virgilio
às vezes eu acho
que fui feita grande demais
pra uma vida que não expande
ou pequena demais
pra caber no que existe
porque até quando eu amo
tem uma rachadura
até quando eu fico
já estou saindo por dentro
queria que alguma coisa
finalmente me coubesse
ou que eu fielmente coubesse
em mim;
já não dói do mesmo jeito,
já não pesa como antes,
mas teu nome ainda mora
nos meus dias vacilantes.
já não busco tua sombra
quando o mundo escureceu,
mas às vezes olho a lua
e imagino o olhar teu
penso em frases que eu diria,
em respostas, discussão,
no teu riso atravessando
o silêncio do meu chão
e eu sigo, pouco a pouco,
mesmo sem compreender
como alguém vai embora
mas continua em você
talvez seja a saudade
aprendendo a descansar,
feito o verão que vai embora
mas deixa o sol no ar
e que eu aprenda comigo
o que nunca percebi:
não vale perder meu mundo
tentando viver por ti
