eram os sapatos dos meus sonhos
mas nem tudo estava acabado
voltando pra casa eu ainda tinha
você sempre aqui, ao meu lado
o chão da cozinha, de jornais forrado
pra meus pés descalços
não pisarem chão gelado
apesar dos percalços da vida
a vida, que hoje analisando
faz todo sentido
um dia os sapatos marrons
estavam nos jornais e nos meus pés
eu chutei todas as pedras que pude
mãe, me perdoe se falhei
na infância, hoje em dia
ou talvez na juventude
viveria tudo de novo com você
os tempos ruins
hoje lembrando, foram tempos
muito bons
enfrentaria o mundo de novo
com meus velhos sapatos marrons.
Eu me sinto meio que esquecido
a cada dia que se passa
mas não me sinto ressentido
na vida tudo tem um preço
talvez seja isso mesmo que eu mereça
enquanto caminho sozinho
com memórias cheias de ferrugem
eu me enxergo assim
incapaz de desenhar a vida
com as cores que agora exigem
sinto minhas mãos calejadas
os olhos cheios de fuligem
porém, caminho ainda
debaixo de um Sol escaldante
mas deixei de ser preponderante
já faz alguns invernos
momentos são sempre momentos
somente pensamentos são eternos
um dia a vida bate
e no outro a gente apanha
os dias de vitória vejo
cobertos por teias de aranha
a cada dia que passa
e descubro que na vida nunca tive
qualquer proeminência
e que junto com os sonhos
também há de naufragar
os dias que vivia na inocência
tem dias em que eu me sento
sob as sombras dos muros do inferno
mas Deus vem e diz que aquilo
que hoje é velho
amanhã será moderno
E então cheguei aqui...
eu sei, não parece muito
mesmo assim, não compreendo
como foi que consegui
Quando tudo começou
isso, há muito tempo atrás
despojado de qualquer recurso
sem saber no que pensar
ou em quê sentir
fui seguindo
o tropel da cavalgada
muitas vezes ao fim
da viagem que
me conduziria a mim
percebia que não havia
de maneira nenhuma
aprendido ou ensinado nada
a vida soava onírica
e sem ter quem me ensinar
optei por procurar
o lado lírico do viver
hoje em dia
olhando o caminho percorrido
não me lamento
e muito menos me arrependo
de não ter acumulado
não haveria onde guardar
portanto, fui dividindo
que quem estivesse ao meu lado
irmão, amigo ou desconhecido
vivendo o Sol de cada dia
um dia de cada vez
o otimismo se fez escola
entrei em lagos
chutei bola
e tentando, então
compreendi
que nunca aprenderia a nadar
futebol, então...nem pensar
mas olhando hoje a vida, penso
que o empirismo me deu o bom senso
de saber que nunca haveremos
de chegar a nenhum consenso
e, apesar de tantos tropeços
que houve desde o começo
eu ainda estou aqui
e assim vou permanecendo
pois não tenho pra onde ir
Teu coração não é só seu
um pedaço aí me pertence
muito mais que você pensa
no dia que nele eu adentrar
hei de reformar
tudo que já viveu
Um cantinho aí é meu
portanto trate de cuidar
dos teus batimentos cardíacos
mesmo que não saiba
pode haver por aí, um maníaco
esperando pra escrever
uma singela poesia
nas paredes do teu coração
te dar um dia de alegria
ou talvez o resto da vida
portanto, não seja atrevida
te confesso hoje, senhora
aqui já passou da hora
desde que você entrou
eu joguei as chaves fora.
Ontem eu escrevi alguma coisa
Não sei se você gostou
Espero que tenha gostado
Porém;
"ontem" é passado
Hoje eu preciso escrever de novo
E é escrevendo que me movo
O homem que vive e nada cria
Nem ter nascido devia
Há criações melhores
muito melhores que as minhas:
Um roçado de feijão
Laranjas, tangerinas, maçãs
Eu cultivo apenas poesia
Uma vez comido o feijão
Eu posso vir aqui todas manhãs
E, talvez, criar uma canção
E quem sabe, alegrar seu dia
Se você não gostar...
eu tentei
pretendo voltar amanhã
e escrever novamente
a vida é algo que não pára
Nuns dias não dá certo
em outros a gente erra
por querer
Nem todo mundo
gosta de tangerina
Um poema é só um poema
Mas, se procurar
talvez encontre uma mensagem
Mais linda que imagina
Nem tudo que os olhos te mostram
são do jeito que enxergou.
Eu queria voar todo dia
ao seu redor,
quando acordasse
Porém Deus não deu-me asas
poderia ser pior
Talvez minhas asas se cansassem
antes que meus olhos te vissem
Eu queria voltar pra casa todo dia
e te encontrar
Mas Deus não me deu uma casa
poderia ser pior
Talvez eu voltasse pra casa
e você tivesse se cansado
de me esperar
Eu queria saber escrever
poesia todo dia pra você
Mas Deus não me deu talento
pra satisfazer tua exigência
mas mesmo assim ainda tento
Juntando palavras
que ouço do vento
e o pouco de inteligência
que Deus me deu
Poderia ser melhor
Poderia acontecer
de o vento me trazer
o beijo misterioso
que trouxesse o alívio
de me levar para um lugar
aonde não existisse
qualquer lembrança
de você
Assim como as pedras
Não podem ser chamadas
de cidade
Minhas palavras eu sei
Que não dizem nada
Meus pés não fazem a estrada
Minha alma
há muito desenganada
já sabe que asas
Não significam liberdade
Palavras no alto da montanha
Ecoam
Há muito eu estou lá
gritando à toa
Saber escrever
Em linha reta
Não faz, nunca fez
e nem fará jamais
de mim um poeta
Silêncio e nem dinheiro
trazem paz
A luz do Sol
não faz o dia
Tentar achar a paz perdida
Não traz mais
Harmonia
em minha vida.
Resumindo aquilo que você falou, eu concluo que é mais ou menos assim:
Tirando tudo, não sobra nada.
Apesar de eu não gostar de cachorros não gostaria de ser tratado como um, não que eles devam ser maltratados e sim por sua fama...
Não é preciso me perguntar quem eu sou olhe dentro de ti e sinta que parte de você pode estar em min!
Não adiantaria eu interpretar em palavras, o que seu sorriso decifra em mim em milhares de sensações!
O Sol ainda brilha lá fora
Eu sinto que luz e calor
Não me pode alcançar
Corpo frio
Longe de tudo
Até mesmo da própria vida
Coração vazio
Nada mais prende mais atenção
Que a vontade de ir embora
Lá no fundo do quintal
O ruído, pouco mais que gemido
De uma alma chorando escondida
O desejo de orar me toma
Mas Deus não há
Há somente a vontade que implora
Com voz que ninguém pode ouvir
E agora?
Edson Ricardo Paiva
Ao longo da vida inteira
Olhando as coisas grandes e pequenas
Eu vi a borboleta que não podia voar
Ouvi falar de milhões de planetas
Que estão lá, mas não abrigam vida
Não tem água e nem tem ar
Escondi no peito, descontente
À tanta mágoa contida
Era muita coisa pra suportar
Ao longo de uma existência somente
Era um Universo Perfeito
Repleto de erros e imperfeição
As coisas são assim
Do jeito que as coisas são
A borboleta que não voava
Caminhou seu curto caminho
E assim viveu a sua vida
O Planeta ainda está lá
Num jogo de equilibrismo
Que quis Deus, essa esquisitice
Servisse de escudo pra gente
Pois as coisa são assim, somente
Simplesmente isso
Mas o mundo não pode aceitar
Os erros que existem na gente
As coisas são como elas são
Só nos resta aceitar essa decisão
E seguir em frente
Pois a vida é assim.
Edson Ricardo Paiva
Não me iludo
Já cometi grandes erros na vida
Agora eu não mais me iludo
Desisti de pensar que as coisas mudam
Aprendo a cada dia
Que vou errar e me iludir de novo
Aprendi que pra isso é que existe
O arrependimento
E me arrependo
Aprendi que os erros
Não foram feitos para errar
E muito menos pra aprender
Eles existem pra não ser cometidos
E nem sempre o perdão
Alcança os resultados que se deseja
Por mais belas sejam
As palavras que se ouve na esquina
A conversa termina sempre lá
Não é preciso trazer pra casa
Muito menos guardar na alma
A bonita filosofia
Que resulta pouco mais que nada
E que fiquem no passado
A tantos erros alheios
Hoje eu vejo que devia
Ter mudado a direção
Ainda no meio de muitos caminhos
Sempre existem novos erros
e ilusões se evitar
Aprendi somente a não me iludir
E pensar que vou saber
Quando é que eles vão chegar
Nunca aprendi direito
O melhor jeito de olhar pro Céu
E dizer se vai chover
Mas com o tempo a gente sabe
Olhar a tempestade iminente
E decidir nos cabe ou não
Molhar-se na chuva que ainda não caiu
Mas iludir-se
Pensando que não vai molhar
Depois de tudo que já viu
Eu bem queria acreditar
Que em pouco tempo
Não há de formar-se
Outro rio nessa avenida
Então me apresso
em voltar pra casa em paz
Assim a vida ensinou a gente
Pois hoje, sinceramente
Eu olho pra esse Céu de ilusão
E fujo dessa velha mesma chuva
Que já me enganou muitas vezes
Mas agora
Ela não me molha nunca mais.
