Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Apagando a escuridão / O vestido Verde

Durante muito tempo, eu aprendi a diminuir o meu brilho.
Não porque alguém tivesse colocado uma lâmpada sobre mim e mandado apagá-la.
Foi mais sutil.

Aprendi a observar os olhares.
A medir os gestos.
A pensar duas vezes antes de vestir determinada roupa, falar determinada coisa ou simplesmente ocupar um espaço.

Aprendi a caber.
E talvez por isso eu tenha criado uma personagem para mim mesma.
Ela aparece justamente quando ninguém quer aparecer.
Foi assim na escola que trabalhei.
Precisavam de alguém no parquinho e ninguém queria.
— Eu vou!
E, para não transformar aquilo em obrigação, transformei em brincadeira:
— Vou ser a dona do parquinho!

Depois precisaram de ajuda para servir as frutas.
— Eu vou!
— Vou ser a dona da cozinha!
Choveu, precisaram de ajuda com a limpeza.
— Eu vou!
— Vou ser a dona da limpeza!

Até que um dia precisaram de alguém para atender um pai enquanto a diretora não estava.
— Eu vou!
E, já completamente envolvida na minha própria brincadeira:
— Vou ser a dona da escola!
Foi exatamente nesse momento que a diretora apareceu atrás de mim.

— E o que você disse, Edi?

Eu?

Nada.

Absolutamente nada.

— Tchau! 😂

Talvez seja justamente isso que eu tenha aprendido com a vida:

Nem sempre precisamos levar tudo tão a sério.
Às vezes, precisamos apenas entrar no picadeiro da vida.
Fazer o que precisa ser feito.
Rir de nós mesmas.

E continuar.

Foi assim também quando, na semana passada, eu — que praticamente só uso jeans — saí de vestido.
E não era qualquer vestido.
Era verde, com flores brancas.
No começo, fiquei envergonhada.
Senti os olhares.
Por alguns instantes, aquela antiga vontade de me esconder apareceu.

Até que me lembrei de uma frase que uma especialista em estética me disse certa vez:

“Você escolheu essa roupa. Agora tem que segurar o look. Levanta a cabeça e vai brilhar!”

E eu fui.
Fui para uma cidade.
Depois para outra.
Voltei para casa.

E, dessa vez, não fiquei tentando descobrir se estavam olhando porque eu estava diferente.

Eu sabia.
Eu estava linda.

E existe uma diferença enorme entre ser olhada e se sentir observada.
Antes, eu queria desaparecer quando percebia os olhos sobre mim.

Hoje, penso:
Olhem.

Eu escolhi essa roupa.
Eu escolhi estar aqui.
Eu escolhi não me esconder.

Talvez algumas pessoas realmente não gostem quando alguém brilha.
Talvez algumas pessoas se incomodem com a alegria alheia.
Talvez algumas tenham aprendido a viver em lugares tão escuros que uma luz acesa parece exagerada.

Mas isso já não é mais responsabilidade minha.

Eu não quero mais apagar a minha luz para que ninguém se sinta incomodado.
E talvez seja por isso que hoje eu possa dizer, brincando:

Eu vou ser a Dona do Mundo.

Porque agora entendo que ser autêntica não significa fazer papel de boba.
Significa ter coragem de entrar no seu próprio "EU"!
De vestir a roupa que escolhi.
De fazer aquilo que ninguém queria fazer.
De rir quando poderia reclamar.
De ocupar o espaço que me pertence.

E, principalmente, de não ter vergonha da minha própria alegria.

Passei muito tempo tentando não incomodar.
Hoje, se a minha felicidade fizer barulho...
Que faça.
Se a minha roupa chamar atenção...
Que chame.
Se meu jeito parecer exagerado...
Tudo bem.

Eu já passei tempo demais tentando ser pequena.

Agora quero ser grande.

Não para ser maior do que ninguém.
Mas para finalmente ser inteira.
E se, no caminho, alguém perguntar:

— Edi, quem é a dona daqui?

Eu vou pensar duas vezes antes de responder.
Porque, depois daquele episódio com a diretora...

Aprendi.

😂

Mas, no fundo, eu já sei a resposta:

Sou dona da minha história.
Dona das minhas escolhas.
Dona da minha alegria.

E hoje, pela primeira vez, a opinião do outro não é mais necessária.

Porque resolvi brilhar.

Porque agora eu existo.

Só o tempo irá dizer
Que eu não sou nada
Que você acostumou a ver

Nos anos que vivi à sua sombra
Eu me apaixonei, viajei, explorei e amei
Também em mágoas me afoguei, chorei, e muitos dias da cama nem levantei

Por um tempo mantive a calma
Em outros arranquei os cabelos
Houveram momentos em que gritei
Mas a todo tempo, com lágrimas ou sem, eu chorei

Vi minha tristeza no fundo de uma garrafa
E a vi na beirada de camas estranhas
Meu desespero andava pelas esquinas
Enquanto todos os dias meu coração chorava

O que fiz para merecer tal sina
Diariamente eu me perguntava
Quando tudo isso vai passar?
Sempre na esperança de que tudo passa

De repente o bêbado da esquina fez sentido
E o que saltou da janela um louvor à sua coragem
E por muito tempo me mantive na bela miragem
Ter sentido seu cheiro e tua voz ouvido

Amor, eu voltei. E para ficar.

Assim que o vi não tive dúvida: Era ele o sonho que eu ia transformar em realidade.

“Quero que se lembrem de quem eu era, não apenas de quem eu fui.”

— Bruno Guedes

Eu não seguro a mão de mulher que busca oprimir outras mulheres, não é feminismo seletivo, é sobrevivência!

Onde o amor me encontra inteiro

Eu tinha medo de amar.
Guardava o coração num copo d’água,
ao lado da cama,
para que a sede de alguém
não o levasse embora.
Mas você chegou
e os peixes do meu sono
aprenderam a voar.
A noite desceu da parede,
sentou-se aos nossos pés
e ficou ouvindo tua voz.
Quis te entregar tudo:
a infância dobrada na gaveta,
os domingos que ainda não vivi,
a pequena estrela manca
que ilumina minhas tristezas.
Já ia tirar meu nome do peito
para abrir mais espaço ao teu,
quando tua mão deteve a minha.
Você beijou cada letra
e deixou meu nome onde estava.
Foi tão delicado
que os espelhos da casa
fecharam os olhos.
Desde então, quando a saudade
põe seus vestidos de tempestade,
abro a janela.
Deixo que chova um pouco
sobre as flores,
sem permitir que a água
carregue a casa.
Ainda há noites
em que meu medo fabrica despedidas.
Você dorme,
e eu ouço trens partindo
de estações que não existem.
Então volto devagar ao quarto,
recolho meu corpo dessas viagens
e encontro tua mão sobre o lençol:
aberta,
sem exigir que eu fique,
tão bonita
que me dá vontade de ficar.
Quero te amar assim,
com meus passos ainda meus,
mesmo quando dançarem contigo.
Quero tua boca perto
e meus sonhos respirando.
E, quando a manhã vier
buscar o céu em nossa cama,
que nos encontre abraçados,
com espaço entre os braços
para o mundo florescer.


Descrição:

“Onde o amor me encontra inteiro” fala sobre aprender a amar sem abandonar a própria identidade. O poema acompanha alguém que deseja uma relação profunda, mas teme que a entrega lhe custe aquilo que é. Ao longo dos versos, essa pessoa descobre uma intimidade em que pode oferecer carinho, revelar suas fragilidades e permanecer livre. O título expressa esse encontro: ser amado com a própria história, os próprios sonhos e até os medos que ainda não desapareceram.
Logo no início, o coração guardado num copo d’água traduz uma tentativa delicada e impossível de proteção. Ele está fora do peito, num lugar aparentemente controlável, mas continua exposto e frágil. O receio de que “a sede de alguém” o leve embora sugere o medo de encontrar uma pessoa cuja necessidade de afeto consuma tudo o que o eu poético tem para oferecer. Há nessa imagem uma pergunta silenciosa: como permitir que alguém se aproxime sem ser levado por inteiro?
A chegada da pessoa amada transforma esse universo. Quando “os peixes do meu sono aprenderam a voar”, algo que parecia limitado ao seu ambiente descobre outra possibilidade de existência. É uma imagem de liberdade despertada pela presença do outro. A noite que desce da parede e se senta aos pés do casal torna o escuro uma presença tranquila: aquilo que poderia abrigar solidão e receio agora consegue repousar e ouvir.
O desejo de entregar “a infância dobrada na gaveta” representa a vontade de compartilhar as memórias mais íntimas, inclusive aquelas guardadas há muito tempo. Os “domingos que ainda não vivi” estendem essa entrega ao futuro: o eu poético já imagina oferecer dias que nem chegaram. A “pequena estrela manca” sugere uma esperança imperfeita, ferida, mas ainda capaz de iluminar a tristeza. Ele deseja ser conhecido também nesses lugares frágeis.
O momento central acontece quando tenta retirar o próprio nome do peito para abrir espaço ao nome da pessoa amada. Esse gesto revela como a vontade de amar pode se aproximar do apagamento de si. A mão que o detém interrompe esse movimento com ternura. Ao beijar cada letra e deixar o nome onde estava, a pessoa amada demonstra que deseja sua presença inteira. O nome representa sua identidade, seu passado e seu direito de continuar sendo alguém com vida própria.
Os espelhos que fecham os olhos ampliam a delicadeza da cena. Podemos lê-los como uma suspensão do julgamento: por um instante, não é preciso conferir a própria imagem, procurar defeitos ou observar como se é visto. O gesto de carinho permite simplesmente existir e recebê-lo.
Depois desse encontro, a saudade ainda veste suas tempestades. O poema reconhece que uma relação amorosa não elimina a vulnerabilidade. Abrir a janela e deixar a chuva alcançar as flores significa aceitar a emoção e permitir que ela tenha lugar. Preservar a casa significa manter algum amparo interior. A sensibilidade pode nutrir a vida sem arrastar tudo o que a sustenta.
Essa aprendizagem continua nas noites em que o medo “fabrica despedidas”. Os trens partindo de estações inexistentes dão forma à antecipação de uma perda que ainda não aconteceu. Enquanto a pessoa amada dorme, o eu poético percorre abandonos imaginários. “Recolho meu corpo dessas viagens” descreve o esforço de voltar ao presente, saindo das cenas criadas pelo receio para reconhecer aquilo que está de fato diante dele.
A mão aberta sobre o lençol é uma das imagens mais importantes do texto. Ela oferece companhia e deixa a escolha existir. Justamente por não exigir permanência, desperta a vontade de ficar. Há uma beleza profunda nessa passagem: o vínculo se fortalece porque a liberdade encontra acolhimento.
Nos versos finais, os passos continuam pertencendo a quem dança, mesmo quando acompanham os de outra pessoa. A proximidade da boca convive com o espaço necessário para os sonhos respirarem. O abraço desejado comporta duas vidas e também o mundo: projetos, descobertas e experiências que podem florescer ao redor da relação.
A força do poema está nessa transformação gradual. O medo permanece em alguns momentos, mas já não decide tudo. O eu poético aprende que pode amar intensamente e conservar o próprio nome; pode escolher ficar e continuar dono de seus passos. Ser encontrado inteiro é receber um amor diante do qual não precisa diminuir nenhuma parte de si.

Cota De Malha Pertinácia


Equipei-me e saí pelo mundo sombrio.
Todos os dias eram sombras; eu esfaqueava os demônios.
Era como uma guerreira solitária, lutava pelos justos.
Ansiava por justiça diariamente.
Sentia muita dor, e a maior delas habitava em minha alma.
Mas ainda não tínhamos morrido, não é?
"Siga em frente, esperançosa guerreira!", dizia ela para si mesma, mesmo já sem esperança.

Estilhaços do Espírito


Eu tenho que esconder,
Esconder o que eu sinto
Por não conseguir
Contar todas, completamente,
Contar todas as feridas.
Todos os cortes e machucados,
As lesões que eles me deram,
Todos os algozes,
Todos os que prometeram me proteger.


Pois estou com minha própria sombra,
Com minha própria espada,
Com minha própria mente,
Como sempre estive.
Até quando pensei que não.


Mas, agora, está pesado demais.
Não há quem salve,
Não há quem permaneça.
Os assassinos foram embora,
Os traidores riram.
Deixaram as consequências,
E a culpa foi transferida para os inocentes.


Vou nadar de volta até a superfície novamente.
Vou puxar os passos
Mesmo com o peso dos ferros nos meus tornozelos,
Vou forçar a mente
Mesmo com as feridas de chumbo.
Mesmo com lágrimas de sangue,
Seguirei lutando.
Pois ainda há fôlego de espírito,
Até o meu descanso chegar.
Minha alma ainda está aqui.


- Ramile Godon

Labirinto de Sombras


Eu simplesmente deveria,
Mas não consigo abandonar tudo.
Se eu simplismente não me importasse,
De qualquer forma,
Eles me pertubam.


Preciso me distanciar.
O inferno é aqui.
Não vale a pena.
A vida se consome,
O espirito se perturba.
Não vale a pena.
Alma em turbulência.


Em minha direção,
Vejo a luz se apagando,
Abandonada para a morte.
Por quê?
Estou tentando me salvar,
Estou fazendo isso sozinha.
O divino não estende a mão
E o mortal não ama.
Corro nesse labirinto
Para alcançar a luz.


- Ramie Godon

Juramentos De Fogo


Eu sinto a sua falta,
Vamos bailar.
Queria a sua calma ao lado da minha,
A tranquilidade ao pôr do sol.
Lembro-me de você por completo.
Eu sinto a sua falta.
Não demore pra voltar ou pra ir.
Só há um fantasma de você aqui,
Uma memória antiga me perturbando.
Não espero que volte,
Mas você ainda me acompanha por algum motivo.
Você decidiu ir e eu passei pelo deserto de fogo sozinha.
Juramentos quebrados do escudeiro.
Nunca mais será o mesmo, não se agarre a isto e vai embora.
Eu sinto sua falta.


- Ramile Godon

Os dois seladores patronos,
Eu desejei a ausência deles.
Meus piores inimigos.
Meus inimigos mais mortais!
Puxando meu tornozelo para baixo,
Colocando uma corrente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente deles.
Meus piores inimigos.
Jamais amarei vocês de novo!

- Ramile Godon

“Onde o amor me encontra inteiro”

Eu tinha medo de amar.
Guardava o coração num copo d’água,
ao lado da cama,
para que a sede de alguém
não o levasse embora.
Mas você chegou
e os peixes do meu sono
aprenderam a voar.
A noite desceu da parede,
sentou-se aos nossos pés
e ficou ouvindo tua voz.
Quis te entregar tudo:
a infância dobrada na gaveta,
os domingos que ainda não vivi,
a pequena estrela manca
que ilumina minhas tristezas.
Já ia tirar meu nome do peito
para abrir mais espaço ao teu,
quando tua mão deteve a minha.
Você beijou cada letra
e deixou meu nome onde estava.
Foi tão delicado
que os espelhos da casa
fecharam os olhos.
Desde então, quando a saudade
põe seus vestidos de tempestade,
abro a janela.
Deixo que chova um pouco
sobre as flores,
sem permitir que a água
carregue a casa.
Ainda há noites
em que meu medo fabrica despedidas.
Você dorme,
e eu ouço trens partindo
de estações que não existem.
Então volto devagar ao quarto,
recolho meu corpo dessas viagens
e encontro tua mão sobre o lençol:
aberta,
sem exigir que eu fique,
tão bonita
que me dá vontade de ficar.
Quero te amar assim,
com meus passos ainda meus,
mesmo quando dançarem contigo.
Quero tua boca perto
e meus sonhos respirando.
E, quando a manhã vier
buscar o céu em nossa cama,
que nos encontre abraçados,
com espaço entre os braços
para o mundo florescer.

⁠Ouve-se por todos os lugares do mundo que o amor cura.
E hoje eu digo que é verdade.
Sem amor nada cresce, sem amor não há vida, sem amor não existe esperança, sem amor não existe motivo querer a cura.
Um grande beijo em seu coração.

R&F Perazza.'.

Aprendi mais sobre eu advercidade do que no meu sucesso.
A situação pode até me ferir, me fazer chorar mas jamais irá me vencer...
Daí-me força e fortalece a minha fé para a cumprir a sua vontade Paí.


R & F Perazza .'.

NADA COMO ANTES

De onde eu vim,
Lembro com muita saudade.
Ruas e quintais não são mais como antes.
Por lá eu cresci, vi muitas flores se abrindo
No raiar das manhãs. Quantas vozes eu ouvi.

Atrelado ao ar do lugar, Timbó está incravado em mim.
Suas praças me recordam bem, profundas lembranças
Que o tempo marcou.

Não posso esquecer dos amigos que um dia
Comigo sorriram. Aqueles que foram,
Os que me disseram, os que propuseram, os que se fecharam,
Os que se abriram e aqueles que nunca mais vi.

Eu sou uma ilha sitiada por tubarões, cercada por sorrisos que mordem.

Entre eu e você, qualquer briga só se resolve no beijo.

Não sou bipolar. A diferença é que eu escolho não abrir mão da minha paz.

Entre A ou B, eu fico com a generosidade das crianças, a sensatez dos animais e a beleza das plantas. Porque, muitas vezes, a verdadeira sabedoria está na simplicidade da vida.
-Aldemi Escobar de Matos