Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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É incrível, uma simples menção ao nome dele e lá se foi meu apetite, lá se foi minha animação de sábado a noite e não consegui comer mais que meio pedaço de pizza; o resto travou na garganta. As lágrimas congelaram antes de cair e a saudade me entorpeceu o coração.

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Há pouco a saudade veio me visitar e a voz de Toquinho ressoou- me aos ouvidos dizendo ” é, meu amigo ,só resta uma certeza; é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor” mas não, não se inventa o amor. Digo isso porque já tentei, já me esforcei para ver mais as qualidades do que os defeitos de uma pessoa, para me encantar com olhos , gestos e sorrisos que não ma atraíam nenhum pouco. Desculpe Toquinho, mas não dá para inventar o amor, não dá para dizer ao coração para parar de sofrer por um amor e iniciar outro do nada, assim , do dia para noite sem nenhum peso, nenhuma cicatriz da experiência anterior, Não dá,o coração não é uma maquininha programada que segue suas ordens ao apertar um botão, é algo vivo, selvagem ,que tem vontade própria, que bate por conta própria sem você controlar, autônomo, livre, soberano, é simples, ou bate ou não bate.

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Esse pensamento fez meu coração louco bater como não batia há muito tempo . A paixão , a felicidade , a emoção e o delírio brotaram e caíram por cima de mim como uma avalanche . Eu estava apaixonada de novo . Na verdade , acho que sempre estive.

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Aqui estou , engolindo meu orgulho novamente para lhe escrever , para deixar a caneta deslizar por si só é traduzir os tramas trasbordados e mal contidos de meu coração. Eu sinto sua falta , isso é óbvio . Mas não devia ser .

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Acontece meu bem que houve lágrimas , um balde delas, mas houve risadas também . E após dez meses que você me deixou eu percebi que estava bem , estava melhor do que quando estava com você , mais viva, mais corajosa , mais mulher. Eu tinha sofrido um bocado mas depois de um tempo parou de incomodar tanto e depois de um tempo você tinha perdido tanta coisa : os amigos que fiz , os livros que li , as festas que fui , as experiências que adquiri. E após expandir meu mundo para tantas outras coisas mais importantes você foi ficando desimportante demais para caber nele .

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Achou que ela iria te querer, meu bem? Ela queria, ela queria romance, ela queria flores, ela queria gestos bonitos de vez em quando. Você a machucou, tantas e tantas vezes. E agora ela quer...quer perdas e danos, quer ação de regresso, quer compensação pelo tempo que ela perdeu. E agora ela quer...quer tudo menos você

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Desde o momento em que ele entrou na sala, seus olhos não deixaram meu rosto. Chico Buarque diria que "ele me comia com aqueles olhos de comer fotografia" mas não era bem assim, pois seus olhos eram mais insistentes, mais selvagens. Eu corei inteiramente, mesmo tendo visto a cena com o canto do olho.E corada permaneci por uma hora, que foi o período que seus olhos iam e vinham me me analisando. Eu sei que você vai dizer que é impossível uma pessoa ficar corada por uma hora, que não é lógico, mas meu bem, amar não é nem nunca foi lógico, e se já foi, com certeza não era amor.

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Ele riu de uma maneira deliciosa e isso fez meu peito ficar em fogo, como se fosse uma fera selvagem que eu tentasse domar. Eu ia repreender minha felicidade boba mas me contive. Há quanto tempo eu estava repreendendo minha felicidade e não a deixando ser plena, ser livre, flutuar nos céus como balões ? A vida era muito curta e talvez um amigo meu estivesse certo quando disse que devemos nos permitir sentir, deixar o coração ser selvagem, como na música do Belchior, e se libertar das amarras da razão.

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Meu amigo riu da minha timidez, do meu sotaque, da minha confusão e da minha mania de tropeçar nas palavras. No fundo eu não sei se sou eu que tropeço nas palavras ou são elas que tropeçam em mim, mas em todo caso,esse nosso tropeção gera lindas histórias, belas poesias e uma porção de sentimentos fragmentados, como pétalas de flores espalhadas pelo ar.

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Que me perdoe o bom inglês, mas meu coração bate em português! Há momentos e lugares que devem ser admirados e sentidos, como o vento que vem do Pacífico e renova a alma, a geada que congela a grama nas manhãs de inverno, o rio que corre selvagem por baixo das montanhas e as luzes que brilham ao norte. "A beleza é fundamental" já dizia Vinícius de Moraes. Bem, que me perdoe o poeta, mas devo interferir na frase e dizer que "a beleza é frágil, efêmera e fundamental". Há tanta beleza no Canadá e tanta beleza no Brasil! Eu acho que não se trata de um lugar ser mais bonito que o outro, se trata apenas de ter aquele olhar estrangeiro, ter essa capacidade de olhar as coisas como se fosse a primeira vez que as vê, com os olhos limpos e a alma renovada. Acho que só assim é possível sermos mais humanos e menos máquinas, sé assim é possível sentir...

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Foi curioso ele ter elogiado meu perfume, assim como o rapaz antes dele elogiou, me perguntando qual perfume era pois ele não conseguia desgrudar os lábios do meu pescoço. Como explicar a ele que sou a moça das flores e perfumes? Eu, a moça que não sai de casa sem delineador, é viciada em café e sempre chega atrasada nos compromissos. Eu queria dizer a ele que pensasse duas vezes antes de se envolver comigo porque eu sou louca, eu stalkeio até a mãe do tio do amigo do pai dele se duvidar, e que meus acessos de frieza podem queimar, mas eu não faço de propósito e que no fundo quase achando petróleo eu sou uma ótima pessoa e que ele não tem realmente nenhum bom motivo para ficar, mas eu gostaria que ele ficasse.

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Era surreal estar na Grécia com o mar egeu ao meu redor, as pessoas falando “kalimera” nas ruas, as praias paradisíacas, as colunas do partenon, a mitologia e a história se espalhando no ar com o giro do vento. Se eu estivesse na França, na certa me sentiria parte de um quadro de Renoir, mas eu estava na Grécia e me sentia parte de um cartão postal, um daqueles com uma linda moça sorridente de vestido, e ao fundo, as construções brancas e azuis de Oiá. Eu sou a moça do cartão postal e ela é feliz, extremamente mais feliz a cada dia que passa, e ela ri, ela quebra pratos no chão enquanto dança
“ Sirtaki” , ela vira um copo de raki e admira a glória do Partenon. Ela sobe as escadas de Santorini, nada no mar Mediterrâneo, se ajoelha perante o templo de Zeus, ela tem a persistência de uma espartana , ela é abençoada por Apólo.

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⁠Coloquei música no meu ipod e uma melodia suve me invadiu. Garoava lá fora e a cidade parecia levamente cinzenta. Pessoas andavam na rua apressadas com seus guarda-chuvas enquanto Edu Lobo e Tom Jobim cantavam “Luiza” no meu ipod fazendo eu divagar e pensar em como seria morar ali, se seria caótico, se seria mágico, se as pessoas liam Erico Verissimo e ouviam Tom Jobim, como eu. A chuva caía suavemente escorrendo pelo vidro da janela e uma moça corria segurando um guarda-chuva vermelho. Eu achei a imagem digna de um quadro e se eu fosse artista eu pintaria um quadro, mas eu sou escritora, então escrevo, então descrevo. Descrevo como o guarda-chuva revolto se agitava com o toque do vento, de como a garoa aos poucos queria se transformar em uma chuva. Descrevo como um sol preguiçoso se escondia atrás da névoa... fui tomada de uma onda de suavidade e eu tive me segurar para não cutucar Josh no banco da frente e mostrar a música que eu ouvia e dizer como era bonita, como era poética. Eu queria dizer que o cenário lá fora combinava perfeitamente com a música e como daria um belo quadro, uma bela canção, um belo poema. Eu queria dizer tudo isso, mas me detive. Ele certamente acharia que eu era idiota. Eu não sei dizer diário porque pensei em cutucar Josh e falar para ele sobre bossa nova e sobre poesia aquela hora da manhã. Não sei explicar logicamente a mim mesma porque entre tantas pessoas ali no ônibus eu pensei em Josh. Não sei dizer porque eu pensei que certamente ele seria a única pessoa no mundo que poderia entender, que poderia me entender. Pensei que nenhuma de minhas amigas entenderia aquele momento de sensibilidade em que a chuva caía suavemente e como a música corria por minha mente, levando-me com ela. Nenhuma de minhas amigas entenderia pois elas jamais teriam a sensibilidade suficiente para isso, para sentir a música e a poesia correndo pelo corpo como chuva, mas eu pensei que Josh entenderia e não sei dizer ao certo porque tive essa sensação naquele momento.

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⁠23 de dezembro
Meu querido Rick, por muito tempo hesitei se deveria lhe escrever de novo pois desde que percebi que o amor que eu tinha por você cessou pareceu-me inútil lhe escrever. No entanto, eu preciso lembrar que te amei por quatro longos anos e por isso creio que eu lhe deva pelo menos isto: uma carta de despedida.
Eu queria dizer que eu te amei vagarosamente, pouco a pouco, pelos detelhes, pela gentileza, pela forma doce como você me acolheu quando eu comecei a estudar com você na quarta-série, apresentando os colegas e os professores e se oferecendo para me acompanhar até em casa. Eu te amei quando você elogiou minha tiara cor-de-rosa e por isso eu passei a usar tiara todos os dias. Creio que todas as meninas fiquem bonitinhas de tiara aos 10 anos, mas na minha mente eu era a mais linda pois você disse que eu era e eu acreditei. Eu te amei quando você me trouxe um bombom e quando pediu para ficar comigo na quinta-série. Eu te amei em cada detalhe de uma maneira doce que era só minha, por isso eu tinha medo que qualquer pessoa estragasse esse sentimento. Eu tive medo que alguém interferisse nesse meu sentimento e tornasse ele amargo. Talvez tenha sido por isso que eu odiei tanto a Tati: ela poderia vir a ser uma ameaça. A Tati sempre foi bonita e a maneira como você a olhava me irritava tremendamente. Eu lembro como eu subia nas árvores da escola na quarta-série para ficar olhando para você. Lembro de como fiquei assustada um dia em que a bola ficou presa na árvore em que eu estava e você foi lá para pegar. Meu coração parecia que ia se explodir em milhões de pedacinhos! Eu fui te amando pouco a pouco, de grão em grão, e quando vi, Rick, eu estava apaixonada! Eu surtei quando mudei de escola pois iria ficar longe de você e não ver você todos os dias parecia que ia me destruir. Meses passaram, depois anos e eu fui te amando em palavras, fazendo você reviver em meus versos, em minhas lembranças, como um artista que pinta uma paisagem bonita que viu para nunca esquecer dela. Eu te amei em versos, eternizei sua memória em meu coração e passei a sonhar com o dia que eu fosse te ver, que fosse falar com você. Eu sonhava com o dia em que você acordaria e se daria conta que sempre me amou e que essas meninas vulgares não fazem nem nunca fizeram seu tipo. Eu queria dizer que te agradeço por toda gentileza da quarta-série, pelo bombom e por todo afeto que me dedicou, mesmo que sob o meu ponto de vista esse afeto nunca tenha sido suficiente. É engraçado o desenrolar dos capítulos da nossa vida, você não acha? Parece que as coisas acontecem como devem acontecer, Rick, porque quando finalmente você me procurou e pediu para ficar comigo eu de repente não queria mais você. Eu não entendi na época qual era o problema comigo e porque de repente eu não te queria se na minha mente eu te amava perdidamente! Mas a verdade é que eu já não te amava há algum tempo, Rick. Eu amei a lembrança, eu amei o quadro, eu amei a paisagem, eu amei a rosa da primavera que murchou no inverno. Eu amei aquele Rick, aquele Rick que eu conheci na quarta série que era gentil! Isso não quer dizer que você não seja uma boa pessoa, por favor não me entenda mal! O que eu quero dizer é que eu amei a sua lembrança e não propriamente você. Quando finalmente conversamos, eu percebi que você era tão diferente! Pode ser que você tenha tido a mesma impressão de mim, quem sabe, mas o fato é que eu não te reconheci como a pessoa que eu amava e de repente, Rick, eu não queria ficar com você porque eu já não amava você. De repente, sem eu perceber, sorrateiramente, alguém havia entrado no meu coração e ocupado o lugar que anteriormente era seu. Nem eu percebi quando ao certo isso aconteceu. Na verdade, a paixão não é um marco histórico, um evento que você sabe exatamente quando ocorreu e de que maneira. A paixão é como o vento, que vem sorrateiro até você, vindo não sei de onde, não sei porquê e quando você percebe, tornou-se uma ventania. Certo estava Camões, quando disse: “Ah o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê”. O amor é uma ventania que chega sorrateiramente e te leva com ela sem você perceber, Rick. Eu fui levada pelo vento e quando percebi meu coração acelerava quando eu chegava perto do Josh. Quando me dei conta, eu queria ficar falando com ele por horas e horas sobre discos e livros sem razão aparente. Ele me deixa desconcertada. Ele me deixa acelerada e muito nervosa. Quando eu me dei conta que meu coração não acelerava mais por você e sim por ele foi como se eu encaixasse uma peça faltante no quebra-cabeças da minha vida e tudo fizesse sentido. Veja bem, eu nem gosto de quebra-cabeças; eles me irritam pois eu sempre sou muito lerda para montar, porém devo dizer que quando eu encaixei essa última peça do quebra-cabeças que é a minha vida tudo serenou. Eu não sei se você sabe o que é amar alguém e como é sentir o nervosismo, o coração acelerado, o panapaná de borboletas do estômago, mas eu desejo que um dia você saiba, Rick. Eu desejo que um dia, subitamente, como em uma armação do destino, você encontre uma garota que te faça perder a fala, que te deixe constrangido, que vire seu mundo do avesso! Eu desejo que ela te ensine a amar, Rick. Talvez um dia certo? Sei que você não acredita no amor e a maioria dos garotos na sua idade não acredita, mas eu acredito no amor, Rick. Eu acredito que o amor é esse sentimento doce e mágico que nos eleva, nos transborda e nos consome. Espero que um dia você entenda. Então eu lhe desejo toda sorte do mundo e que você tenha uma vida maravilhosa e realize todos os seus sonhos.
Com amor,
-Annie.
(Anseios de uma jovem escritora)

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⁠13 de maio
Querido Josh, hoje é meu aniversário. Claro que você sabe disso porque a prof. Mia fez todo mundo cantar parabéns para mim na aula de literatura. Todos cantaram parabéns e na hora do “com quem será? ” Disseram seu nome. Eu quis que um buraco se abrisse no chão para me engolir. Você retrucou a disse para a professora Mia que se casaria com uma velha rica. Ela te chamou de idiota por abrir mão de “uma jovem bela” como eu por uma velha rica. Eu ri no momento, mas agora eu sinto a depressão se arrastando sobre mim. Eu fico pensando se ter feito você esperar pelos meus 15 anos para me beijar teria tornado as coisas diferentes. Teria feito você me amar? Eu creio que não. Eu não sei se certas coisas são evitáveis e você escolheu mentir para mim e isso é imperdoável. Mesmo te amando eu me pergunto se um dia eu poderei confiar em você novamente pois o fato de você mentir para mim quebrou qualquer confiança que eu poderia ter em você ao longo do tempo. Eu ando pela sala e olho um retrato do ano passado-semanas antes da formatura- e acaricio seu rosto. Maria Bethânia canta no rádio e eu choro pensando que “no nosso retrato pareço tão linda”. Eu estava linda. Eu estava feliz. Eu estava inundada de amor e poesia e...esperança. Eu era completamente diferente na época e nem sabia! Eu nem sabia que te amava, Josh! Eu nem sabia que dentro de mim cabia tanto sentimento! Josh, estamos tão felizes na fotografia e eu era feliz, eu era feliz, Josh! Tom Jobim e Chico Buarque não leram minha alma ao comporem a música pois eu não existia na época, mas eu agora me sinto desnuda como se Bethânia revelasse todo sentimento em mim. É como se eu visse toda minha dor de uma vez só exposta no rádio, exposta em carne viva para qualquer um que passar na rua ver. Ver que eu te amo. A minha dor é tão evidente que eu até tenho olheiras. Eu, no auge dos meus 15 anos tenho olheiras e eu nem sei quando ao certo elas surgiram. Elas surgiram do dia para a noite tal qual meu amor por você e como ele elas me ferem continuamente e me maltratam, como me maltratam! Pensei em te ligar e dizer confusões no gravador, algo para você me notar, para pensar em mim e para certamente me achar tão ou mais ridícula do que você já acha, do que você já pensa de mim. Ano passado era dezembro de um ano dourado, era amor, era primavera, era verão, era poesia, era calor, era delírio. E hoje eu já nem sei o que é. Eu já não me reconheço mais, eu não pareço fazer mais parte desse mundo como Marilia de Dirceu a procurar seu amor, seu amante que nunca voltará. Quando a prof. Mia contou a história de Marília eu quis chorar pois Josh eu sou a Marília de Dirceu do século XXI! Eu sou a moça esperando na janela para o cavalheiro vir busca-la, vir amá-la para tirá-la do sofrimento e ela chora! E ela sou eu e eu já não sou a moça sorridente do retrato. Eu já não sou tão linda e meu sorriso não é mais luminoso e meus olhos estão sempre molhado e eu sinto uma dor que eu não sabia ser possível sentir! Eu queria gritar com você e dizer que você me desgraçou para sempre e que eu te quero tanto! Eu gostaria de poder voltar...voltar para dezembro, para o bolero, para um tempo em que minha alma exalava Tom Jobim e bossa nova e eu amava sem saber, mas já amava você. Eu sinto que não terei teus beijos nunca mais e penso que não é justo, não é justo porque eu te amo. Era para você ser meu e eu ser tua! Era para você ser Dirceu e eu Marília e você cantaria para mim ao pôr do sol e diria “carpe diem” porque o dia acaba e precisamos vive-lo antes que seja, tarde, antes que ele vá. E no fim de tudo a minha carta é um lamento, um pedido, uma súplica. É um pedido para você me amar antes que seja tarde pois a adolescência é um pôr do sol e quando a gente pisca é adulto sem perceber. Eu quero que você aceite meu pedido e me abrace ao pôr do sol porque logo anoitece e sinto frio. Segure minha mão e vamos ver o pôr do sol antes que ele morra, antes que eu cresça e te esquece, antes que eu desfaleça. Ao invés disso seus olhos fogem dos meus e eu não sei se te esqueço ou se olho o retrato, mas rezo para que a música não seja uma profecia e que eu ainda te beije, que ainda haja esperança para nós dois.
Com amor, Annie.

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⁠As coisas não fazem sentido e a dor vem e vai com pontadas desconfortantes em meu peito e penso se eu de repente não mereci isso. Penso se em algum momento- possivelmente fevereiro- eu não fui feliz demais e o universo esteja contraponto esse sentimento com uma tristeza excessiva para equilibrar os sentimentos dentro de mim. Estarei eu sendo punida por algo que fiz? Algo que deixei de fazer? Acaso atraí a fúria dos deuses sendo feliz demais ao pensar que uma vez na vida meu amor era correspondido? Descobrimos que não era. Nunca foi. Algum dia será? Será que eu entre tantas pessoas não mereço amor? Tanta gente quer ganhar na loteria, ficar rico, comprar um carro, mudar de país, e eu só queria ser amada. Eu só queria querer e que a outra pessoa me quisesse de volta. Era tudo o que eu precisava. Talvez a vida tenha outros planos para mim e não me permita viver o amor. Quem sabe a vida guarde essa dádiva para alguém mais merecedor do que eu. Ou quem sabe a vida me destine grandes feitos e um amor correspondido se torne banal diante de minha missão no mundo. Quem sabe eu me torne uma mulher incrível que descubra a cura do câncer, e aí qual será a importância de viver um amor correspondido? Ouço o Cd do Keane e choro porque eu queria que só uma vez um garoto me amasse. “We might as well be strangers” toca e eu penso que eu e Josh poderíamos ser estranhos em outra cidade, em outro mundo se nossos caminhos não tivessem se cruzado. Se eu não tivesse mudado de escola hoje seríamos estranhos e não haveria tanta dor em mim." Eu te amo". Segurei essas palavras antes que elas pulassem de minha boca e ele escutasse, estragando tudo entre nós para sempre. O observei se afastando e abracei meu próprio corpo que já tremia de saudade dele. O ar soprava forte embaraçando meus cabelos e obstruindo minha visão tornando assim tudo pior. E daí eu explodi, explodi dizendo que o amava tirando um grande peso do corpo e da alma e sem perceber me lançando sobre um abismo. Porque o mundo é cruel, as pessoas têm que fingir não se importar, sofrer em silêncio e se roer de dúvidas. Do contrário você é bombardeado por todos. Isso e tão verdade, porque todo mundo ama alguém, mas a sociedade hoje tem essa coisa se “pegar sem se apegar” e quem se declara e não segue os padrões é ridicularizado. Eu vejo pelas músicas sertanejas. Tudo é na base do “pego, mas não me apego” e isso me parece tão errado! Amar é ato de integridade. Amar é ato de coragem

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⁠Baby, meu coração é como minha casa; caótico, desorganizado e você chegou sem avisar. Acredite, já esteve bem pior porque havia coisas que não me serviam mais jogadas pelos cantos, cacos de vidro, vinho nas paredes e poesia empilhada. Havia fuligem e um pouco de mofo também pois fazia tanto tempo que eu não recebia ninguém! O último visitante fez um estrago absurdo, mas apesar de tudo eu espero que você não se importe com a bagunça. Apesar da confusão que eu sou, dos meus acessos de frieza e da minha bagunça, eu queria dizer que gostei de ter você aqui e que eu gostaria que você ficasse...

Inserida por audreyponganborteze

⁠Meu querido,
É final de tarde, é domingo, chove e Djavan invade minha casa, minha alma e de repente estou cheia de palavras, transbordando e derramando versos por aí pois eu simplesmente não caibo mais em mim. Não queria escrever, não queria lhe falar mas foi mais forte do que eu. A poesia foi mais forte do que eu e eu simplesmente vim aqui dizer que meus sentimentos por você são intensos e eu gosto e odeio você com uma intensidade que eu já não sinto há anos. Eu sou intensidade. Odeio os meios termos. Odeio indefinições. Amo certeza. Não gosto de cores opacas, meias palavras ou prontos de interrogação. Eu sou feita de intensidade, de pontos de exclamação. Eu sou doida, eu sou teimosa, eu sou exigente, eu sou workaholic, viciado em café e eu amo você.

Inserida por audreyponganborteze

⁠Menti em expurgo coração devastado ainda resta penas um para lutar ao meu lado menino desgraça perdido no passado mente entupida de palavras não ditadas mais disparadas por aquele que está ao seu lado, sua mente quer amarrá-lo mais não consegue segura lo vazio inexplicável que nunca dito e nem falo.

screams in the dark of my past

Inserida por Alboneti704

"Definir este sentimento preso em meu pensamento que acorrenta meu coração e atormenta minha alma... definir o indefinível o desejo que corrói meu corpo que te procura,num toque sensível transcende o nosso ser ,o nosso querer,a leveza do teu ser,de te sentir,possuir... você."💕🌟

Inserida por KadudaFreitas