Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Você me pergunta se eu te amo.
Digo que sim.
Você me pergunta o porquê.
Mas a resposta não cabe nas palavras.
Ela mora nos gestos que escapam da boca:
nas panquecas com mel feitas de surpresa,
no silêncio que não coça a garganta,
no erro que você comete
e eu deixo passar como nuvem.
Não por dó —
mas porque o amor é míope (como eu sou)
e prefere enxergar embaçado.
O amor é transcendental.
Ou seja: escapa.
Foge das definições como um gato —
no peitoril da janela,
olha para você, mas não obedece:
é a imprevisibilidade que se deixa ficar.
É um peixe vivo na banheira da alma —
algo inadequado, mas presente.
Ou a sombra de um pássaro:
risca o chão e some antes de você apontar —
pura efemeridade.
É sagrado,
porque é inútil (não serve para nada).
Como um copo d’água na madrugada —
não sacia, só umedece os lábios.
É real,
porque não precisa ser provado.
E é impossível.
Como traduzir o cheiro da chuva
sem nomear a saudade?
"Eu desfaço o teu feito, deito e rolo na minha razão, mesmo não sendo perfeito, dela não abro mão."
Se me calo diante dos grandes agora não significa que eu fui derrotado, e sim que planejo minha vitória em silêncio.
As pessoas não entendem como eu faço tantas coisas sozinho e como equipes contratadas entregam tão pouco.
O rosto que eu amei não era o teu,
Foi sombra que a minh'alma projetou;
Um sonho que o meu próprio ser criou
E que no mundo frio se perdeu.
Não sinto raiva alguma do passado,
Mas uma triste e lúcida quietude,
Ao ver que te vesti de uma virtude
Que estava só no meu olhar nublado.
Aos poucos se dissolve em meu cansaço,
A falsa eternidade que sonhei,
Deixando apenas um vazio espaço.
A culpa não é tua, bem o sei.
Criei um oceano num abraço,
E afoguei-me nas águas que inventei.
Eu não supero nada, porque superar é fazer de conta que nada nos feriu.Eu na verdade sigo reinventando melhores histórias e levando comigo o que fui, o que sou e o que ainda me tornarei!
