Faz de Conta Qu eu Acredito
Juramentos De Fogo
Eu sinto a sua falta,
Vamos bailar.
Queria a sua calma ao lado da minha,
A tranquilidade ao pôr do sol.
Lembro-me de você por completo.
Eu sinto a sua falta.
Não demore pra voltar ou pra ir.
Só há um fantasma de você aqui,
Uma memória antiga me perturbando.
Não espero que volte,
Mas você ainda me acompanha por algum motivo.
Você decidiu ir e eu passei pelo deserto de fogo sozinha.
Juramentos quebrados do escudeiro.
Nunca mais será o mesmo, não se agarre a isto e vai embora.
Eu sinto sua falta.
- Ramile Godon
Os dois seladores patronos,
Eu desejei a ausência deles.
Meus piores inimigos.
Meus inimigos mais mortais!
Puxando meu tornozelo para baixo,
Colocando uma corrente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente deles.
Meus piores inimigos.
Jamais amarei vocês de novo!
- Ramile Godon
Eu tive um ano difícil vai...
Um ano cheio, fiz muito.
Estou orgulhosa olhando para trás.
A vida não é linear pra todo mundo.
Talvez não seja pra ninguém.
Estou aprendendo que a minha jornada tem o seu próprio ritmo.
Muitos feitos.
Muitas experiências.
Estou tentando não me abalar pela projeção alheia.
Acredito que todos deveriam tentar aprender a fazer isso.
Estou me transformando, tudo se transforma.
Eu sou uma pessoa incrível para mim mesma.
Os anos são duros, mas eu sinto toda a vida em sua ambiguidade caótica e confusa.
- Ramile Godon
Querida eu do futuro,
Escrevo isso logo após um ano duro, mas cheio. Um ano de muitos feitos e muitas experiências. Se hoje alguém estiver te cobrando, te desmotivando, tentando te machucar ou você estiver se cobrando demais ou tentando se encaixar no ritmo de outra pessoa, lembre-se de quem você era quando escreveu estas linhas.
Lembre-se de que você aprendeu a ter orgulho de olhar para trás. Lembre-se de que a vida é caótica e ambígua, mas que você se transformou através disso. Acima de tudo, nunca se esqueça: você é incrível para si mesma. Volte para o seu ritmo!
- Ramile Godon
Quando eu te ver,
Lembre-se quando eu te contar do punhal.
Dos animais que compraram sadismo.
Do canivete rasgando meu pulso na neblina escura.
Mordi o pingente da corrente de prata.
Você se lembra de pouco agora.
Não somos mais os mesmos.
- Ramile Godon
Só está faltando isso aqui, para eu entrar na fila dos mal-educados e ir tomar café na sua casa, sem nem te avisar.
Porque, convenhamos, estamos vivendo tempos muito curiosos: há pessoas que transformaram a formalidade em distância, a etiqueta em barreira e a educação em um conjunto às vezes tão rígido de protocolos que até a espontaneidade precisa pedir licença para existir.
A sociologia das relações humanas nos ensina que os vínculos não se sustentam apenas por convenções, mas pela liberdade de pertencimento, pela confiança e pela intimidade que se constrói no cotidiano.
Afinal, uma Amizade Verdadeira não deveria exigir agendamento prévio para demonstrar afeto, nem transformar uma visita inesperada em uma transgressão social.
Filosoficamente, talvez a questão nem seja sobre chegar sem avisar, mas sobre o quanto nos tornamos estranhos uns para os outros em uma sociedade que supervaloriza a conveniência e subestima a presença.
Estamos tão acostumados a administrar horários, espaços e aparências que, por vezes, esquecemos que a vida também acontece naquilo que não foi combinado.
Há uma beleza quase revolucionária em poder chegar, sentar, conversar, rir de bobagens e compartilhar um café sem que seja necessário apresentar justificativas para a própria presença.
Não se trata de desrespeitar limites, mas de alcançar aquele estágio de afeto em que a hospitalidade deixa de ser uma obrigação protocolar e passa a ser uma expressão espontânea de consideração.
Porque casa não é apenas um endereço, é também um território de acolhimento.
E café, convenhamos, nunca foi somente uma bebida: é pretexto para encontros, cenário de confidências, testemunha de risadas e, muitas vezes, o pequeno ritual pelo qual duas pessoas dizem, sem precisar pronunciar, que ainda vale a pena estar próximas.
No fundo, não quero entrar para a fila dos mal-educados.
Quero apenas preservar o privilégio de conviver em um mundo no qual Algumas Amizades dispensem tanta cerimônia e não precisem transformar carinho em compromisso de agenda.
E, se um dia eu aparecer sem avisar, não será por falta de educação, mas talvez pelo excesso de consideração por aquilo que a vida tem de mais simples e precioso: a possibilidade de estar presente.
Afinal, existem cafés que matam a vontade de tomar café, mas existem encontros que matam a saudade de ser gente.
E esses, definitivamente, não deveriam depender de tanta burocracia afetiva.
O Que Fica do Que Fomos
William Contraponto
Se um dia eu cruzar a noite inteira
e o corpo cansar do próprio som,
não esperarei por luz ou fronteira;
apenas o rastro do que ainda sou.
Porque além da morte não há segredo,
não há espírito buscando um lar.
Há só memória vencendo o medo
e o que deixamos no fundo do olhar.
O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.
Quando a última porta se fechar,
não haverá juízo nem muralha.
A vida é um barco que aprende a passar,
e cada travessia ensina – e falha.
O que chamam alma, eu chamo história:
a voz simples do que se amou.
É a cicatriz guardando a memória
de cada luta que alguém lutou.
O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.
Se deixo um verso solto pela rua,
que seja luz pra quem quiser seguir.
Não há mistério entre sombra e lua:
há só a marca do que se quis sentir.
E quem nos guarda não é o além,
é quem repousa o nosso bem.
No silêncio que sucede o último passo,
ninguém nos chama para salvação.
O tempo recolhe o nosso espaço
e entrega aos outros a continuação.
Se algo vive depois do adeus,
não são anjos nem eternidade:
é o que plantamos no chão dos seus,
a parte nossa que vira verdade.
O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí,
no que vive em ti,
no que chamam fim
e que eu chamo de existir.
Impasse
Por que me preocupar com tudo isso?
Mas ao mesmo tempo,
Como poderia eu ficar à parte disso?
Acordado e sem sono:
O que devo fazer!?
Vem, abrace-me!
Para que eu possa adormecer
Em teu regaço ó
Incessante amor...
Vem a mim como o fulgor das estrela..
Quão serena feito o luar...
Vem Sem máculas, mas com teu cheiro embragador.
Vem pra mim, insensível amor...
Se eu pudesse mostrar o meu coração, faria uma autópsia deliberadamente, apenas para revelar os sentimentos que guardo por ti.
Se, por acaso, eu fosse um neurocirurgião, mostraria o meu cérebro e permitiria que, com teus dedos entre suas entranhas, sentisses o amor que habita em mim por ti.
É que cada parte de mim expressa você, sente você.
Porque, até nos verões mais quentes, você me refresca; e, nos invernos mais frios, você me aquece.
Talvez sejas tu o responsável por meus pensamentos deliberadamente fundido ao seu ser.
A teimosia de viver
Eu não sei se tenho
a teimosia de viver
ou se ela me tem.
Entre mim e ela,
juntam-se a fome
e a vontade de comer.
E assim vou
saboreando a vida.
✍@MiriamDaCosta
Eu ainda sou a parte boa que restou de mim, sou tudo, sou nada, sou o amor, o ódio, a ternura, a loucura. Sou também o delírio, sou o êxtase, sou o deleite, sou aquilo que te falta e o que resta. Enfim sou tudo o que restou de de um dia que não começou...
(Saul Belezza - Patife)
Hoje eu sou feio. Mas já fui o menino mais desejado da escola. Uns desejavam me bater, outros me matar.
Sem as Divinas Lembranças Coloridas que Eternizastes em mim, jamais eu suportaria lembrar de um dia tão cinzento.
Talvez eu nunca consiga ser o irmão que os meus merecem, mas fui agraciado com os melhores. Minha eterna gratidão, Pai!
Há 18 anos eu já tinha fé, mas descobri — às duras penas — que ainda não era fiel o suficiente para não lamentar a “volta para casa do Pai” do meu pai.
Só está faltando isso aqui, para eu entrar na fila dos mal-educados e ir tomar café na sua casa, sem nem te avisar.
E eu que, vez em quando, deito um travessão na mensagem — só para ser confundido com um “Chatbot”.
Mas um travessão é muito mais do que sinal gráfico — é um gesto.
Um pequeno ato de ousadia que só pratica quem não teme ser percebido.
Quem escreve com consciência do que carrega, e com a leveza de quem não precisa provar nada além da própria honestidade com as palavras.
Porque, no fundo, escrever é isso:
um jogo silencioso entre coragem e sensibilidade.
Coragem para tocar onde dói —
Sensibilidade para não machucar lugar nenhum.
E um travessão, bem deitado, talvez seja o símbolo mais humilde dessa bela dança.
Ele separa, sim, mas também aproxima...
Às vezes, pausa… mas empurra adiante.
Ele corta… mas também convoca.
Às vezes parece apenas um traço, mas é um traço que fala:
"Ei, aqui entra algo que só os atentos percebem."
E quem ousa usá-lo não o faz por frescura gramatical —
mas por afeto estético, intuição narrativa,
e essa espécie de maturidade que só têm os bem resolvidos:
bem resolvidos consigo, com o que dizem,
e até com o que deixam de dizer.
No fim, o travessão é como o pincel que se deixa cair de propósito:
não é descuido, é assinatura.
Não é desatenção, é presença.
E se alguém confunde isso com um “Chatbot”…
ah! — que continue confundindo.
Porque a arte, quando bem feita, normalmente já confundiu até quem a criou.
E aqui para nós — risos — às vezes um travessão bem deitado é mesmo isso: um pincel que se joga, de caso pensado, sobre a tela.
Um atrevimento sereno, cheio dessa sinergia rara entre arte, responsabilidade e sensibilidade — um trio que costuma morar apenas nos que já fizeram as pazes consigo e com a própria forma de criar.
A intenção, claro, era fornecer lenha para queimar.
E o fogo aceitou.
Porque, é preciso muita coragem para se aventurar na arte de escrever.
É preciso alguma loucura mansa para deixar palavras escaparem sabendo que podem ferir, curar, provocar ou até acalmar.
E é preciso ainda mais sensibilidade para permitir que elas se entendam com as imagens — porque, quando elas resolvem brincar juntas, quem escreve vira mero coadjuvante.
A palavra abre caminho.
A imagem acende.
O travessão risca.
E o gesto final surge sozinho —
como se a chama tivesse vontade própria.
Talvez não haja atrevimento mais bonito e charmoso do que o dos que se aventuraram e se aventuram no ofício de escrever.
Porque escrever é primeiro se arriscar —
e só depois se revelar.
E haja atrevimento pra tocar quem se atreve a ler!
Pois, quem escreve, abre portas, mas quem lê, precisa ter coragem
de entrar.
No fim, talvez seja assim que a arte realmente nasce:
do encontro entre um risco, uma intenção e a ousadia de se deixar queimar.
E nós apenas sopramos o fogo —
porque a Lenha, a Faísca e o Incêndio Poético
já estavam ali — todos —
pedindo pra brincar.
