Eu sou aquilo que Perdi Fernando Pessoa
Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e – por ser um campo virgem – está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que eu não sei é que constitui a minha verdade.
O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão. Há muito o que dar e o que recebe. Há muito o que aprender. Seja bom, tente dar sempre o primeiro passo para a reconciliação, nunca negue uma ajuda ao seu alcance, perdoe. Viva de maneira honrada, para que você possa falar só coisas boas do passado e ter a certeza de que quando se for, muito de você ainda fique naqueles que tiveram a boa ventura de te encontrar.
Nota: Trecho de um texto de Letícia Thompson, cuja autoria tem vindo a ser erroneamente atribuída a Chico Xavier.
...MaisPorque eu sozinho não consigo: a solidão, a mesma que existe em cada um, me faz inventar.
Não me arrependo
Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim...
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir...
Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz...
Pessoas dramáticas me irritam, apesar de eu estar quase no pódio da dramaticidade. Pessoas tristes 24 horas por dia me estressam… Sinceramente, qual a graça em não sorrir nunca? Pois é. Pessoas que só sabem reclamar também não combinam comigo. Não que eu não faça nenhum desses três, mas não dá pra ter uma relação estabilizada se ambos têm os mesmos defeitos, certo? É. Sabe o que me atrai? Gente engraçada, divertida. Que olha os problemas e ri deles; que encara o mundo de um jeito diferente. Gente que faz questão de mostrar que se importa, que cumpre promessas. Eu gosto mesmo é desses que não fazem esforço pra dar um sorriso, mas que sempre estão sendo felizes por aí com a maior facilidade do mundo. A vida nunca vai ser fácil, não sei porque ainda esperam por isso. Não é na queda que se aprende? Grandes heróis não já caíram mil vezes e depois se mostraram fortes o suficiente a ponto de levantar-se e dar a volta por cima? […] Então te lembra que você pode ser o herói de alguém. O Super-Homem, a Mulher-Maravilha… Tudo é questão de ponto de vista; se agora está ruim, relaxa, depois melhora. Só não desiste nunca. Heróis não desistem!
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
"Eu era muito jovem para ter um carro. Então transava com as moças no banco de trás de minha bicicleta".
A SORTE DO AMOR QUE EU TIVE
Eu queria ter a sorte de poder cantar por toda a vida
a dádiva de ter sempre ao meu lado
a mulher que eu amo
Mas por que convém aos pássaros que voem
e não que fiquem presos em ninhos,
hei de colocar no lugar de minhas lágrimas
um sorriso
e cantar por toda a vida
a sorte do amor que eu tive.
Afinal de contas, eu tinha feito tudo que me havia proposto na vida. Dera os passos certos. Não dormia na rua. Claro, havia um bocado de gente boa dormindo nas ruas. Não eram idiotas, apenas não se encaixavam na maquinaria necessária no momento. E essas necessidades viviam mudando. Era uma luta desigual, e se a gente dormia na própria cama já era uma vitória contra as forças. Eu tivera sorte, mas alguns dos passos que dera não os dera inteiramente sem pensar. Em geral, porém, era um mundo horrível, e eu muitas vezes me sentia triste pelos outros. Bem, ao diabo com isso. Peguei a vodca e tomei um trago.
Sem que eu soubesse, as coisas não ditas haviam crescido como cogumelos venenosos nas paredes do silêncio, enquanto ele ficava acordado na cama, fitando o teto, com o branco dos olhos reluzindo na penumbra. Se eu interrogava, o que você tem amor? Ele respondia que não era nada, estava pensando no trabalho. A gente sabia que era mentira, ele sabia que eu sabia, mas nenhum de nós rompeu aquele acordo sem palavras.
Nunca imaginei o mal que o roía.
Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.
Eu arriscaria por ele, eu tentaria por ele e faria qualquer coisa por ele. Mas ele não estava disposto a fazer o mesmo por mim.
(...) assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.
Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? (...)
Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. (...) havia, aquela coisa latejando, a que eu estava tão habituada que pensava que latejar era ser uma pessoa.
Com exceção de uns poucos, todos têm medo de mim como se eu mordesse.
Eu queria congelar aquele momento sem luz, aquele momento em que, aos poucos, eu sentia meu corpo e todo o resto feito de espírito voltar ao meu centro. A nossa morte que me retornava à minha vida.
