Exausto
No meio do mar, sem bússola, sem vento, sem velas. Perdido, esquecido e sem alguém pra conversar... Muitas vezes na nossa vida passamos por momentos difíceis. Momentos tão difíceis que mal conseguimos falar sobre eles. Sonhos se vão, a esperança nos escapa e completamente sem rumo e sem direção, sentamos na beira da calçada da vida sem qualquer expressão no rosto. Pensamos no ontem, sofremos o hoje e achamos que não haverá o amanhã. No meio do mar, sem bússola, sem vento, sem vela e sem saída, eu estou à deriva.
Durante o período de tempestade lutei bravamente. Icei as velas, mantive o leme do barco estável e por mais que a chuva caísse e o vento provocasse devastadoras ondas, apesar das feridas no casco do barco, consegui permanecer sem me afogar, mas a tempestade foi forte demais, apesar de dar trégua, me deixou exausto, sem forças e sem ânimo para continuar.
Existem dias, depois da tormenta que é de cortar a alma e mesmo depois da luta, ficamos a pensar se vale a pena continuar, se vale a pena persistir, ou se o melhor a fazer é desistir. Nesses dias no meio do mar, sem bússola, sem vento, sem velas e sem forças, me encontrei navegando em meus pensamentos sem saber se levantava ou se apenas me deixava levar. Num desses dias um sussurro brotou dentro do meu peito. Uma força que não era minha não me deixou desistir. Uma voz no meu coração começou a ecoar dizendo que eu não estava só.
E essa voz além de afagar meu coração e mostrar que estava comigo ainda me falou o seguinte: “No meio do mar, sem bússola, sem vela e sem vento olhe mais alto, e veja ao longe, que logo depois do mar, tem todo um continente seguro esperando por você, mas que você ainda não percebeu, pois estava preocupado com a bússola, com a vela e com o vento”. Agora com os olhos no alto, meu coração se enche de esperanças. Pode ser que demore um tempo, mas sei que vou chegar.
A vela pode fazer falta, as ondas do mar podem atrapalhar, mas não estou só.
ADUBO DE JARDIM
Um broto apenas irá germinar
E se fortificar
Se tiver o privilegiado atributo da importância
Intuitivamente,
Na esperança de preservar o desejável
Designar esforços a sementes intrusas,
Dão espaço a raízes
Que se ramificam
Sugam o fértil de teu solo
Roubam alimentos das flores
E transformam lindos jardins
Em matas estarrecidas no inexpressivo
Os doces frutos
Das árvores, antes robustas
Agora são pontos podres
Infestados ao chão
Pior do que qualquer incêndio florestal,
São as lentas mortes
Do sufocado desvio de inteligência.
Quantas ervas daninhas te consumiram hoje?
Jesus não disse que seria fácil, mas também não disse que seria difícil. Sobre tudo, nos disse: tende bom ânimo, Eu venci o mundo!
À margem, aguardo o repouso do rio.
Ao ouvir o murmúrio de suas águas, aquieto-me.
Sinto um amalgama de esperanças futuras
e temores imediatos.
Transbordo.
Rompo diques, mas nunca é o suficiente.
Estou exausto!
Reprimo-me.
Sustento um pequeno universo.
Será que algum dia alcançarei minha margem?
E, ao lá chegar, poderei finalmente descansar?
E, nesse merecido repouso, encontrarei
ouvidos ávidos por meus murmúrios, com o intuito de descobrir neles a sua própria serenidade?
À margem, aguardo o repouso do rio...
