Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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O silêncio da minha alma


Fui me apagando aos poucos...
E eu nem percebi.
Lutava sem saber,
Implorava sem querer...


Demorou,
Mas entendi.
Tentei,
Briguei,
Estava numa guerra.


Eu queria de volta a minha personalidade,
A guerreira
Que vencia tudo
E todos.


Onde me perdi?
Onde deixei de existir?


Mas isso não era certo,
E eu não desistiria.


Na luta por me encontrar,
Já não sabia
Se me achava...
Ou mais me perdia.)

Escrito nos astros


Estava escrito nos astros que eu nasci com a missão de te amar.
O meu silêncio é a prova de que posso ter você sempre comigo.
Ele pode ser grande, mas não é maior que o amor que sinto por você,
nem mais longo que o caminho que o destino traçou para nós.


Eu e você somos como o vento: vamos, mas sempre voltamos.
Se existo na sua vida é porque sou mais você do que eu mesma.
Sei que, muitas vezes, pareço egoísta;
é apenas medo de que esse amor por você tome conta de tudo em mim.


Quero queimar-me nos seus braços, deliciar-me com os seus beijos
e, quando amar você, deixar de ser eu para sermos nós.

Essa sou eu!


Alguém me disse que eu mimava demais uma aluna de 8 anos, autista.
Respondi: “Você não sabe o quanto é bom mimar e ser mimada!”


Duas semanas depois, lembrei que essa pessoa havia perdido a mãe aos 10 anos e foi viver com parentes.
Pronto. Perdi o chão. Até hoje peço a Deus que me perdoe, caso a tenha feito sofrer…
E pretendo me desculpar com ela pelo que falei.


Entendo que, às vezes, quem critica algo bom é justamente quem nunca pôde vivenciar isso.
E sei que não somos culpados pelo passado,
mas somos responsáveis pelo futuro —
e o futuro é construído agora, no presente,
com boas e novas atitudes.


Não é porque alguém sofreu no passado
que precisa viver eternamente frio, egoísta,
espalhando dor e destruindo sonhos,
preso num ciclo que só se autoflagela.

O segredo de Uma Alma


"...E de quem eu deveria esquecer…
lembrei ainda mais.
A solidão me leva por outros caminhos,
onde só me faz sentir errada.
Não entendo o que o destino está fazendo…
e isso me assusta."

Se hoje fosse o último dia
Para Lana e Ian


Se hoje fosse o último dia,
eu faria tudo exatamente igual.


Eu acordaria vocês
com um beijo longo,
cheio de vida, cheio de nós…
Assim como fiz ontem.


Abraçaria devagar,
dizendo “bom dia,
meus amores”,
mesmo que o dia
assustasse lá fora…
Assim como fiz ontem.


Prepararia o lanche
mais gostoso,
o suco que vocês adoram,
e sorriria ouvindo cada
risada boba…
Assim como fiz ontem.


Faria o almoço com carinho,
porque amor também
se serve no prato…
Assim como fiz ontem.


Repetiria mil vezes que
eu amo vocês,
até vocês acreditarem
que esse amor
é maior que o mundo…
Assim como fiz ontem.


Mostraria, em cada gesto,
que vocês são a melhor
parte de mim…
Assim como fiz ontem.


Tentaria transformar o dia
no mais bonito da vida de vocês…
Assim como fiz ontem.


Protegeria cada passo,
cada sonho, cada medo…
Assim como fiz ontem.


E, mesmo no último instante,
eu plantaria esperança em seus corações,
para que os dias que
viessem depois
fossem mais leves…


Assim como fiz ontem.
E antes de ontem.
E sempre.


Porque ser mãe
é amar como se todos
os dias fossem o último —
e o primeiro também.


É ensinar a sair da
zona de conforto
e buscar o que realmente
traz felicidade.

SaMarSi


Eu sei quem sou.
A sua opinião não é necessária.


Não escrevo para receber curtidas.
Basta que leiam.


Quero provocar.
Mexer onde ninguém toca,
onde o véu permanece
e a ilusão toma conta.


Quero apenas que saiam
da zona de conforto
e encontrem o “eu” oculto.


Se você leu
e se incomodou, de alguma forma,
com o que escrevi,
então eu consegui
o que eu queria.

A Borboleta Azul

Ela tem tantos poemas…
Que eu nunca imaginei.
Muitos já a viram…
Não fui só eu.

Li vários significados,
não sei se todos são verdade.
Alguns, eu gostaria que fossem…
Outros, talvez.

O que eu sei é que
foi uma sensação maravilhosa —
algo mágico.

E não sei se mereço
o direito de presenciar
um milagre assim.

E isso me assusta.
Penso: “Quem sou eu
para viver todo esse encanto?”
Um pequeno grão de areia…

E, incrivelmente, é real.
E nesse momento de reflexão,
compaixão e humildade…
ela pousa em mim.

Meu coração se renova
e se enche de uma alegria inexplicável.

Me sinto completa.
Me sinto num mundo de fantasia,
de faz de conta.

Ela levanta voo,
dança feliz…
E em nenhum momento
pensei em detê-la.

Porque a maravilha
é a vida,
e está em ser livre.

Penso que talvez
seja um sonho
do qual eu nunca quero acordar.

Não vi só beleza…
vi magia.
Abaixo a cabeça novamente
e, humildemente, agradeço.

Obrigada, Borboleta Azul.
Obrigada, meu Deus.

A Mãe e o Olhar

Edineurai SaMarSi

Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.

Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.

Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.

A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.

Fazia tudo como antes.
A vida seguia.

Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.

Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”

Não passou.

O tempo andou.

Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.

Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.

Eu não entendia…

Até ser mãe.

E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.

E alguns dias…
simplesmente não passam.

Entre dois mundos


Não sou do tipo “normal”.


Mas eu sempre tive histórias
que não cabem no comum.


Logo depois da adolescência,
vivi algo que nunca esqueci.


Acordei…
ou achei que acordei.


Levantei da cama
e caminhei até a porta do quarto.


Tentei abrir.
Uma vez.
Duas.
Várias…


Nada.


Foi então que, sem entender,
olhei para trás —


e me vi.


Deitada.
Dormindo.


Havia duas de mim no mesmo espaço:


uma presa no corpo,
outra presa no quarto.


Me aproximei devagar…
como quem teme atravessar um espelho.


Tentei me acordar —
toquei, chamei…


mas era como tentar alcançar o vento.


Voltei até a porta.
Insisti mais uma vez.


Nada.


Então desisti.


Voltei para a cama.


Sentei ao meu lado
e, meio irritada, meio rendida, falei:


— Já que não consigo sair…
vou ficar aqui,
esperando você acordar.


E esperei.


Sem saber o que havia lá fora,
sem saber se alguém poderia me ver,
sem saber, sequer,
onde eu realmente estava.


Depois…


acordei.


Como se nada tivesse acontecido.


Mas, aos poucos,
as lembranças foram voltando —
como ecos de um lugar
onde ainda existo.


Nunca entendi
por que fiquei presa naquele dia.


Mas entendi outra coisa:


eu vou.
Vou a lugares,
tempos,
dimensões…


E, às vezes,
nem preciso estar dormindo.


Sempre vivi
entre dois mundos.


E, por muito tempo,
tentei negar isso.


Fingir.


Me encaixar.


Ser outra.


Hoje, não.


Outro dia, disse
a uma das minhas Pessoas Favoritas:


— Eu sou assim.
Ou me aceita…
ou não.


Ela ficou.


E, desde então,
não questiona mais —


admira.


Talvez porque, no fundo,
todo mistério só assuste
até encontrar
quem não tenha medo de olhar.


E eu aprendi:


não existe calmaria
sem a coragem da verdade.🌙

Além do Horizonte


Eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...


Faço tudo por você, não tenho receio...


Mas me diga, quero entender:
o que é que assusta tanto você?


É ser amado demais?
É viver um amor verdadeiro?
É todo o meu desejo?


Desculpa...
Já tentei sufocar,
diminuir, colocar menos intensidade,
burlar a realidade, só para te agradar...


Mas eu não consigo te amar menos que isso...


Não tenho controle do meu coração,
e eu vou além do horizonte pra te encontrar,
nas dobras do tempo e até no inconsciente...


Eu vou, só pra te buscar...


Mas não me peça para diminuir os meus sentimentos...


Não me peça para te amar menos.

O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜


Já era adolescente.


Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...


Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.


Duvidei, é claro...


E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:


— Eu quero a Lua. 🌜


Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:


— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.


Sorri.


Agradeci.


E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:


— Vai lá pegar a sua Lua.🌜


Olhei para o céu e respondi:


— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.


E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.


Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.


Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.


Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.


Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.


Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.


Desde então, sempre disse que a Lua era minha.


A minha Lua.🌜


Livre.


Inteira.


Brilhando para todos.


O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.


Nasci Lua.


Cresci Lua.


Era a Lua da família...


Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...


E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.


O Sol queimava minha pele.☀️


Fazia meus olhos arderem.


Seu brilho intenso me incomodava.


E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.


O que não entendia era que precisava dele para viver.


Afinal, a Lua não existe sem o Sol.


Seu brilho não nasce dela.


É reflexo.


É encontro.


É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.


Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.


Porque há luzes que brilham sozinhas.


E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜

As Quatro Sou Eu


A minha jornada,
a minha série...
a minha alma!


Durante muito tempo,
talvez eu tenha olhado
para essas histórias como
quem observa outras pessoas.


Eu, de um lado.
Elas, do outro.


Quatro histórias.
Quatro tempos.
Quatro mulheres.


Mas talvez eu tenha me enganado.


Talvez não sejamos quatro.


Talvez sejam apenas quatro
capítulos de uma mesma história.


Não sou uma espectadora
olhando para vidas que ficaram para trás.
Sou aquela que, de alguma maneira,
continua atravessando cada uma delas.


As dores, os sonhos, os amores, os medos, as escolhas...
Tudo parece carregar alguma coisa que ainda reconheço.


É como abrir um caderno antigo e
encontrar uma letra que,
embora pertença a outro tempo,
ainda parece minha.


Talvez porque seja.


Não preciso separar quem fui de quem sou.
Não preciso escolher qual delas sou eu.


As quatro sou eu.


Eu sou a menina que sonhou.
A mulher que amou.
Aquela que esperou.
E aquela que hoje olha para tudo isso
tentando compreender.


Talvez o tempo tenha mudado os cenários,
os nomes e as circunstâncias.


Mas existe algo que permaneceu.


Uma essência.


Um fio invisível costurando uma história à outra,
como se cada vida não terminasse exatamente
onde a seguinte começava.


E talvez seja por isso que algumas
lembranças não parecem lembranças.


Alguns sonhos não parecem apenas sonhos.


E alguns sentimentos chegam sem pedir licença,
como se já soubessem o caminho.


Hoje, quando escrevo, tento não me perder entre elas.


Não quero ser espectadora da minha própria história.


Quero apenas escutar.


Porque talvez não sejam quatro vozes falando comigo.


Talvez seja apenas uma.


A minha.


Em diferentes tempos.


Em diferentes formas.


Mas ainda eu.

Protesto por acaso


Outro dia quase pedi licença também, mas acabei passando direto!
Eu estava caminhando e, bem na frente da Prainha, havia um carro de polícia parado no meio da ciclovia, com todo mundo dentro. Não mudei de direção e continuei andando até chegar quase em cima do carro. Só então desviei e voltei para a pista.


Foi aí que percebi o que tinha feito e, principalmente, a música que estava ouvindo... Como o Bluetooth do meu celular dá uns perdidos e eu queria postar uma foto, estava ouvindo "O amor venceu a guerra", do GOG, bem na parte:
"Veja só o que eu consegui com meu trabalho / Casa, joias, conta corrente, carros / Nacionais, importados, todos caros / Altos sapatos, casacos raros / O que cansa é o entra e sai constante / Cliente que conversa, estressa bastante..."


Quando olhei para trás, estavam todos me encarando! 😂👮‍♂️


Mas, depois disso, arrumaram o lugar certo para estacionar e não ficaram mais no meio da ciclovia. Fiz tudo sem querer, mas talvez tenha sido um protesto inconsciente. A gente cansa de ver essa situação de viatura parando em qualquer lugar e atrapalhando o pedestre, só pelo poder que exercem. 🤔


#GOG #RapNacional #Caminhada #Cidadania #Prainha

Apagando a escuridão / O vestido Verde

Durante muito tempo, eu aprendi a diminuir o meu brilho.
Não porque alguém tivesse colocado uma lâmpada sobre mim e mandado apagá-la.
Foi mais sutil.

Aprendi a observar os olhares.
A medir os gestos.
A pensar duas vezes antes de vestir determinada roupa, falar determinada coisa ou simplesmente ocupar um espaço.

Aprendi a caber.
E talvez por isso eu tenha criado uma personagem para mim mesma.
Ela aparece justamente quando ninguém quer aparecer.
Foi assim na escola que trabalhei.
Precisavam de alguém no parquinho e ninguém queria.
— Eu vou!
E, para não transformar aquilo em obrigação, transformei em brincadeira:
— Vou ser a dona do parquinho!

Depois precisaram de ajuda para servir as frutas.
— Eu vou!
— Vou ser a dona da cozinha!
Choveu, precisaram de ajuda com a limpeza.
— Eu vou!
— Vou ser a dona da limpeza!

Até que um dia precisaram de alguém para atender um pai enquanto a diretora não estava.
— Eu vou!
E, já completamente envolvida na minha própria brincadeira:
— Vou ser a dona da escola!
Foi exatamente nesse momento que a diretora apareceu atrás de mim.

— E o que você disse, Edi?

Eu?

Nada.

Absolutamente nada.

— Tchau! 😂

Talvez seja justamente isso que eu tenha aprendido com a vida:

Nem sempre precisamos levar tudo tão a sério.
Às vezes, precisamos apenas entrar no picadeiro da vida.
Fazer o que precisa ser feito.
Rir de nós mesmas.

E continuar.

Foi assim também quando, na semana passada, eu — que praticamente só uso jeans — saí de vestido.
E não era qualquer vestido.
Era verde, com flores brancas.
No começo, fiquei envergonhada.
Senti os olhares.
Por alguns instantes, aquela antiga vontade de me esconder apareceu.

Até que me lembrei de uma frase que uma especialista em estética me disse certa vez:

“Você escolheu essa roupa. Agora tem que segurar o look. Levanta a cabeça e vai brilhar!”

E eu fui.
Fui para uma cidade.
Depois para outra.
Voltei para casa.

E, dessa vez, não fiquei tentando descobrir se estavam olhando porque eu estava diferente.

Eu sabia.
Eu estava linda.

E existe uma diferença enorme entre ser olhada e se sentir observada.
Antes, eu queria desaparecer quando percebia os olhos sobre mim.

Hoje, penso:
Olhem.

Eu escolhi essa roupa.
Eu escolhi estar aqui.
Eu escolhi não me esconder.

Talvez algumas pessoas realmente não gostem quando alguém brilha.
Talvez algumas pessoas se incomodem com a alegria alheia.
Talvez algumas tenham aprendido a viver em lugares tão escuros que uma luz acesa parece exagerada.

Mas isso já não é mais responsabilidade minha.

Eu não quero mais apagar a minha luz para que ninguém se sinta incomodado.
E talvez seja por isso que hoje eu possa dizer, brincando:

Eu vou ser a Dona do Mundo.

Porque agora entendo que ser autêntica não significa fazer papel de boba.
Significa ter coragem de entrar no seu próprio "EU"!
De vestir a roupa que escolhi.
De fazer aquilo que ninguém queria fazer.
De rir quando poderia reclamar.
De ocupar o espaço que me pertence.

E, principalmente, de não ter vergonha da minha própria alegria.

Passei muito tempo tentando não incomodar.
Hoje, se a minha felicidade fizer barulho...
Que faça.
Se a minha roupa chamar atenção...
Que chame.
Se meu jeito parecer exagerado...
Tudo bem.

Eu já passei tempo demais tentando ser pequena.

Agora quero ser grande.

Não para ser maior do que ninguém.
Mas para finalmente ser inteira.
E se, no caminho, alguém perguntar:

— Edi, quem é a dona daqui?

Eu vou pensar duas vezes antes de responder.
Porque, depois daquele episódio com a diretora...

Aprendi.

😂

Mas, no fundo, eu já sei a resposta:

Sou dona da minha história.
Dona das minhas escolhas.
Dona da minha alegria.

E hoje, pela primeira vez, a opinião do outro não é mais necessária.

Porque resolvi brilhar.

Porque agora eu existo.

Só o tempo irá dizer
Que eu não sou nada
Que você acostumou a ver

Nos anos que vivi à sua sombra
Eu me apaixonei, viajei, explorei e amei
Também em mágoas me afoguei, chorei, e muitos dias da cama nem levantei

Por um tempo mantive a calma
Em outros arranquei os cabelos
Houveram momentos em que gritei
Mas a todo tempo, com lágrimas ou sem, eu chorei

Vi minha tristeza no fundo de uma garrafa
E a vi na beirada de camas estranhas
Meu desespero andava pelas esquinas
Enquanto todos os dias meu coração chorava

O que fiz para merecer tal sina
Diariamente eu me perguntava
Quando tudo isso vai passar?
Sempre na esperança de que tudo passa

De repente o bêbado da esquina fez sentido
E o que saltou da janela um louvor à sua coragem
E por muito tempo me mantive na bela miragem
Ter sentido seu cheiro e tua voz ouvido

Amor, eu voltei. E para ficar.

Assim que o vi não tive dúvida: Era ele o sonho que eu ia transformar em realidade.

“Quero que se lembrem de quem eu era, não apenas de quem eu fui.”

— Bruno Guedes

Eu não seguro a mão de mulher que busca oprimir outras mulheres, não é feminismo seletivo, é sobrevivência!

Onde o amor me encontra inteiro

Eu tinha medo de amar.
Guardava o coração num copo d’água,
ao lado da cama,
para que a sede de alguém
não o levasse embora.
Mas você chegou
e os peixes do meu sono
aprenderam a voar.
A noite desceu da parede,
sentou-se aos nossos pés
e ficou ouvindo tua voz.
Quis te entregar tudo:
a infância dobrada na gaveta,
os domingos que ainda não vivi,
a pequena estrela manca
que ilumina minhas tristezas.
Já ia tirar meu nome do peito
para abrir mais espaço ao teu,
quando tua mão deteve a minha.
Você beijou cada letra
e deixou meu nome onde estava.
Foi tão delicado
que os espelhos da casa
fecharam os olhos.
Desde então, quando a saudade
põe seus vestidos de tempestade,
abro a janela.
Deixo que chova um pouco
sobre as flores,
sem permitir que a água
carregue a casa.
Ainda há noites
em que meu medo fabrica despedidas.
Você dorme,
e eu ouço trens partindo
de estações que não existem.
Então volto devagar ao quarto,
recolho meu corpo dessas viagens
e encontro tua mão sobre o lençol:
aberta,
sem exigir que eu fique,
tão bonita
que me dá vontade de ficar.
Quero te amar assim,
com meus passos ainda meus,
mesmo quando dançarem contigo.
Quero tua boca perto
e meus sonhos respirando.
E, quando a manhã vier
buscar o céu em nossa cama,
que nos encontre abraçados,
com espaço entre os braços
para o mundo florescer.


Descrição:

“Onde o amor me encontra inteiro” fala sobre aprender a amar sem abandonar a própria identidade. O poema acompanha alguém que deseja uma relação profunda, mas teme que a entrega lhe custe aquilo que é. Ao longo dos versos, essa pessoa descobre uma intimidade em que pode oferecer carinho, revelar suas fragilidades e permanecer livre. O título expressa esse encontro: ser amado com a própria história, os próprios sonhos e até os medos que ainda não desapareceram.
Logo no início, o coração guardado num copo d’água traduz uma tentativa delicada e impossível de proteção. Ele está fora do peito, num lugar aparentemente controlável, mas continua exposto e frágil. O receio de que “a sede de alguém” o leve embora sugere o medo de encontrar uma pessoa cuja necessidade de afeto consuma tudo o que o eu poético tem para oferecer. Há nessa imagem uma pergunta silenciosa: como permitir que alguém se aproxime sem ser levado por inteiro?
A chegada da pessoa amada transforma esse universo. Quando “os peixes do meu sono aprenderam a voar”, algo que parecia limitado ao seu ambiente descobre outra possibilidade de existência. É uma imagem de liberdade despertada pela presença do outro. A noite que desce da parede e se senta aos pés do casal torna o escuro uma presença tranquila: aquilo que poderia abrigar solidão e receio agora consegue repousar e ouvir.
O desejo de entregar “a infância dobrada na gaveta” representa a vontade de compartilhar as memórias mais íntimas, inclusive aquelas guardadas há muito tempo. Os “domingos que ainda não vivi” estendem essa entrega ao futuro: o eu poético já imagina oferecer dias que nem chegaram. A “pequena estrela manca” sugere uma esperança imperfeita, ferida, mas ainda capaz de iluminar a tristeza. Ele deseja ser conhecido também nesses lugares frágeis.
O momento central acontece quando tenta retirar o próprio nome do peito para abrir espaço ao nome da pessoa amada. Esse gesto revela como a vontade de amar pode se aproximar do apagamento de si. A mão que o detém interrompe esse movimento com ternura. Ao beijar cada letra e deixar o nome onde estava, a pessoa amada demonstra que deseja sua presença inteira. O nome representa sua identidade, seu passado e seu direito de continuar sendo alguém com vida própria.
Os espelhos que fecham os olhos ampliam a delicadeza da cena. Podemos lê-los como uma suspensão do julgamento: por um instante, não é preciso conferir a própria imagem, procurar defeitos ou observar como se é visto. O gesto de carinho permite simplesmente existir e recebê-lo.
Depois desse encontro, a saudade ainda veste suas tempestades. O poema reconhece que uma relação amorosa não elimina a vulnerabilidade. Abrir a janela e deixar a chuva alcançar as flores significa aceitar a emoção e permitir que ela tenha lugar. Preservar a casa significa manter algum amparo interior. A sensibilidade pode nutrir a vida sem arrastar tudo o que a sustenta.
Essa aprendizagem continua nas noites em que o medo “fabrica despedidas”. Os trens partindo de estações inexistentes dão forma à antecipação de uma perda que ainda não aconteceu. Enquanto a pessoa amada dorme, o eu poético percorre abandonos imaginários. “Recolho meu corpo dessas viagens” descreve o esforço de voltar ao presente, saindo das cenas criadas pelo receio para reconhecer aquilo que está de fato diante dele.
A mão aberta sobre o lençol é uma das imagens mais importantes do texto. Ela oferece companhia e deixa a escolha existir. Justamente por não exigir permanência, desperta a vontade de ficar. Há uma beleza profunda nessa passagem: o vínculo se fortalece porque a liberdade encontra acolhimento.
Nos versos finais, os passos continuam pertencendo a quem dança, mesmo quando acompanham os de outra pessoa. A proximidade da boca convive com o espaço necessário para os sonhos respirarem. O abraço desejado comporta duas vidas e também o mundo: projetos, descobertas e experiências que podem florescer ao redor da relação.
A força do poema está nessa transformação gradual. O medo permanece em alguns momentos, mas já não decide tudo. O eu poético aprende que pode amar intensamente e conservar o próprio nome; pode escolher ficar e continuar dono de seus passos. Ser encontrado inteiro é receber um amor diante do qual não precisa diminuir nenhuma parte de si.