Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Eu já fiz o bem sem olhar a quem. E hoje reconheço: essa frase é bonita demais para ser totalmente verdadeira.
Não existe gesto humano absolutamente puro. Sempre há um traço de expectativa, ainda que mínimo, quase imperceptível. Pode não ser dinheiro, pode não ser vantagem material, mas há um desejo íntimo de retorno. Um reconhecimento. Um agradecimento. Uma sensação de justiça moral. Até mesmo a paz interior é, de certo modo, uma recompensa.
O ingrato não frustra apenas porque é ingrato. Ele frustra porque revela a expectativa que fingíamos não ter. Dizemos que não esperávamos nada, mas a ausência de resposta nos incomoda. Isso já é prova suficiente.
A filosofia do “fazer o bem sem olhar a quem” funciona como ideal, não como descrição fiel da natureza humana. Somos seres conscientes de consequência. Sabemos que nossas ações geram efeitos, e no fundo acreditamos que o bem, de alguma forma, retorna. Nem que seja como equilíbrio espiritual, aprovação divina ou serenidade de consciência.
Há quem afirme que Deus recompensa o bem feito ao necessitado. Pode ser. Mas também pode ser apenas uma tentativa humana de manter coerência moral no mundo. Afinal, se Deus nos dá mais do que merecemos, como distinguir recompensa de graça? Como saber se o que recebemos é pagamento ou simples generosidade divina?
Talvez a lucidez esteja em admitir: fazemos o bem também porque isso sustenta a imagem que temos de nós mesmos. Porque precisamos acreditar que somos justos. Porque queremos viver num mundo onde a bondade tenha algum sentido.
Isso não invalida o bem. Apenas o humaniza.
A pureza absoluta pertence às ideias. A prática pertence aos homens. E os homens são mistos, contraditórios, conscientes e desejantes.
Ser lúcido não é deixar de fazer o bem. É fazê-lo sabendo que não somos santos — e ainda assim escolher agir com dignidade.

Todo o bom relacionamento é bonito, mas oque eu tenho comigo mesmo é o meu preferido.

Senhor, permita que além de sabedoria para escolher o melhor caminho eu tenha prudência suficiente para não me desviar dele.

No campo de batalha pessoal está o meu eu que joga sujo e o outro eu que joga limpo...a única competição digna de minha atenção.

Sempre me colocaram no topo e eu quis descer de lá; quero viver a minha vida e não às expectativas dos outros.

Eu escrevia bem. Mas são tempos sombrios, sóbrios, sobressalentes.

Senhor, permita que eu adormeça com a tua proteção e desperte com a tua benção.

"Eu vivo e construo a minha própria história e não vivo a história de outros!"

Eu chorei por alguém que não morreu.
E isso parece loucura para quem nunca sentiu.

Mas quem viveu sabe:
existem partidas silenciosas
que deixam marcas mais profundas
do que muitos adeuses definitivos.

Porque a esperança demora para morrer.
E enquanto ela respira,
o coração continua esperando
o que já não vai voltar.

Bah…
tu virou saudade antes mesmo de virar passado.

E eu sigo aqui,
tentando ser forte igual gaúcho aprende a ser,
mas tem ausência tua
que nem o vento minuano consegue esfriar.

O coração até tenta seguir estrada,
mas toda vez que lembro do teu jeito,
é como se a alma parasse na cancela
esperando alguém que não vai mais voltar.

Eu aprendi cedo a ser forte,
dessas prendas que seguram o mundo no peito
e não desmontam na frente de ninguém.

Mas tu foi diferente.

Tu me deixou vivendo um luto silencioso,
desses que ninguém percebe,
porque não tem enterro,
não tem despedida,
só um vazio quieto tomando conta dos dias.

E mesmo tentando seguir,
tem partes minhas que ainda esperam teu retorno
como quem espera chuva boa depois da seca.

Estilhaços do Espírito


Eu tenho que esconder,
Esconder o que eu sinto
Por não conseguir
Contar todas, completamente,
Contar todas as feridas.
Todos os cortes e machucados,
As lesões que eles me deram,
Todos os algozes,
Todos os que prometeram me proteger.


Pois estou com minha própria sombra,
Com minha própria espada,
Com minha própria mente,
Como sempre estive.
Até quando pensei que não.


Mas, agora, está pesado demais.
Não há quem salve,
Não há quem permaneça.
Os assassinos foram embora,
Os traidores riram.
Deixaram as consequências,
E a culpa foi transferida para os inocentes.


Vou nadar de volta até a superfície novamente.
Vou puxar os passos
Mesmo com o peso dos ferros nos meus tornozelos,
Vou forçar a mente
Mesmo com as feridas de chumbo.
Mesmo com lágrimas de sangue,
Seguirei lutando.
Pois ainda há fôlego de espírito,
Até o meu descanso chegar.
Minha alma ainda está aqui.


- Ramile Godon

Carta que nunca te entreguei


Eu sei que você me amou do jeito mais limpo que alguém pode amar.
Sem jogos, sem fuga, sem meio-termo.
E talvez por isso tenha doído tanto.
Eu ouvi quando você disse que me amava.
Ouvi uma, duas, tantas vezes que perdi a conta.
Cada palavra sua era casa, era futuro, era permanência.
E dentro de mim havia vontade, sim,
mas havia também um peso antigo,
um cansaço que não nasceu em você
e uma resistência que eu não escolhi ter.
Existe um muro em mim.
Não foi levantado contra você,
nem para te ferir.
Ele só estava lá antes.
Toda vez que você dizia que me amava,
algo em mim queria correr na sua direção.
Mas outra parte, menor e mais antiga,
batia desesperada por dentro desse concreto,
pedindo que nada fosse aberto.
Você chamava de amor.
Eu sentia como risco.
O problema nunca foi você.
Nunca foi falta de amor.
Foi excesso de medo dentro de mim.
Quando você falava de futuro, algo em mim se fechava.
Não por desprezo,
mas por pânico.
Como se amar significasse perder a mim mesma outra vez.
Porque deixar alguém entrar
sempre significou desmoronar depois.
Existe em mim uma vontade imensa de ser amada assim,
desse jeito inteiro, sem reservas.
Eu sei que mereço.
Mas hoje eu não consigo corresponder
sem me violentar por dentro.
Eu queria sentir só o amor,
mas sentia o medo junto.
Queria ficar,
mas meu corpo gritava para não prometer
o que ainda não sei sustentar.
Você me ofereceu paciência,
futuro, permanência.
E eu sei que isso é raro.
Mas o problema do muro
é que ele não cai com promessas.
Ele cai com tempo.
E eu ainda não tenho esse tempo dentro de mim.
Eu me irritava, me afastava, me culpava.
Não porque você errava,
mas porque eu ainda não sei receber cuidado sem desconfiar.
Você merece alguém que te ame sem hesitar,
sem se irritar sem motivo,
sem carregar fantasmas que não são seus.
Merece descanso, não dúvidas.
Te deixar ir foi uma forma torta de respeito.
Porque te amar pela metade
seria mais cruel do que te perder inteira.
Talvez um dia eu aprenda a amar sem esse nó no peito.
Talvez um dia o futuro deixe de me causar náusea
e passe a parecer escolha.
Hoje, amar você exigiria
trair o silêncio que ainda me protege.
Se eu fui embora,
não foi por falta de sentimento.
Foi porque ainda estou aprendendo
a distinguir abrigo de prisão,
amor de sobrevivência.
Um dia, talvez,
esse muro vire porta.
Hoje, ele ainda é o que me mantém de pé.

Sobre o Vazio (Diálogo)


"Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas sei que devo procurar.”


— “E como pretendes procurar por algo que nem sequer sabes definir?”


“Não sei. Talvez certas buscas existam antes mesmo da compreensão delas.”


— “Ou talvez estejas apenas tentando dar sentido a um vazio comum.”


“Talvez. Mas ignorá-lo parece pior do que me perder tentando compreendê-lo.”


— “E se não houver nada para encontrar?”


“Então ao menos terei descoberto isso por mim mesmo.”


— “E se essa busca apenas te frustrar?”


“A frustração talvez seja inevitável para quem pensa demais sobre a própria existência.”


— “Então procuras respostas?”


“Não exatamente. Respostas costumam encerrar as coisas… e há algo em mim que não deseja um fim, apenas compreensão.”


— “Compreensão do quê?”


“Do vazio.
Dessa sensação constante de que existe algo faltando, mesmo quando aparentemente nada falta.”


— “E acreditas mesmo que encontrarás isso?”


“Não sei.
Talvez eu não encontre nada.
Talvez encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.”


— “Ou talvez percebas que tudo isso nunca passou de ilusão.”


“Sim… ou talvez eu perceba algo ainda mais inquietante.”


— “O quê?”


“Que aquilo que passei a vida inteira procurando sempre esteve comigo… e eu simplesmente era incapaz de reconhecê-lo.”

Sobre o vazio (monólogo)


Eu não sei se aquilo que acho que preciso é realmente o que preciso… mas existe algo em mim que insiste que eu devo procurar.


Engraçado… como alguém procura por algo que nem sabe o que é?


Talvez eu esteja apenas correndo atrás de um vazio sem nome. Talvez eu esteja destinado à frustração. Ainda assim… ficar parado parece pior.


Então eu procuro.


Não porque eu saiba onde encontrar respostas, mas porque alguma coisa dentro de mim se recusa a aceitar que isso seja tudo.


Talvez eu não encontre nada.
Talvez eu encontre exatamente aquilo que precisava.
Talvez o vazio finalmente se preencha.
Talvez ele se torne ainda maior.


Ou talvez, no fim de tudo, eu perceba que nunca precisei procurar coisa alguma… porque aquilo que eu buscava já estava comigo desde o início.


E talvez seja isso que mais me assusta.


Não o vazio…
mas passar a vida inteira procurando algo sem perceber que já o carregava dentro de mim.

Eu não sei a que velocidade anda a lei do retorno, sei apenas que ela existe e mais cedo ou mais tarde chega.

Nesses últimos dias eu fui como está árvore, cai me machuquei, fiz barulho... mesmo não tendo ninguém para escutar (e acredito que com você não foi diferente). porém pra mim mais importante do que ser ouvido, é poder voltar a te escutar, suas alegrias suas tristezas suas dúvidas seus sonhos, talvez eu não consiga te impedir de cair, mas eu sempre vou estar ao teu lado para te ajudar a levantar quantas vezes for necessário

Eu poderia discorrer sobre amar,
Mas eu não falo de amor.


Deveria falar sobre aqueles que me viram nascer;
Conseguiria lembrar dos dias da década passada.
Porém, por quê? Por que, se o verbo é sofrer?
De amor, eu não falo mais nada.


Novas rodas, novas cantigas,
Novos ares, velhos sistemas com roupas passadas...
Se o meu sofrer nada o mitiga,
De amor, não devo falar mais nada.


Lembraria da tua voz,
Desbravaria seus segredos ou recordaria das suas afeições;
Se você se foi e eu não me despedi,
Não falo de amor, tampouco de paixões.


Rejuvenesceria se eu perdoasse aqueles;
De tantos ouvi para fazer de alguém minha amada.
Mas, se em meu nariz mando eu e não eles,
De amor, eu não falo mais nada.


Incendiaria meu coração dizendo "Eu te Devoro";
São muitos amores e amigos, e todos os nomes eu decoro.
TV em cores, jornal impresso, disco, vitrola e prosas...
Eu posso dizer que vivo assim.
Se do amor eu não falo mais nada,
Talvez o amor fale por mim.

tá tão complicado pai
Eu confesso, eu to cansado e não quero mais
Tô exausto e com medo


Tem dias que o peito aperta
Tem dias que o fardo pesa
Nem que fosse arrastando eu não volto pra trás
Fica aqui comigo e não sai mais


És o meu alívio
Tudo o que eu preciso bem aqui comigo pra continuar
Que me impulsiona todos os dias pra eu não parar
Tu és o motivo, Jesus, que eu tenho pra avançar,ah,ah,ah...


Música: alívio
Cantor: Jessé Aguiar

Não desista... Recomece sempre que for preciso. Repita sempre: "Eu posso, eu consigo!" Que em momento algum esqueças a força que tens!