Eu Vou mais eu Volto meu Amor
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, eu decidi que minha performance será uma comédia de erros com um orçamento baixíssimo.
Dizem que deus escreve certo por linhas tortas. Eu digo que ele é apenas um péssimo calígrafo que se recusa a admitir que borrou o papel.
Eles dizem que deus trabalha em silêncio. Eu digo que esse silêncio é indistinguível da inexistência.
"Eu não espero o vento mudar; a minha determinação é o próprio clima que governa o ambiente onde eu piso."
"O mundo está cheio de cópias; eu decidi operar na frequência da autenticidade extrema, porque é lá que a verdadeira riqueza se concentra."
"Eu não sinto a pressão do ambiente; eu sou o fator externo que altera a pressão de qualquer sala onde eu entro."
Eu buscava o sabor dourado da esperança, sua doçura luminosa, mas encontrava o gosto azul da melancolia, o amargor cinzento da ausência. Mas uma luz me cobria e eu sentia o sabor cristalino da paz, a leveza da manhã. Sua lembrança era o gosto rubro do amor e o sabor prateado da lua. Mas ardia a dura violeta da saudade, enquanto eu buscava o som luminoso da liberdade, sem perder a delicadeza transparente do afeto, na esmeralda dos sonhos no vermelho silente e solar da eternidade. Eu senti a voz aveludada do tempo no murmúrio sedoso da chuva e o canto macio dos pássaros era uma sinfonia em minha alma. No entanto, ardia o quente áspero do esquecimento na canção morna do verão. Eu sentia enfraquecer o meu corpo no silêncio cortante da ausência, mas a música líquida das fontes trazia sua delicada voz solar. O eco suave era a fala mansa do vento. Leve como a brisa na melodia transparente. Era o perfume luminoso do amor, na voz cintilante do desejo, a fragrância cálida da paixão que ruborizava meu rosto ao olhar seus olhos brilhantes na cândida alegria da tarde. O aveludado aroma da presença fazia a música macia da pele. E a voz doce das recordações é uma saudade teimosa que nunca vai embora e insiste no perfume estelar da união. A claridade do amor. A doce tristeza da saudade me deixava pensativa, vivendo no presente o passado distante. A voz pálida das lembranças que se fazia a escuridão doce da melancolia no aroma distante de quem anda errante a divagar memórias e a comer o tempo. Queimava o sabor nebuloso da perda, na canção fria da solidão, o eco azul dos dias perdidos, no silêncio do que ficou. Nem o perfume das galáxias podia redimir a música dourada dos astros. Mas a voz potente do universo faz calar o pranto e a claridade sonora das estrelas tem o toque luminoso da eternidade.
EU, POEMA DE MIM
Sou verso antes da palavra,
eco antes do som,
mistério que se procura
no espelho do próprio dom.
Habito em muitas moradas,
sou plural em cada fim;
às vezes nem me conheço
quando faço poema de mim.
Sou o eu lírico que canta
o amor, a dor e a esperança,
que veste roupas de sonho
e brinca com a lembrança.
Sou o eu inanimado,
pedra, estrada e paredão;
dou voz ao banco da praça,
à enxada, ao velho portão.
Sou a poeira do caminho,
a folha seca a cair,
o relógio esquecido
que continua a seguir.
Sou também o abstrato,
o que ninguém pode tocar;
sou saudade, sou silêncio,
sou vontade de ficar.
Sou a dúvida da noite,
a fé buscando razão,
o medo escondido em sombras,
a coragem do coração.
Mas sou também o real,
carne, osso e cicatriz;
sou o homem que tropeça
na procura de ser feliz.
Carrego marcas do tempo,
vitórias, perdas e ais;
sou feito de muitas vidas
que já não voltam jamais.
E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.
Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.
às vezes eu acho
que fui feita grande demais
pra uma vida que não expande
ou pequena demais
pra caber no que existe
porque até quando eu amo
tem uma rachadura
até quando eu fico
já estou saindo por dentro
queria que alguma coisa
finalmente me coubesse
ou que eu fielmente coubesse
em mim;
Voltando para mim...
Ás vezes, eu parecia deslocada na minha própria vida. Eu me sentia como se nada pertencesse verdadeiramente a mim. Talvez não pertencesse mesmo. Talvez tudo não tenha passado de uma aprovação. Uma mera aprovação, para ver do que eu seria capaz de aguentar. Ou seria apenas uma aprovação para o meu caráter. A resposta para isso é complicada, pois, ela pode vir em forma de um impulso. E eu não quero isso. O que eu quero, é o que eu tenho. Eu tenho coisas instáveis, claro, por que nada na vida é estável, tudo absolutamente tudo vai mudar... É a lei da vida. Para algo nascer ou florescer, outro tem que morrer de uma forma completamente horrível, mas linda para quem olhar com cuidado. Nós só damos valor a algo na vida quando perdemos. Quando não temos mais o olhar ou o amor que tanto nos hipnotizou antes. Quando não encontramos mais nada do que nos proporcionamos aos outros, resta-nos uma só coisa. Mais nada a fazer. Por isso digo, quando perdemos alguém em nossa vida, um alguém que não sentirá tudo o que já sentiu um dia por você, saiba que não há nada à fazer. Basta-nos procurar mais a frente o sentimento que nós foram negados. Quem sabe você encontre alguém... Um alguém que te amará como eu nunca pude. À dias eu estava com essa dúvida que consumia o interior de minha mente. Como eu podia fazer tanto mal a mim mesma? Como? Como eu alimentava coisas e, paranoias que certamente não eram verdade? Como eu ERA TÃO CRUEL COM A MINHA MENTE? Talvez eu até saiba a resposta, mas nunca terei a coragem de dizer. Eu só posso dizer que, pelo bem da minha mente e da minha 'eu' me encontro em um estado de alívio. Alívio. Alívio depois de tudo o que passei. Talvez eu devesse apenas aproveitar minha vida. E usar todo os meus pensamentos e sentimentos para algo melhor. Algo melhor do que ficar eternamente me torturando em um limbo de dor e sofrimento constante.
Não importa,
a minha condição
Eu não sou,
o que ainda posso ser.
Eu sou o que quero,
e não o que querem.
Se sou pouco.
Se sou muito.
O tempo irá lapidar.
E não a opinião alheia!
Eu brindo. Sou muito além do que se vê. Quem me olha na superfície julga ver apenas uma silhueta frágil na correnteza, mas há uma doçura secreta em flutuar. Minha leveza não é fraqueza, é o jeitinho manso que encontrei de carregar minhas tristezas e incertezas. Não tente me decifrar; apenas sinta a essência da vida que me move. Sou um mistério que não quer assustar, mas sim abraçar quem também tem coragem de mergulhar no profundo.
Eu não luto, porque crio desejos abençoados e inundados de paz 🌀✨💕 assim já é!
Eu e o universo, já está feito🌀🙏
Creio que não irei diretamente ao Paraíso, pois eu não sei até onde serei levado pelas minhas ambições, entretanto, tenho certeza absoluta de que não irei tão longe a ponto de parar no Inferno.
Eu particularmente adoro me apaixonar e se pudesse me apaixonaria todos os dias, por várias coisas e pessoas, eu acho a paixão linda, ela é cheia de entusiasmos, nos traz sentimentos fortes, independente de serem bons ou ruins...
Alexandre Sefardi
Ainda procuro o guarda-roupa
que eu atravessava quando criança
talvez crescer seja esquecer o caminho
talvez lembrar só traga o inverno e nenhuma esperança
Sei que aquilo foi real para mim
mas por que parece que fui esquecida?
Guardei minha coroa há tantos anos
e o peso dela eu já nem sei
mas quando fecho os olhos por um instante
volto ao trono onde um dia reinei
Cresci, sim — mas sei que as árvores ainda falam
e o leão continua a existir
e eu continuo esperando
ele voltar e me tirar daqui
Dizem que o tempo fecha portas
e leva embora a imaginação
mas eu conheço o cheiro do inverno
que vive escondido no coração
Me chamaram de perdida
porque aprendi a viver aqui
mas eu carrego cada cicatriz daquele mundo
em cada escolha que eu fiz
Sim, eu lembro do inverno
lembro do trono, da coroa e da luz
mas o reino que me ensinou a ser rainha
foi o mesmo que um dia me expulsou
Fui gentil quando importava
quando o mundo ainda tinha cor
crescer me custou o reino
mas ainda fui rainha — e com amor
Me chamaram de perdida
porque aprendi a viver aqui
mas eu carrego cada cicatriz daquele mundo
em cada escolha que eu fiz
Sim, eu lembro do inverno
lembro do trono, da coroa e da luz
mas o reino que me ensinou a ser rainha
foi o mesmo que um dia me expulsou
Tem dias que tudo fica cinza
que o vazio é maior que a dor
mas lá no fundo eu mantenho a minha fé
o mundo pode nunca saber
mas eu jamais vou esquecer
a rainha que um dia fui naquele mundo
Musica 🎵 "Trono no inverno"
#Marcos Elias Antunes
