Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Eu nem vim de mim mesmo, se querem assim saber.
Vim da sensação causada pelo ensejo. Da generosa alvorada que eriçou meus pêlos.
Tornei-me quando uma visão ampliada de mundo escancarou-se bem aqui no profundo e verteu-me em vários.
"Eu nasci em 1978, entre a pobreza gritante de Guaianases, extremo leste da capital. Cresci em estado de vulnerabilidade, estereotipado, pisando descalço em ruas de terra e esgoto a céu aberto, juntamente com meus seis irmãos, a sofrer, sobretudo, o abandono paterno, lutando com a mãe contra a fome, em busca das necessidades básicas, numa casa humilde, de apenas três cômodos, construída em terra de parentes que, muitas vezes, nos desconsideraram..."
A reflexiva teoria dramática que teóricos escrevem ou escreveram, muitas vezes é o que eu e meu povo vivemos diariamente...
Eu fiquei defendendo o amor de forma exaustiva pra depois, já doente, perceber que meu interlocutor, com ódio, a dormir sobre a espinhosa e cruel cama do fascismo, nunca aceitará minha leve e sentida defesa...
Às vezes me pego pensando em nós... os nós que nos unia...
Um nós que tinha planos - um nós que eu queria - um nós de uma hipótese - mas fico agora com a concretude do dia que te senti por um instante mágico e depois se desatou... se foi...
E tem ido a cada segundo pelo orifício de uma ampulheta que nos afasta a cada grão de segundo...
Alba Atróz
E se eu for só fresta do infinito,
Luz que escapa, mesmo em grito aflito,
Me despeço do que nunca dito
E abraço o mundo no que acredito.
Equilibrista de Mim
Eu visto a pele da metamorfose,
Desfaço as tramas, refaço o meu cais.
Num gesto breve, dissolvo as hipnoses,
Sou cais de vento, sou riso fugaz.
Nos bolsos trago um punhado de estrelas,
E versos soltos, de cor e cetim.
Se o mundo pesa, eu aprendo a vencê-las,
Com asas feitas de sonho e de fim.
Vem, me acompanha no passo da sorte,
Que a vida é ciranda de se reinventar.
Se a dor me visita, eu danço mais forte,
Pra sombra entender que não vai me parar.
Tecendo rimas de pólen e aurora,
Transcendo os mapas que o medo traçou.
Se o peito sangra, eu canto sem demora,
Que até ferida se faz flor, se eu sou.
Na corda bamba da minha esperança,
Equilibrista de mim, sem final.
Entre o abismo e o sopro da criança,
Eu me refaço de forma vital.
Se for pra cair, que seja em poesia,
Se for pra sumir, que eu suma em canção.
O riso é remendo, é luz, é magia,
Que costura o mundo na palma da mão.
Vem, me acompanha no passo da sorte,
Que a vida é ciranda de se reinventar.
Se a dor me visita, eu danço mais forte,
Pra sombra entender que não vai me parar.
