Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando

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"A armadura que eu vesti me protege de quem você é."

O que eu virei foi o que me salvou de você.

“Quase”


Eu quase te liguei
quase fui atrás
quase disse tudo
que guardei em paz
quase fui fraca
quase voltei
quase me perdi
em quem eu já deixei
mas aprendi com o tempo,
sem drama, sem julgamento:
nem tudo que não foi…
foi perda.


o quase também
é livramento.

Eu te deixei ir
no mesmo dia em que entendi
que me perder era o preço de te ter.

“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”

"Eu queria existir no olhar dela"

Eu me perco todo dia.


Às vezes nas lembranças,
às vezes no mercado tentando lembrar por que entrei ali.


Tem dia que me perco em gente errada,
em conversa inútil,
em saudade reciclada igual pote de sorvete virando tupperware.


A verdade é que viver é isso:
um grande “cadê meu equilíbrio emocional?”
enquanto a gente procura o celular
com o celular na mão.


Mas sigo.
Porque até GPS recalcula rota,
e eu não vou perder a chance
de me achar mais gostosa, mais forte
e um pouquinho mais surtada amanhã.

Você viu distância.

Eu via ruínas
tentando ficar de pé
dentro de mim.

O menino dos limões


Eu estava voltando pra casa de bicicleta
carregando cansaço, dívidas emocionais
e uma vontade silenciosa de desaparecer do mundo por algumas horas.
Então ele me chamou.
“Tia… você tem alguma moeda?
Eu tô com fome.”
Era só um menino.
Magrinho.
Pele morena.
Olhos verdes que ainda não tinham desistido da vida.
Um pitózinho torto no cabelo
e uma dignidade dolorosa na voz.
Dei as moedas e fui embora.
Mas alguma coisa me atravessou no meio do caminho.
Quando voltei
ele estava em cima de um muro
tentando pegar limão pra comer.
E naquele instante
o mundo inteiro ficou pequeno.
Pequeno feito gente egoísta.
Pequeno feito orgulho.
Pequeno feito discussão inútil.
Pequeno feito pessoas que machucam outras por vaidade
enquanto uma criança tenta enganar a fome com fruta azeda.
Levei ele na padaria.
E o que mais me destruiu
não foi a fome dele.
Foi o cuidado.
“Se ficar caro, tia…
pode deixar o refrigerante.”
Criança nenhuma deveria saber o peso de um refrigerante no bolso dos outros.
Mas ele sabia.
E eu ali
sem dinheiro
sem rumo
emocionalmente quebrada
percebendo que talvez eu tenha gastado demais tentando salvar adultos
quando poderia ter alimentado mais crianças.
Ele foi embora sem saber meu nome.
E eu fiquei ali
vendo um pedaço da humanidade indo embora a pé
com pão nas mãos
e fome no mundo.


Ass: Lucci Santz

Tantas tacadas eu já peguei,
que o acesso à mim mudou de lugar.
Hoje, quem quiser entrar,
precisa saber ficar.


Não abro mais portas
pra quem chega fazendo barulho,
nem entrego meu caos
pra quem nunca soube cuidar do meu silêncio.


Intimidade não é presença,
é permanência.

Hoje eu observo antes de abrir.
A última vez que confiei sem filtro,
quase me perdi de mim.

Um dia, quando eu voltar...

Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.

As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.

Mas algumas coisas permanecem.

Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.

Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.

Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.

E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.

Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.

Lucci Santz ✍️

Muitas vezes me olharam e disseram que eu mudei.
Mudou mesmo.
Mas poucos perguntaram quantas dores foram necessárias para essa transformação.
Há versões de nós que não nascem de desejos, mas de sobrevivência. São armaduras forjadas em noites difíceis, em despedidas inesperadas e em batalhas que ninguém viu.
Eu tive que me tornar algo que nunca fui.
Mas, no fundo, ainda guardo a memória daquela pessoa que existia antes das tempestades.
Não para voltar a ser quem fui. Porque certas travessias não permitem retorno.
Mas para lembrar que, por trás de toda dureza que a vida me ensinou, ainda existe um coração que um dia acreditou que o mundo podia ser mais gentil.
E talvez essa seja a maior vitória:
não deixar que a necessidade de sobreviver apague completamente quem um dia fomos.

Eu transformo o que vivo em algo que alcança outras pessoas.

"Há pessoas que atravessam o mundo em busca de um lugar para existir. Eu percebi que o único lugar onde nunca fui abandonada foi dentro das palavras. É por isso que escrevo: porque a poesia acolhe até aquilo que a vida recusou."

Eu me refaço em silêncio todos os dias.

Enquanto o mundo acredita que nada mudou, por dentro eu reconstruo ruínas, recolho pedaços, costuro feridas e reaprendo a existir.

Meu coração grita em um barulho sem voz.

Ninguém ouve, porque nem toda dor faz som. Algumas apenas ecoam dentro da alma, transformando quem somos antes mesmo que a gente perceba.

E, ainda assim, eu continuo.

Porque sobreviver também é uma forma de renascer. E há batalhas que são vencidas sem aplausos, apenas com a coragem de acordar e recomeçar mais uma vez.

Quando o Silêncio Aprendeu Meu Nome


A casa continuava inteira.
Era eu quem faltava nos cômodos.
Meu corpo atravessava o corredor, mas a alma insistia em permanecer na maçaneta da última porta que nunca tive coragem de abrir.
Descobri tarde que o silêncio não nasce da ausência de vozes.
Ele nasce quando nenhuma palavra aceita morar na boca.
Há dias em que converso com as janelas.
Elas entendem o idioma das pessoas que olham para longe porque perto demais também machuca.
Não espero mais respostas.
Coleciono perguntas como quem guarda sementes sem saber se ainda existe primavera.
E, curiosamente,
foi depois de perder quase tudo
que descobri
que algumas ruínas também sabem florescer.




_Lucci Santz

Eu sempre soube ficar.


Pelos outros.
Pela família.
Pelos amigos.
Pelas pessoas que estavam quebradas.
Pelas pessoas que não sabiam pedir ajuda.
Pelas pessoas que precisavam de alguém.


Mas ninguém me ensinou o que fazer quando sou eu quem está quebrada.
Talvez seja essa a grande descoberta:


Algumas pessoas gostam de você.
Algumas precisam de você.
Algumas dizem que amam você.
Mas poucas sabem permanecer quando você deixa de conseguir carregar o mundo nas costas.

Gosto de quem me faz rir quando eu estava decidida a permanecer séria.

EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO
PERCEBO A AUSÊNCIA DO SEU OLHAR
SINTO A DISTÂNCIA DO SEU CORAÇÃO
QUANDO ELA EXISTE.


EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO
FICO FELIZ QUANDO ENCONTRO SEUS OLHOS
E ELES, DE VOLTA, SORRIEM PRA MIM.
SINTO MEU CORAÇÃO ACELERAR
DE UM JEITO QUE PARECE QUERER FUGIR DAQUI
SÓ PRA ENCONTRAR O SEU.


NÃO PENSE, NEM POR UM DIA, QUE EU NÃO TE AMO.
QUANDO OLHAR PRA MIM E ACHAR QUE NÃO BATE NADA AQUI DENTRO,
É PORQUE, NA VERDADE,
SINTO QUE PARO DE VIVER POR SEGUNDOS
QUANDO ESTOU AO SEU LADO.


NÃO SONHE QUE EU NÃO TE AMO.
EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO
E SEMPRE FICO NO AGUARDO
DE ESTAR BEM CONTIGO,
DE VOLTAR PRAQUELE LUGAR
ONDE A GENTE ESQUECE UM POUCO O RESTO DO MUNDO.


EU TE PROCURO EM TUDO QUE EU FAÇO.
GOSTO DE TE SENTIR NA MINHA ROTINA
E DE PENSAR QUE, MESMO COM TUDO,
VOCÊ AINDA AMA O MEU JEITO.


AGORA EU SÓ ESPERO QUE A GENTE FIQUE BEM,
QUE A GENTE SE AME BEM,
E QUE TUDO AQUILO QUE NÓS DUAS PROCURAMOS
SEJA ENCONTRADO
UMA NA OUTRA.