Falecimento
A vida persiste, continua e existe pela constância de continuar existindo.
Pois a certeza do fim leva ao fim, mas a motivação perpétua conduz a eternidade.
A PRINCIPAL RAZÃO DE NÃO TERMOS A CERTEZA QUE UM DIA IREMOS MORRER É TAMBÉM A PRINCIPAL RAZÃO DE NÃO TERMOS CERTEZA QUE UM DIA IREMOS SER FELIZES.
Antônimos
Estou cansada da vida, mas não de viver. Sigo um caminho vazio, cheio de pessoas insípidas. Mais uma noite fria chega com o fracasso das minhas incógnitas.
Estou farto de toda essa lírica crítica, da promiscuidade contida, da hiperatividade distinta e desta patética vida.
Estou farta do que dizem não caber no peito, mas é meu por direito, do que me negam na jornada. Cansada da falta de bom senso, propensa à escuridão, e me permito falhar...
Fecho a porta e escolho deixar-te para trás. Respiro fundo, um brinde a este mundo que não me pertence mais.
Salto para a imensidão, com a tua presença eternizada em meu coração. Tu me tornaste uma prisão em meu peito, fruto de uma dor que não cessa.
Se prometes tudo, e tudo que entregas é nada.
Escuridão
Escuridão
Vem e me dê a mão
Pois a luz que havia em mim morreu
E agora foi você que em mim nasceu
Escuridão
Pegue meu coração
Me faça escravo teu
Pois meu corpo enfraqueceu
Escuridão
Sinto ódio e exaustão
Destruiram o meu eu
E a vida que havia em mim se dissolveu
Escuridão
Me leva à imensidão
Pois meu corpo já morreu
E minha alma junto a ti revivesceu.
Eu possuo certa dificuldade em absorver as pessoas dolorosamente simples. O ritmo previsível da alma sem conteúdo não passa de uma morte a céu aberto.
Entregues à sorte os nortes são sempre incertos; destinos são inconsequentes; abismos , decerto, perto e a morte sempre iminente"
Quando eu morrer, quero ser cremado, embora apenas ligeiramente. É que nunca gostei de carne bem passada.
BEBO DESTE MAR
Bebo deste mar salgada água
Para não me afogar deste veneno
Que a vida me dá, trazendo-me a poesia
Na alma dilacerada no peito pelos desígnios
Inventados pelas almas que gritam
Na indistinta e confusa mente de cada um
Onde engole o sal na penumbra, consciência
Do que somos ou seremos neste mundo
De veneno, de desassossego, de inquietação
Dói-me qualquer sentimento que desconheço
Escrevo estas linhas, dou-me por insatisfeito
Pelo cansaço de todas as minhas ilusões vividas
Pois perco a razão, o pensamento desta minha
Doente mente sem vergonha de não ser intelectual
No corpo como uma forte náusea no estômago
Não é que as lágrimas acabaram, só não as tenho para você meu amigo, que sempre fez meus olhos brilhar de tanta alegria.
Quantas crianças brincando de matar,
Sem compreender porque tem que lutar,
Sua esperança tem gatilho e cospe fogo.
Toda noite faz sua oração, pra matar e não morrer!
Você é um ser admirável, você é um ser bonitão, você faz parte dessa porcaria, você faz parte dessa podridão.
Seres humanos
Não tem como saber qual é o limite de cada um, o limite entre a vida preciosa e frágil e a morte obscura e súbita. É impossível saber quanto tempo de vida nós temos, só o que podemos saber é que tudo se perde... Tudo perde a beleza, perde o sentido, perde a vontade e sinceramente, perde o prazer. Absolutamente nada importa, nós só estamos aqui, vivos, esperando a morte chegar.
Nós não somos seres superior, não somos mais importantes ou significantes que a terra que nos cobre quando morremos.
Slá, só mais um café.
Meu eterno fardo
Sinto a dor de uma mãe ao perder um filho
Sinto o amor de um pai pelo seu bebê recém-nascido.
Sinto o desespero dos judeus no campo de concentração
Sinto o preconceito é o desprezo em todo e qualquer coração.
Sinto o vento soprando nos bosques floridos
Sinto o sol se pondo e a lua surgindo.
Sinto por milhas de distância a morte chegando
Sinto o tempo do mundo inteiro acabando.
Slá, só mais um café.
A ti, abutre.
Sinto falta do passado,
Tudo que me dói,
Tudo que a mim corrói,
Remete ao obliquo renegado.
A esta minha sina equivocada
Sou o karma desta minh'alma amaldiçoada.
Trago entre os dentes um cigarro
Nos lábios, meu batom borrado
Na cabeça, a coroa do passado
Cá estou, prestes a destruir outro carro.
Nunca mereceste um pingo de piedade
Meu miocárdio ainda grita a traiçao
Não convém conceder-te perdão
Tua vida desconhece o valor da lealdade.
Amaldiçoada seja a tua existência
Se nada fui ou signifiquei,
Se nada importa, nem a dor que suportei
Nada existe! Nem tua essência.
Quero teu sangue escorrendo por meu corpo,
Quero seus gritos agonizando em sufoco,
Quero que implores como louco.
Ei de ver-te com o medo tranparecendo à epiderme.
Chore, meu bem.
Deixe suas lágrimas orvalharem,
Permita ver elas te entregarem,
És agora meu refém.
De ti, nada menos que um metro de distância
Na minha taça, nada além de teu sangue ou suor
Em meus fones, nada mais que teus gritos de dor
Talvez permaneças ainda com a mesma nula relevância.
Se sento a mesa, alimento-me de vingança
Me deleito com o que me nutre
Fomento a ti, abutre!
O lado negro venceu na balança.
Segure minha mão,
Juro-te ser desleal
Seguir a ti, Judas sem ponto final,
Anseio ouvir teu "Não"!
Anseio te ver implorar,
Ofereço tua vida a quem quiser!
Que se faça dela o que vier!
Mas vais ingerir todas as borboletas que me fez regurgitar!
Por longos tempos fui luz.
Tornaste-me escuridão.
Mergulhei tão fundo nessa imensidão
Que agora vais comigo ver que nem sempre é ouro, tudo aquilo que reluz.
Thaylla Ferreira Cavalcante (Sou nós)
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