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Eu sou o Homem Certo pra Voce

Cerca de 530519 frases e pensamentos: Eu sou o Homem Certo pra Voce

Por isso eu acho que a gente se engana as vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo porque não aguenta o fato de estar sozinho.

Eles passarão, eu passarinho.

Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Restos do Carnaval.

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Dias sim, dias não.
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão.
Da caridade de quem me detesta.

Eu perdi o meu medo da chuva. Pois a chuva, voltando pra terra, traz coisas do ar.

Pode parecer bobo, mas é com seu olhar que sonho todas as noites. É com o seu sorriso que eu me derreto e é com sua voz que eu me perco. Eu não vejo minha vida sem você, aliás, minha vida passou a ser você agora. Antes, eu procurava motivos, hoje, eu tenho o motivo em minha frente. Antes, eu sonhava com um príncipe, hoje vivo um sonho. Não sei qual feitiço você lançou em mim, mas me pegou direitinho. Se é uma droga? Uma das poderosas talvez. Aquela em que eu teria uma overdose com todo o prazer, a abstinência da mesma me causaria muita dor. Como é bom te amar. Como é bom sentir seus lábios, suas mãos, seu corpo…
Como é bom te despertar sorrisos e sorrir por você. Como é bom saber que agora tenho uma luz, uma motivação. Como é bom saber que hoje amo e como dói pensar em te perder. Jura não me largar? Eu posso parecer uma boba, mas se amar é bobeira, me condene. E se um dia você, por acaso, quiser partir não se esqueça que meu coração partirá junto. Porque eu entreguei ele a ti. Porque eu deixei de ser uma menina para poder me tornar uma mulher. Porque eu quero ser protagonista do ”Felizes para sempre” e quero que seja comigo. Um para sempre diferente do de hoje em dia, um para sempre que não acaba amanhã e sim que dure a eternidade.

Minha vontade hoje é curtir a minha vida e mesmo que isso não inclua quem eu acho que deveria. Ter a oportunidade de ver quem se preocupa comigo, quem está comigo mesmo que seja em pensamento, refazer velhas amizades e passar a reescrever a minha história à minha maneira. Parar de sobreviver pela felicidade de outros ao invés da minha. Mesmo que pareça egoísta, eu hoje quero ser feliz.

Por esses longes todos eu passei, com pessoa minha no meu lado, a gente se querendo bem. O senhor sabe? Já tenteou sofrido o ar que é saudade? Diz-se que tem saudade de ideia e saudade de coração…

Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser – se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Intelectual? Não.

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Porque eu insisto em querer o mais difícil? O que é mais difícil me atrai.

Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quantas mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.

Clarice Lispector
Borelli, Olga. Clarice Lispector: esboço para um possível retrato. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
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Não precisei correr atrás da vodka. A caipirinha de vinho não me fez chorar. Eu nunca esperei nada das doses de tequilas. Ainda bem que a cerveja nunca me traiu e aquele whisky me correspondeu. E eu ainda preferi ficar bêbada de amor, dá pra entender?

Desculpa sociedade, mas eu nasci pra ser diferente.

Eu desejo apenas conhecer os pensamentos de Deus... as coisas restantes são detalhes.

Albert Einstein
SALAMAN, E. "A Talk with Einstein," The Listener 54, 1955.

Nota: Atribuído a Einstein por Esther Salaman, sua aluna em Berlim.

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Desisto das palavras. Elas não explicam o que sinto, as pessoas não entendem. Eles querem que eu diga o que sinto, mas querem ouvir o que lhes convém.

Eu quis dizer muitas coisas, mas nunca encontrei as palavras certas.

O Desaparecido

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.

Rubem Braga
BRAGA, R., A Traição das Elegantes, Editora Sabiá, Rio de Janeiro, 1967

Eu estou aqui, deixando a vida me guiar, não é por falta de aprendizado que eu estou fazendo isso, ao contrário, aprendi até demais.

Cultivo alegrias no jardim onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e seus segredos...