Eu te Amo do Amanhecer ao Anoitecer
Que Eu possa ser forte o suficiente para suportar todas as coisas que não forem boas que vierem sobre a minha vida. Ser forte.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os aposentados.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os jovens.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os professores.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os alunos.
O Brasil que eu quero é um país melhor para as mulheres.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os homens.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os gays.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os negros.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os brancos.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os evangélicos.
O Brasil que eu quero é um país melhor para os ateus.
O Brasil que eu quero é um país melhor para minha família.
O Brasil que eu quero é um país melhor para minha empresa.
O Brasil que eu quero é um país melhor para mim.
E assim por diante...
Cada um quer um país que melhor lhe convém.
Na sociedade pós-moderna predomina uma sensibilidade centrada exclusivamente no "eu".
E totalmente desconectada do sentido coletividade e humanidade.
De um lado: Pessoas fingindo sofrimentos, fardos e doenças para chamar atenção.
Do outro: Pessoas aproveitando desse momento para chamar atenção via ajuda, generosidade e compaixão excessiva.
Numa mesma situação temos a presença duas expressões populares:
"Se fazer de doente para ser visitado"
"Me engane que eu gosto"
De fato, o mundo inteiro é um palco (Shakespeare).
Se do provérbio popular foi-se convencionando “Diz-me com quem andas e eu dir-te-ei quem és", hoje, numa linguagem ‘social network’, é possível afirmar “Diz-me quem segues e eu dir-te-ei quem és”?
Eu, a Caneta e o Vazio
Sempre achei que a razão pela qual escrevo era colocar meus sentimentos em palavras — assim, sem compromisso, sem obrigações. Só para me sentir liberta de algo que talvez eu guarde sozinha, para mim.
As palavras foram a forma que encontrei de não me afogar em sentimentos desorganizados.
Mas hoje está tudo uma bagunça.
Misturei obrigações com minhas poesias.
Gastei palavras demais porque alguém, um dia, me fez acreditar que eu devia essas palavras a ela.
E hoje, me faltam palavras para expressar o que sinto.
Mas eu não julgo — a escolha foi minha.
Hoje, vivo com as consequências.
Consequências da escolha de, um dia, ter colocado alguém acima de mim.
Estou me afogando —
Afogando na insatisfação de minhas frases e textos não superarem minhas expectativas como antes.
Se Eu Vivesse Para Sempre
Acredito que existe algo poético no fim.
Existe algo poético no que tem fim.
Os momentos são valiosos — e você realmente dá valor a eles porque, um dia, não terá mais a oportunidade de vivê-los novamente.
Se os momentos mais simples da vida fossem eternos — eternidade mesmo — talvez não fossem valorizados.
Se você fosse viver para toda a eternidade, por que daria valor a algo tão simples, se ao longo de tantos anos reviveria esses momentos mais e mais vezes?
Momentos simples e confortantes, muitas vezes, não damos o devido valor.
Porque, com certeza, 60 ou 70 anos parece tempo demais.
As pessoas esquecem que tudo tem um fim.
Mas, quando finalmente percebem o quanto esses momentos são valiosos — se percebem — a vida se torna mais agradável.
Triste deve ser para aqueles que só percebem o quanto eram felizes com as pequenas coisas depois que já não são mais capazes de viver aquela vida.
Quando você percebe que não só a sua vida tem um fim, mas também os momentos, os dias, os anos —
e que nunca mais vai ter a oportunidade de voltar atrás,
porque já passou —
você começa a fazer valer a pena.
A vida vale a pena.
Seus sonhos valem a pena.
Os pequenos momentos começam a valer a pena.
Porque sim, você viverá esses momentos para sempre —
dentro do seu para sempre.
Então não —
se eu pudesse, não viveria para toda a eternidade.
Eu tenho meu lugar agora.
E um propósito.
Como Quadro que Eu Não Posso Tocar
Sabe quando você vai a uma galeria de arte e vê um quadro tão lindo que você é obrigado a levar para casa, só para poder admirá-lo toda hora?
Observar cada detalhe, tocá-lo, senti-lo, deixar que toda sua energia exale sobre o ambiente em que você está.
Você é como uma dessas obras de arte.
Não me dói ficar longe de você,
mas é tão ruim não poder olhar para você,
te observar,
imaginar como seria te ter.
Não me dói ficar longe de você,
mas me causa ansiedade.
Eu conto, literalmente, os minutos para finalmente te ver.
Sim, eu desconheço a felicidade.
Diante do dilúvio de sentimentos que me atingiu inesperadamente — sem ao menos ter tido tempo de aprender a nadar — a felicidade não veio entre eles.
Absolutamente nada que minha mente é capaz de visualizar me leva a um ápice de felicidade.
Nada deste mundo me faz sentir em casa. Em absolutamente lugar nenhum — nem mesmo na casa que dizem que posso chamar de lar.
Simplesmente, não sinto que pertenço a este lugar.
Porque, se um lar é onde nos sentimos felizes e confortáveis, então nada que presenciei, ou que sei que existe neste mundo, me levou a tanto.
Se a minha felicidade existe…
Ela não é dessa realidade.
