Eu sou o Homem Certo pra Voce
Não posso amar sozinho.
A madrugada é fria
e eu rolo na cama vazia
sonhando contigo.
O lençol não te abraça como eu,
o travesseiro não tem aquele teu perfume que me entontece e fica jogado no piso frio e sem brilho,
e a noite...
ah, a noite não acaba sem você aqui.
*- Saul Beleza*
Como nós seríamos nos anos 80...
Eu de jaqueta jeans,
cabelos longos e bagunçado,
te esperando no orelhão com uma ficha no bolso.
Você de vestido florido,
fita no cabelo,
chegando atrasada só pra me ver ansioso.
A gente dançando coladinho ao som de rádio FM,
sem celular,
sem pressa,
sem medo do amanhã.
Eu te levaria pra casa de Brasília bege placa IT 6711,
com uma fita cassete gravada só com nossas músicas de amor, a gente se beijando em casa sinal fechado,
e te dando um garra no portão
como se o mundo fosse acabar ali.
*- Saul Beleza*
Eu tenho amor,
tenho carinho,
tenho ternura,
tenho romantismo e paixão.
Tenho tudo isso guardado,
sobrando no peito,
transbordando nas mãos.
Só não tenho
pra quem doar.
Saul Beleza
De quem eu gosto?
Foram tantas tentativas
de se gostar de alguém...
Mulheres incríveis.
Amei todas,
quando estávamos juntos.
E agora aqui,
perdido,
sem saber de quem eu preciso.
Talvez não seja sobre
de quem eu gosto,
mas sobre quem eu sou
quando não estou tentando gostar de ninguém.
O amor que você deu foi real.
O vazio agora também é.
Respira.
Ele passa,
e te ensina a ficar.
Saul Beleza
Eu não digo "o amor chegou".
Eu digo:
o MEU amor chegou.
Estou aqui,
olha pra mim,
meu amor.
Não é qualquer amor,
é o meu,
feito do seu jeito,
com seu nome,
com seu cheiro.
Chegou e ficou aqui,
na porta do seu coração,
esperando você abrir.
(*Saul Beleza*)
Um dia Deus soube de mim.
E agora o que eu faço?
Antes eu andava escondido,
achando que ninguém via minhas quedas.
Agora Ele sabe meu nome,
sabe minha dor,
sabe meu endereço.
Quem é Ele?
É aquele que soube de mim
e mesmo assim ficou.
Não foi embora quando viu meu caos,
não se assustou com meu pranto.
Soube de mim
e me chamou de filho.
E agora o que eu faço?
Agora eu descanso,
porque quem não me esquecia
finalmente me encontrou.
(Saul Beleza)
— Posso dormir aí?
— Melhor não.
Vamos nos ofender,
vamos nos ferir sem querer,
e eu não tô afim disso.
Não agora,
não assim.
A gente tem afeto demais
pra se machucar de bobeira.
Não podemos ser assim,
tão perto a ponto de doer,
tão longe a ponto de fazer falta.
Saul Beleza
Pela primeira vez eu disse não a ela.
Foi difícil,
foi dolorido,
minha voz tremeu,
meu peito doeu.
Mas eu disse.
E depois do não,
eu não morri.
Descobri que posso lutar em igualdade,
que meu não também tem valor,
que meu limite também é amor.
Pela primeira vez,
eu me escolhi.
Saul Beleza
Hoje tomei posse de mim.
Sem festa, sem juiz, sem plateia.
Só eu e a cadeira
que já me viu pequeno.
Resolvi me escolher.
Não por orgulho,
por cansaço de me encolher.
Eu semeava nos outros
e me deixava em pousio.
Queria colheita
com o terreno vazio.
Hoje não.
Hoje eu fico comigo.
Me rego.
Me espero.
Me tenho.
E se for pra ser talvez,
que seja talvez meu,
inteiro,
eterno.
(Saul Beleza)
Eu não queria escrever versos de adeus.
Deus sabe que não.
Eu queria os versos de ter ficado.
Mas ficar está longe,
é travessia,
é escolher todo dia.
E o adeus?
O adeus está raso,
qualquer pé descalço toca o fundo,
qualquer mágoa afoga nele.
Eu queria o profundo do ficar,
mas me deram o raso do adeus pra nadar.
Me ensina a ficar?
Fica comigo aqui,
só mais um pouco,
nesse banzeiro que vai deixar saudade.
(Saul Beleza)
*Vou dizer o que eu acho da vida:*
A vida não é longa demais,
nem curta demais.
Ela é do tamanho exato
do espaço que nos foi dado pra caber.
Ela não é o que deixamos de fazer.
Se fosse, todo mundo era fracasso.
Ela é o que fizemos com o que tínhamos, com o que sobrou de dinheiro no fim do mês.
E se a vida é amar,
por que tanto ódio?
Porque amar dá trabalho, Gente.
Ódio é fácil, é preguiçoso.
Amar é levantar cedo, perdoar, dividir o pão, ouvir de novo a mesma história.
Muitos escolhem o ódio porque cansou.
E gente cansada morde.
Mas eu não.
Eu com quase 65 anos ainda pergunto sobre amor.
Isso já é resposta.
Escrevo assim, então:
"A vida é o espaço que me deram,
e o amor que coube nele."
(Saul Beleza)
Hoje eu consegui me olhar,
e enfim, eu me vi.
E dentro desse meu ver,
vi teu olhar me acenando.
Olhos de saudade,
calmos, fundos,
e as meninas dos teus olhos
bailando só pra me chamar atencão.
Não era mais espelho,
era encontro.
Eu me olhando,
e você morando no meu olhar.
(Saul Beleza,)
Maria João, Um Anjo que Partiu Cedo Demais
Eu, como peregrino que acredita que a peregrinação não é apenas uma jornada física ou sagrada, aprendi que caminhar também é buscar uma espiritualidade que nos transforma e nos torna viajantes em direção a Deus.
A perda de minha sobrinha Maria João, uma jovem guerreira de apenas 24 anos, fez nascer em mim uma dor que nenhum caminho havia conseguido me mostrar. Ela perdeu a vida lutando, acreditando que os chamados de sua profissão não esperavam apenas pelo dever, mas pelo coração. Maria João era um anjo sem asas, vestindo a farda da coragem, sempre pronta para levar esperança ao cinza de qualquer tempestade. Sua partida levou uma jovem cheia de vida, sonhos e possibilidades, deixando em nossa família um vazio que nenhuma palavra consegue preencher.
Diante dessa perda, voltei cerca de quarenta anos na trajetória da minha vida e reencontrei outras despedidas que o tempo jamais conseguiu apagar. Primeiro, meu irmão João, aos 29 anos, vítima de leucemia. Um batalhador, dono de um coração imenso e sempre disposto a ajudar o próximo. Depois, minha querida mãe, Belmira, que partiu aos 53 anos. Uma mulher que considero uma fortaleza e que, ainda aos 17 anos, teve coragem de deixar o Brasil para viver um grande amor em Portugal. Em seguida, perdi meu pai, que, embora tivesse enfrentado um câncer, acabou sendo profundamente abalado pela depressão após a morte de minha mãe.
Quando meu coração começava a encontrar algum acalento, veio outra tragédia: meu sobrinho António, o Tó, partiu aos 18 anos, vítima de uma overdose de drogas. Gosto de imaginar que, de alguma forma que somente Deus conhece, ele foi ao encontro de seu pai, meu irmão João.
Depois de tantas perdas, pedi a Deus que me livrasse de novas notícias ruins. Os anos passaram, e a vida também me presenteou com momentos maravilhosos, tantos que seria impossível enumerá-los sem correr o risco de esquecer algum. Foram esses momentos que me ensinaram a agradecer, a caminhar e a compreender que a vida, apesar de suas dores, continua sendo um presente de Deus.
Mas hoje percebo que ainda sou extremamente frágil. Posso ter caminhado milhares de quilômetros, enfrentado chuva, frio, calor, cansaço e longas distâncias, mas nada me preparou para a despedida de Maria João. Descobri que existem distâncias que nenhum peregrino consegue medir com os pés. Existem caminhos que não se percorrem com as pernas, mas com a alma.
Por isso, hoje não tenho grandes respostas. Tenho saudade, lágrimas e fé. Resta-me implorar a Deus que conforte toda a minha família e agradecer aos milhares de portugueses que, profundamente comovidos, manifestaram solidariedade, respeito e compaixão diante da nossa dor pela perda de Maria João.
Ela partiu muito cedo, mas deixou uma história, uma coragem e uma lembrança que continuarão caminhando conosco. Talvez seja essa a única maneira de compreender a partida de quem amamos: o corpo vai embora, mas aquilo que a pessoa plantou em nossos corações permanece.
Hoje, o peregrino que tantas vezes escreveu sobre superar limites precisa reconhecer que encontrou um limite que não consegue ultrapassar sozinho. Por isso, não peço a Deus que apague a minha saudade. Peço que me dê forças para transformar a dor em oração, as lágrimas em gratidão e a ausência em memória.
Porque existem caminhos que não foram feitos para serem vencidos. Foram feitos para serem percorridos com fé.
Peregrino Nino Carneiro
EU pensava que eu era 'problema" mais na verdade era a minha SOMBRA com inveja de mim. VIGIA COM PESSOAS QUE VC ACUMULA EM SUA MENTE. Ass: C.E.A.L
Perdoe-me.
É que meus pensamentos se perderam em um milhão de direções, e eu ainda não consegui trazê-los de volta.
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
Não me escondo
me transbordo.
Não me quebro
me reconstruo.
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami .
Expilei fúria
saboreei raízes
enguli certezas
e devorei sobrevivência...
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que
diante das tempestades
eu sou um tsunami.
Sepultei mortos
dentro de mim
afoguei segredos
nos meus mares
que nunca
tocaram a praia...
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
Eu não grito
Eu não fujo
Eu não peço abrigo
Eu me desfaço
em águas calmas
e me refaço
em ausência serena
Sou o eco
do que foi varrido
sou o vazio preenchido
depois da perda
sou o que se encontrou
e que permaneceu
mesmo quando
quase tudo se perdeu...
Eu não passo
eu marco
eu fico.
Então,
por isso digo
e repito:
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
✍ @MiriamDaCosta
Eu queria ser o veneno
mais micidial do mundo
para poder exterminar
o embrião da crueldade
no útero pulsante da Terra.
Dissolver o feto da fome
calar o choro prematuro
da guerra
estancar com ácido
o sangue da injustiça
que escorre em silêncio
pelos becos da alma humana.
Ser o soro letal
na veia da maldade
a sentença final
para o ódio hereditário
que se reproduz
no ventre do tempo.
Mas sou só palavra
gota de fúria lírica
a ferver num poema
que sangra...
✍@MiriamDaCosta
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