Eu sou aquilo que Perdi Fernando Pessoa
A ilha que sou.
Sou uma pequena ilha,
vivendo na solidão
do seu micro-clima,
afogando-me cada dia.
Sou uma pequena ilha,
que caminha pela rua,
alheia à dor do próximo,
insensível a tudo que não seja
minha própria necessidade.
Sou uma pequena ilha,
árida, seca e vazia,
que mata de fome e sede
a todo o que se atreva a visitar-me.
Sou uma pequena ilha
que se afoga e se perde.
Cada dia minguando,
afundando no oceano da vida.
Até quando serei uma ilha?
Já não sou aquela criança que corria livre pelas ruas da minha cidade. Na verdade estou bem longe do meu mágico lugar de infância. Mas ainda conservo minha imaginação. Ainda busco aventuras em castelos, princesas em torres e espreito nas casas abandonadas.
A terra é o lixão do universo, lançaram aqui as piores almas, se o inferno existe, nós vivemos nele.
Na fila da morte somos todos iguais, nossas senhas podem ser próximas ou distantes, a qualquer momento o painel chamará nosso número, não será sua cor de pele ou sua posição social que te salvará.
Admiro as pessoas que transbordam a paz, independente de religião, não se contaminam com excesso de luxúria, são simplesmente inspiradoras. Das diversas pessoas que passaram pela minha vida, posso afirmar que são poucas que transmitem esse sentimento; de paz de espirito, de luz superior, capaz de fazer você ver algo além da figura humana. É um sentimento impar, excepcional, talvez, o maior valor do ser humano, a verdadeira riqueza.
