Faz de Conta Qu eu Acredito
A dança dos extremos
Na praça do tempo, a extrema direita grita,
Faz da espada seu verbo, da fúria sua escrita.
É um vendaval que ruge entre os campos de dor,
Plantando espinhos onde o trigo já foi amor.
Lá vem o cavaleiro, com bandeiras rasgadas,
Ecoando promessas de glórias passadas.
Mas são sombras de reis que nunca existiram,
Fantasmas de um poder que tantos sucumbiram.
E do outro lado, suave, a esquerda caminha,
Com pés descalços sobre a terra que alinha.
É o sopro da aurora no campo semeado,
O canto das mãos que constroem o legado.
Dos livros nascem pontes, dos sonhos, revoluções,
É o abraço do povo contra as prisões.
Mas a bonança tem curvas, também seus tropeços,
Pois no campo das ideias, há espinhos nos começos.
A história é mestra, nos sussurra ao ouvido:
Já vimos extremos ferirem o perdido.
Mas também vimos florescer, em terreno infértil,
A coragem de lutar, ainda que em solo hostil.
Que não nos guie o ódio, que não nos cegue o temor,
Que a mão que aperta o punho também saiba dar flor.
E que na dança dos extremos, o equilíbrio seja o fim,
Para que a história cante o melhor de seu jardim.
FAHRENHEIT 451 é a temperatura em que o papel pega fogo.
Qual será a temperatura que faz o coração palpitar de emoção toda vez que lê uma história intrigante, quase produzida para si?
Valeu professora pelos bate papos sobre cinema, música e literatura.
Encerramos por enquanto, sabendo que à frente existirá sempre um MUNDO que podemos torná-lo NOVO, ADMIRÁVEL, pois quem DOMINA O PASSADO DOMINA O FUTURO, e nisso estamos trabalhando ardentemente no PRESENTE.
SOMA de emoções é a temperatura que faz o coração palpitar.
Todos os professores são iguais, mas alguns não são iguais a você.
Título Original: Confraria da Trilogia Distópica Lestasiana ®
Tradução © by Milton H. L. Braga
2011 - 2013
“A alma do egoísta faz de sua consciência uma casa com paredes espelhadas a fim de que, de qualquer ângulo, ele possa ver refletida a sua própria imagem.”
( Maria do Socorro Domingos)
CONDENAÇÃO (03/2001)
É ímpar, é demais poder amar
Mas amor é como o satanás
Faz proteger o nome do condenado
Precisando usar codinome para o ser amado
A sociedade não permite
Um amor assim tão alvo
Tão leve, tão solto, tão verdadeiro
Mas que nada tem de arbitrário
O satanás quem criou o dinheiro
Quem criou os valores materiais
Mas Deus criou o amor
Para combater o satanás
Quem é o homem?
Que se julga capaz de condenar
Um amor assim tão presente
No íntimo de um ser?
A liberdade existe
Mas na insensatez
A sociedade
Protege-se com Deus
E ama o satanás
Como um carrasco
Usando sua lâmina afiada
Cravando no coração amante
Mata morbidamente este amor tão presente.
SOFRIMENTO VIRTUAL (10/1999)
Nas noites escuras e frias
Não se faz mais barquinhos de papel
Como antigamente se fazia
Para encher de satisfação e alegria
Esta vida de aluguel
Hoje nas noites, finge-se
Fazer amigos virtuais
Amigos, amantes e tudo mais
Para encher mais de saudade os corações
Pois eles, assim como os barquinhos não voltam jamais.
Ficando no coração
O frio denso de uma ilusão
Que talvez em uma noite de verão
Possa tornar realidade
os sonhos dos amantes virtuais.
Sufocando toda uma vida
Acreditando em curar uma ferida
Que na verdade não será vencida
E cresce cada vez mais
Em cada noite de despedida.
Mas quando se torna realidade
Que satisfação! Até amedronta
Ficando registrado nas faces
A alegria do dado impasse
De vencer o que aparecia vencido.
Mas a tormenta não termina
A dor é mais intensa
Quando na despedida
Vendo um amor que fica
Na dura hora da partida.
Quanto arrependimento
E que no íntimo do ser vem o lamento
Sabendo assim que era menor o sofrimento
Da despedida virtual
E a maldita ferida nunca será vencida.
Enquanto os dias se passam diante de mim.
Enquanto a guerra se faz perante minha face, encontro-me nos últimos dias de convivência deste pobre lugar. Aquele parasita que havia em mim, Eu o fiz sair. Na escuridão da tempestade Existe o Mal, " E esse sou Eu"
Tem dias que tudo vem à tona de uma vez, aquele choque de realidade que faz a gente parar por algum tempo, olhar em volta e observar as circunstâncias que circulam nossas vidas, algumas delas ocasionadas por nossas próprias escolhas, algumas não necessariamente, mas todas de alguma forma estão aí devido a alguma coisa que fizemos ou deixamos de fazer em nosso caminho ou no caminho dos outros. Alguns observam e comemoram seus méritos, outros observam e são obrigados a procurar dentro de si mais paciência. A verdade é que na batalha da vida não existe espaço pra lamentações, o fluxo tá sempre conduzindo a gente pra frente. É preciso ter fibra, força, foco, fé em dias melhores, eles estão por vir e não se pode duvidar disso, ainda que demorem, ainda que não cheguem exatamente quando a gente quer, todos nós estamos caminhando ao rumo deles. Se hoje se sente uma onda pesada quebrando por perto, é porque o tempo, deus, a vida, o destino ou qualquer outra forma de força atuante nesse mundo espera que a gente faça algum movimento em prol de nós mesmos em todos os campos da vida que se façam necessários. A transformação vem com a fé e a fé pra ser digna pede paciência e movimento, to aprendendo, uma hora eu acerto e o tempo abre.
Desliguei meus interruptores internos. Tristeza também abastece, nos faz refletir sobre as perdas e nos confronta. É choque de realidade que nos enriquece. A cada lágrima perdida, um valor a mais na conta da vida.
O medo sacode o coração, faz o mar recuar, saudade bate como vento forte. É a maré subindo, me molhando feito areia sem saída, me debruço sobre a boia, não sei nadar, mas não me afogo. Aprendi que em correnteza forte não se nada contra, apenas deixe que te leve. Há tantas praias para se conhecer quando o mar se acalmar. Não deixe que a água gelada te assuste, no final a areia é branquinha e a vista inesquecível.
