Faz de Conta Qu eu Acredito

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Que a parte boa de mim, continue assim, ingênua,
porque a outra parte, até eu tenho medo.

Eu nada sei
das verdades do mundo
e na minha verdade,
daquilo que penso ser,
eu nada sou.
✍@MiriamDaCosta

Talvez eu tenha aprendido que ser inteiranão é não ter marcas… é carregar cada uma delas sem deixar de florescer!

_____Damaris Ester Dalmas

CONFISSÃO AO VENTO

Grito não por raiva, mas por sede
de ouvir o eco de quem eu fui,
antes que o silêncio me consuma,
antes que eu me esqueça de existir!

O vento não responde, só acolhe!
Não promete alívio, mas carrega
cada fragmento solto da minha voz
para lugares que nunca verei …

E talvez seja isso a liberdade …
gritar sem medo de ser escutado,
deixar que o mundo leve embora
aquilo que eu não sei mais guardar!

Grito ao vento, e no grito me refaço
pedaço a pedaço, sopro a sopro,
até que reste só o silêncio limpo
de quem finalmente se libertou!

_____Damaris Ester Dalmas

Há quem caminhe olhando apenas para o destino…
Eu prefiro seguir as borboletas!
Elas não conhecem a pressa…
Não carregam o peso de controlar o amanhã.
Apenas pousam aqui, voam acolá e transformam o caminho em descoberta…
Talvez a vida seja assim!
Nem sempre uma linha reta rumo a um objetivo…
Mas uma dança delicada entre o que buscamos e o que encontramos pelo percurso.
Seguir as borboletas e permitir-se encantar pelo inesperado…
E confiar nos desvios!
Compreender que algumas das mais belas paisagens não estavam no mapa.
Porque às vezes o que procuramos não está no fim da estrada…
Está nas asas coloridas que nos convidam a olhar ao redor!

_____Damaris Ester Dalmas

* imagem: Pinterest

Eu sinto muito … às vezes demais, às vezes bonito…
Mas aprendi que nem todo sentimento precisa virar tempestade, alguns só pedem silêncio e passagem.
Guardo o que me marca, mas escolho ficar com o que me transforma!
Não gosto de dúvidas que ficam rodando sem resposta, prefiro a verdade inteira, mesmo quando ela não vem fácil.
Clareza ainda é o que mais acalma…
Não faço coleção de pessoas, faço presença!
Fico onde há troca, onde há verdade, onde posso ser inteira sem precisar caber menor.
Não criei defesas elaboradas, e isso já me custou algumas quedas…
Mas sigo assim …com jogo de cintura, não de armadura.
Porque leveza pra mim, ainda vale mais do que proteção excessiva!
Eu apareço como sou.
Sem ensaio, sem personagem…
Quem se conecta, fica!
Quem não, tá tudo bem, nem todo encontro precisa virar história…
No meio de tudo isso, tenho algumas certezas quietas … o que é verdadeiro não precisa forçar permanência, o que é leve não pesa na alma,
e o que é meu encontra um jeito de ficar!
O resto?
É detalhe que a vida adoça… às vezes devagar, às vezes de colherada!

_____ Damaris Ester Dalmas

Quantas versões de mim ficaram pelo caminho até eu me tornar quem sou hoje?
Quantas vezes eu me calei quando queria falar, recuei quando queria ir, me adaptei quando queria ser?
Quantas escolhas fiz mais por medo do que por verdade e quantas possibilidades minhas ficaram guardadas em lugares onde eu nunca mais voltei?
Talvez eu não seja apenas o resultado do que vivi, mas também do que não me permiti viver…
Das palavras que engoli, dos caminhos que evitei, das partes minhas que achei que não cabiam no mundo ou que o mundo não suportaria.
Mas há algo silencioso e potente nisso tudo, nenhuma versão de mim se perde completamente!
Elas se transformam, se reorganizam e esperam.
E às vezes, voltam … não como arrependimento,
mas como saudade do que ainda pode ser.
Porque talvez a pergunta não seja só sobre o que eu perdi… mas sobre o que, mesmo depois de tudo, ainda posso me permitir ser!

_____Damaris Ester Dalmas

⁠Não me pergunte se eu sou mais emocional ou racional, pois eu opero constantemente sendo ambos — o sujeito emocional e o racional — porém, estabeleço uma hierarquia, onde o emocional raramente dá a palavra final.

Ou eu sofro de complexo de vira-lata, ou enxergo este país como ele realmente é.⁠

⁠De que outra forma nasce um Eu que preste, senão assim: retalhado, com retalhos oriundos de prazer e de dor?

Eu não sou tão forte quanto eu previa e nem tão fraca quanto temia.
Não tenho o passo rápido como eu gostaria mas não me paraliso como eu receava.
Aprendi a me equilibrar nos extremos.
Se não posso escolher o que me acontece,
escolho ao menos como me posicionar diante deles.
No final, o que me move não é forte o suficiente para me derrubar, mas é intenso o bastante para me fazer ir além ...

_____Damaris Ester Dalmas

Querido: ...
Hoje você tem apenas 3 aninhos, e eu estou escrevendo isso porque aconteceu algo que eu nunca quero esquecer. Toda vez que a gente assiste juntos àquele nosso vídeo e toca a nossa música, seus olhinhos brilham e você diz, com toda a sua pureza, que o seu coração chega a doer de tanta emoção.
Quero que você saiba que essa "dorzinha" não é de gênio ruim e nem de tristeza. É o amor. É que você é um menino tão meigo, tão doce e tão especial que o amor que existe entre nós simplesmente não cabe dentro de um peito tão pequeno. Ele transborda.
Você nasceu no nosso coração. Mesmo sem o mesmo sangue, você se tornou o nosso netinho amado. Suas brincadeiras alegram nossa casa e ouvir você dizer "eu te amo" é o melhor presente que poderíamos receber da vida.
Nunca perca essa sua sensibilidade linda. Esse vídeo e essa música sempre vão ser o nosso abraço em forma de som e imagem. Nós amamos você ontem, amamos hoje e vamos amar para sempre, com toda a força do nosso coração.
Com todo o amor do mundo,
Seus Avós do Coração

As minhas conquistas pode até paracer pequenas aos olhos alheios,, mas eu me orgulho de cada uma, porque todas foram frutos do meu trabalho.

Eu caminho pela fé, não pela vista.

Antes, eu avisava. Hoje, entendo que as pessoas aprendem melhor vendo as consequências.⁠

A cidade correndo lá fora
E a gente contando as horas
Eu no meio de tanta loucura
Você no compasso que cura
Dois caminhos que tinham de tudo pra não se cruzar
Mas o tempo deu um jeito de nos aproximar


Você no seu canto, eu no meu
O mundo girou e cedeu
Se o relógio mudasse o ponteiro um minuto pra trás
A gente seria só dois estranhos e nada mais
Mas a vida tem dessas surpresas que mudam o tom
Um aviso de última hora que no fim foi bom


Se a gente não estivesse no mesmo lugar
Na mesma semana, no mesmo olhar
Nem saberia da nossa existência
Mas o destino não quer coincidência
Sem expectativas, sem pressa no passo
Deixando o texto virar um abraço
Deixa fluir...

eu gosto de jogar bola

Meu bem, eu não sou destes.
Não sou destes que se escrevem em linhas bem traçadas à pena livre e certa a mão direita; não sou destes que se fazem sol, eu sou chuva, que te molha e te segue de segunda a segunda. Meu bem, me ouça, sou um rascunho ainda inacabado, refletindo teus olhos. Sou um desenho rabiscado em papel pardo sem motivos nem inspiração, apenas por vontade. Não sou destes que se fazem multidão, prefiro por andar sozinho. Não sou destes que dizem amar e te acenam com a mão e nem olham atrás o caminho. Não sou destes feitos sentimentos. Eu sinto tudo e nada, um nojo, prazer e dor, amor em pinceladas. Não ache que eu sou o fim, sou o recomeço. Sou o inverso do verso que todos acham algum sentido, sou a música inacabada sussurrada em teus ouvidos, sou o céu em cinza tão perfeito.

Quero te conhecer como és,
não como eu gostaria que fosses,
não como te idealizei.

Quero te conhecer em verdade,
sem te sobrecarregar com minhas expectativas,
sem defesas, sem armas…

E quero que me conheças como sou,
sem o compromisso de ser tudo
o que esperas de mim!

_____Damaris Ester Dalmas

⁠Há 19 anos eu já tinha fé, mas descobri — às duras penas — que ainda não era fiel o suficiente para não lamentar a “volta para casa do Pai” do meu pai.


E talvez tenha sido justamente naquele momento que comecei a compreender a diferença entre acreditar em Deus e aprender a confiar nos desígnios de d'Ele.


Até então, minha fé habitava, de alguma maneira, o território das convicções.


Eu acreditava na Eternidade, professava a esperança da ressurreição e reconhecia, racionalmente, que a morte não deveria representar o fim de tudo aquilo que o amor construiu.


Entretanto, quando a finitude bateu à minha porta com o rosto de meu pai, descobri que uma coisa é professar a fé diante dos mistérios da existência; outra, inteiramente diferente, é sustentá-la quando a vida nos impõe uma despedida que o coração não estava preparado para compreender.


Naquele dia, aprendi que a fé não nos torna imunes à dor, tampouco nos transforma em criaturas desprovidas de lágrimas.


Afinal, até Jesus chorou diante da morte de Lázaro (João 11:35).


E há algo profundamente humano e divinamente revelador nesse pequeno versículo: mesmo conhecendo o poder da vida, Cristo não desprezou a linguagem do sofrimento.


Talvez porque chorar não seja necessariamente duvidar de Deus.


Talvez seja apenas a maneira mais sincera que encontramos de demonstrar o quanto alguém foi indispensável à nossa existência.


Demorei a compreender que lamentar a partida de meu pai não significava desconfiar da promessa divina.


Significava, antes, reconhecer a dimensão do amor que sua presença havia plantado em mim.


Porque a saudade é, muitas vezes, o preço que a eternidade cobra de quem experimentou a bênção de amar alguém profundamente em toda a linha do tempo.


A teologia nos ensina a olhar para a morte sob a perspectiva da eternidade; a filosofia nos provoca a reconhecer nossa vulnerabilidade diante do inevitável; e a poesia, generosa em sua capacidade de traduzir aquilo que a razão não alcança, nos permite perceber que algumas ausências continuam habitando os lugares mais profundos da presença.


Hoje, talvez eu compreenda melhor aquilo que, há 19 anos, minha humanidade ainda não conseguia conciliar com minha espiritualidade: ter fé não significa deixar de desejar que aqueles que amamos permaneçam conosco.


Significa, apesar desse desejo tão legítimo, encontrar forças para continuar acreditando que o amor não se encerra na sepultura.


Como escreveu o apóstolo Paulo, há três virtudes que permanecem: a fé, a esperança e o amor, sendo o amor a maior delas (1 Coríntios 13:13).


E talvez seja exatamente aí que resida o maior ensinamento dessa travessia: a fé pode nos ajudar a aceitar aquilo que não podemos mudar, mas é o amor que nos impede de esquecer aquilo que jamais deveria ser perdido dentro de nós.


Não sei se, naquela ocasião, me faltou fé ou se simplesmente me sobrou humanidade.


Hoje, prefiro acreditar que Deus nunca exigiu de mim a insensibilidade como prova de fidelidade.


Afinal, o próprio Cristo, diante do sofrimento, conheceu a angústia (Mateus 26:38).


Por isso, depois de 19 anos, já não me cobro por ter chorado.


Agradeço por ter tido um pai cuja partida pudesse deixar tamanha saudade.


Agradeço pela história, pelos ensinamentos, pelos afetos e até pelas lembranças que, vez ou outra, insistem em transformar a ausência em presença.


Se naquele dia perdi a convivência física com meu pai, não perdi o significado de tê-lo tido em minha vida.


E, se ainda há saudade, que ela não seja interpretada como insuficiência da minha fé, mas como testemunho da grandeza do meu amor.


Porque, no fim das contas, talvez a maturidade espiritual não consista em aprender a não chorar quando alguém amado parte para a eternidade, mas em descobrir que podemos chorar, sentir saudade, questionar nossos limites e, ainda assim, continuar confiando em Deus.


Há 19 anos, eu já tinha fé.


Hoje, talvez tenha aprendido um pouco mais sobre ela: não é preciso silenciar o coração para acreditar na eternidade.


É possível sentir profundamente a dor da despedida e, mesmo com os olhos marejados, continuar dizendo: seja feita a Tua vontade.


Amém!