Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Talvez seu parceiro tenha razão. Sou só mais um criminoso, como meu pai. Ele pagou pelo que fez e eu também pagarei, mas minha mãe é a única coisa boa que já tive na vida.
Seja meu, e em troca serei sua. Eu te amo mais que tudo, pode ver isso nos meus olhos, e nas batidas do meu coração. Viver sem você não é viver, é apenas existir.
A luz do meu quarto continua piscando, não lembro mais desde quanto tempo isso começou. Hoje eu acordei mais cedo do que o costume queria que o dia durasse um pouco mais do que o normal.
OS INFORTÚNIOS DE AFONSO
Por Nemilson Vieira (*)
Eu o meu irmão mais velho e alguns amigos da primeira infância visitávamos o bananal do seu Afonso nas caçadas de passarinhos. Havia bananas maduras nos cachos, com furos por cima; já visitadas pelas aves. Pipira (sanhaço), currupião (sofreu), sabiá… Homem bom, de poucas posses, mas trabalhador e honrado… Numa certa altura da vida, Afonso desandou-se; deu um atrapalho na família: a mulher foi-se embora com outro e levou consigo os filhos. Com o tempo a sua casa do nada, pegou fogo com a plantação de bananas. Tudo que possuía tornou-se em cinzas; quase morreu de desgosto… Um amigo o convidou a uma caçada conhecida no nordeste por fachear; consiste em se fazer uma picada por baixo da mata e ficar a andar na mesma, num sentido e noutro, com uma lanterna e uma espingarda, o tempo que se fizer necessário; no intuito de abater a caça que tentar atravessar o caminho. Naquele dia deu errado… Terminaram o trabalho ainda cedo da tarde; o amigo de Afonso disse-o que o aguardasse um pouco, que iria dar algumas voltas por perto. A caçar algum bicho miúdo: um preá, um inhambu… Ao retornar, alguns metros de distância, algo fez um barulho por baixo de umas ramagens a sua frente; com a espingarda engatilhada na direção do bicho olhou mais um pouco e apertou o gatilho, Bam! Ai! — Gritou o Afonso em dores profundas. O amigo correu desesperado para ver e, confirmou ser o seu companheiro de caçada. Com bastantes perfurações de chumbo fino por todo o seu corpo; respiração ofegante, dificultada. No momento que fora alvejado Afonso firmava o cabo da sua faca que havia afrouxado. O amigo visualizou apenas o seu cotovelo em movimento e confundiu-se: achou ser uma cotia. Próximo à escuridão da noite começou o martírio do amigo do Afonso com ele nas costas a procurar uma ajuda. Um galo cantou ao longe de onde estavam… Era o sinal que precisava; marcou o rumo e foi-se. — Orientado pelo canto da ave chegou a um morador. Afonso perdera um pouco de sangue pelo caminho, com a agitação do corpo, aos balanços nos ombros do amigo. — Ainda vivia. O amigo contou com riqueza de detalhes tudo o que acontecera com os dois, ao morador. O homem depois de ouvi-lo… Indicou um remédio caseiro à vítima: um frango pisado no pilão com pena, tripas e tudo mais; do jeito que fosse pego no poleiro. Não carecia de sal; um pouco de água sim. Somente para chegar aos recursos médicos na cidade, lá entrariam com os cuidados e uma medicação coadjuvante ao tratamento. Com uma observação: não devia vomitá-lo caso contrário morreria. Afonso ainda consciente, por certo ouvia tudo em profundos gemidos. Consultado se topava beber o tal remédio naquelas circunstâncias, o aceitou. Depois do frango pisado o homem despejou aquela mistura numa caneca grande, mexeu e deu ao baleado a tomar. Afonso bebeu o frango pisado no maior sacrifício do mundo; com uma cara daquelas… A cada gole que dava fazia menção de jogar tudo para fora. Lembrava da orientação do homem e não o fazia. Missão cumprida, providenciaram uma rede para o traslado do paciente. Alguém para ajudar na condução do mesmo. Afonso não provocou vômitos e resistiu bem a viagem. O seu tratamento foi trabalhoso gastou-se um bom tempo para remover todos àqueles chumbos do seu corpo e a saúde voltar. Depois do caso passado até serviu de graça, se é que o Afonso contava que o pior de tudo não foi o tiro da cartucheira: foi o frango que bebeu. Com as recomendações de segura-lo no estômago para não morrer.
*Nemilson Vieira
Acadêmico Literário.
(27:02:18).
Fli e Lang
Ele já não é mais meu.
E eu, não sou dele. Nem minha.
Me perdi de mim quando encaixei meu olhar naqueles olhos verdes. Fui esquecendo gradativamente de me pertencer quando sentia as mãos dele em mim e deixava que tomasse minha boca. Me entreguei totalmente a ele, pois acreditei que era o que ele queria. Estava errada.
Lembro de todas as vezes que ele testava minha ansiedade ao dar um beijo lento segundos antes do sinal abrir. Lembro das vezes que a sua mão abandonava o volante, o celular ou o prato para dialogar sem pressa com a pele da minha coxa ou do meu pescoço. Lembro de pedir mais dele, mesmo estando exausta. Lembro de não querer ir embora, pois parecia que o tempo passava rápido demais e que não tínhamos aproveitado o suficiente. Realmente não aproveitamos.
Não foi uma escolha minha, foi dele. Eu me desmontei e desmanchei para que pudesse caber com perfeição nos espaços que ele me oferecia. Me esforcei para que não sobrassem vazios e para que o encaixe dele em mim fosse confortável. Mas não foi o suficiente.
Eu estava disposta a me adaptar. Mas ele não.
Talvez eu tenha errado ao aceitar tudo fácil demais. Talvez não doeria tanto se eu tivesse sido menos intensa. Talvez eu deveria ter esperado ele andar comigo e não ter puxado a frente.
Mas eu sentia demais. Eu queria demais. E ele, não.
Eu ofereci minha intensidade à alguém que não soube lidar com ela. Não soube porque não quis e nem tentou.
Agora me resta recolher os cacos e me reconstruir. Voltar a me pertencer para que no próximo amor eu possa me doar por inteiro novamente.
Nem uma espada de duas pontas no meu coração doeria mais do que o que você me disse, eu ti amei e me despi de tudo que não ti agradava para no final de tudo eu ter minha essência nua no mundo da espiritualidade.
No passado eu fazia mais do que pensava. Agora, penso mais do que faço. Talvez, o meu pensar hoje faça alguém fazer melhor no presente do que eu fiz no passado.
Não é que eu perco meu interesse nas pessoas, apenas começo a analisa-las mais a fundo, e compreendo que o que me é oferecido, em porcentagem, é inferior aos 100% que eu ofereço, então digo NÃO OBRIGADO.
Não tem que ser "na mesma quantidade, apenas na mesma porcentagem", aí eu permaneço... é simples !!
Uma das lutas mais difíceis, é a luta com o meu próprio eu, que de forma latente, impõe suas vontades sem pedir licença.
Eu confiei tudo a você, meu corpo por inteiro, os meus segredos mais íntimos, eu gostei de você como jamais tinha gostado de alguém, porém o elo simplesmente enfraqueceu, e quebrou, me feriu ou me autoferi, na dúvida se eu queria ficar ou não, você me pediu para sumir. Não se preocupe, não vou mais te procurar, não vou mais frequentar os locais que você estiver e nem tentarei falar mais com você. Entretanto eu só queria me despedir de você, aquele abraço e aquele beijo de desperdida que você não aceitou, tornou de pedra o meu coração e o congelou, você estava quase coseguindo derretê-lo com o fogo do teu amor, mas tudo que eu tenho a dizer agora é
Adeus.
Eu me perdi nas cores do jardim dos teus olhos
Eu congelei o tempo para te ter um pouco mais em meus sonhos...
EU
Vivendo sempre com esse Turbilhões de sentimentos constantes,e consumidor do meu Tempo. Mais sempre sinceros,
As vezes Oscilo No que penso Ou acho e me questiono a Todo tempo e a todo instante ,Mais isso nunca muda o que sou ou sinto.
Por que quando eu tento te esquecer eu te quero cada vez mais? Por que meu coração não entende que não posso te querer? Por que eu sinto tanta falta de você sem ao menos ter tocado em sua pele e nem sentido o calor do teu corpo? Por que eu me guardo para você?
Até hoje busco saber o que sou, qual é a essência fundamental do meu "EU", e quanto mais me procuro, mais perdida eu fico.
Eu não sei mais o que eu faço pra tirar você do meu pensamento, tirar você das minhas palavras, tirar você de tudo o que eu escrevo.. Percebi que não vai dar certo essa história de fazer as coisas sem pensar em te querer, portanto fica aqui comigo amor, que eu não posso te perder.
— De Nicolas para Penélope.
