Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando

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Tudo o que eu falar agora pode mudar. O que eu disse ontem talvez nem seja verdade amanhã. É estranho viver assim, sem se conhecer direito. Mas no fim, acredito que vou me conhecer melhor do que ninguém. Porque todo mundo está sempre mudando. E eu também, principalmente agora. Tudo à minha volta está diferente, e eu preciso me acostumar com esse mundo novo que está surgindo. Tenho medo, todo mundo tem. Mas quando tudo isso passar, vou poder, enfim, descansar.
Coisa de Gente!

Alexandre Sefardi

O silêncio vestiu a madrugada de veludo e eu respirava a saudade que escreveu meu nome na areia do tempo, quando as estrelas aprenderam a habitar o oceano. Eu colecionava segredos que nenhuma árvore ousa revelar, mas as flautas cantam em forma de melodia e um dia talvez chegará à sua retina. Eu bebo lentamente a luz esquecida das águas e sou margem de muitos rios. Meu coração é uma biblioteca onde os relógios adormecem e a eternidade mora nos meus olhos de lembranças. Eu guardo a memória das nuvens no horizonte que fita o eterno em nossas mãos afetuosas, que cobre o chão de orquídeas. Eu acendo as constelações no inverno a bordar cristais na pele da manhã. A esperança caminha descalça sobre luzes incandescentes. O crepúsculo dissolve o ouro no sangue do céu e chove dourado em nossas escamas. O espelho conhece o rosto de sua ausência, mas a chuva penteou os cabelos da terra vermelha. Eu te falo de longe em sussuros de idiomas que apenas seus olhos compreendem. Cada folha caída é uma carta que eu escrevi e o outono enviou. O vento esqueceu sua infância entre os pinheiros, mas eu não me esqueci de seu sorriso altiveiro. Desconheço o vazio, pois levo sua face no sol e descanso debaixo de uma árvore de flores rosa e tudo é candura em minha rosto. Diriam que as cinzas ainda guardam o perfume do fogo e eu diria que minhas mãos guardam o aroma de lírios e açucenas brancas na tarde de paz. As flores conversam com o sol no idioma elísio e no céu e na terra vivemos o paraíso. O eco envelhece antes de encontrar quem o escute. Mas eu tenho palavras fartas nos dedos. O destino desenha labirintos em minha face, mas a tempestade aprende delicadeza ao tocar uma pétala. Eu repouso sobre o íngreme da montanha e avisto de longe a cidade que guarda as pessoas em edifícios. Toda lágrima conhece o caminho do oceano, mas minha alegria conhece sua língua e somos fluentes em querer bem as pessoas que conosco caminharam estrada. E sou feliz por existir e ter um rico passado. O presente me enche de glórias humildes e o futuro me parece o infinito que cabe dentro de um único instante.

Às vezes eu danço na beira do poço, flertando com o caos que um dia me acolheu.

Enquanto eu caminho procurando o amor, deixo que a voz do coração me guie e a luz da minha alma me ilumine.

Eu decoro as praias com alfabetos de espuma e desperto a primavera com o perfume adormecido das cores quando o silêncio floresce as palavras maduras que o vento carrega na eternidade bolsos de sementes de futuro. A memoria é um jardim onde nunca termina o outono. As folhas secas contam histórias de árvores floridas e frondosas. As horas bordam linhas na minha face e minha memória se torna mais jovem quando altiva se mostra bondosa. E eu diria que o tempo é um trem que sempre volta no mesmo horário. A névoa abraçou a manhã como quem protege um segredo meu, que é evidente quando falo em amor. O coração constrói pontes onde a razão levanta muros, mas o sentimento desconhece o concreto. A noite derramou tinta sobre o orvalho e mais coloridos ficam as flores. O rios nunca esquecem o caminho das estrelas. Eu fecho os olhos e vejo sua face. O último raio de sol pediu licença ao horizonte, pois a solidão cultiva jardins sem vida. A esperança acendeu uma vela dentro da tempestade. Fazia sol e chovia. As nuvens escondem cartas escritas anônimas. São cartas que o orvalho escreveu sobre as pétalas. As árvores respiram a paciência das estações. E o amor ultrapassou a paciência e virou uma doce resignação. O crepúsculo guardou brasas douradas sobre as asas do céu e minha face se vestia de ouro na luz que recolheu os fragmentos da noite em suas mãos. Eu te observava como uma borboleta que adornava um livro. Era a lembrança da beleza silenciosa entre letras. O rio aprendeu a cantar observando o voo dos pássaros e a saudade cultiva jardins suspensos de momentos ternos. O sol semeou espelhos sobre a superfície do lago. Eu pensava se eu amo como águas de um rio que nunca mais verei. E o amor é um sonho impossível, que escreve beleza na luz do dia. O tempo afia suas asas nos séculos e o sentimento adormece no oceano profundo. O amor não tem destinatário, são fragmentos de um tempo passado. Mas esse amor é o brilho que me faz sonhar acordada. Mais nada.

Se você soubesse o quanto eu te amo, era mais uma razão que você teria para dizer que me odeia

Se você soubesse o quanto eu te amo, era melhor contar quantas estrelas tem no universo!

Se você soubesse o quanto eu te amo você me agradeceria.

Pudesse eu desinventar o espaço para te entregar o orbe, mas como só habito o tempo, faço dos meus Cantares o chão onde o mundo, enfim, aprende a ser feliz.

Você me olhava com uma promessa imensa no sorriso, mas suas atitudes nunca saíam do papel. E eu, mergulhado na vontade de dar certo, confundi a sua falta de opção com reciprocidade. Dei palco para as suas desculpas porque queria acreditar que o problema era o tempo, e não a sua falta de querer.
Você usou a minha calmaria para abafar o caos da sua bagunça interna. Validou o seu ego com o meu cuidado, colhendo o melhor de mim enquanto me deixava apenas com as suas sobras. Fez com que eu me sentisse especial na mesma proporção em que me descartava quando a conveniência mudava de direção.
Você dizia que o nosso encaixe era raro, mas preferiu a pressa dos desapegos. Dizia que adorava a minha companhia, mas sumia sempre que a rotina exigia presença. Dizia que tinha medo de me machucar, mas usou justamente esse medo como escudo para não se comprometer.
E sabe o que deixa um nó na garganta?
É dar-se conta de que eu estava construindo bases sólidas para nós dois, enquanto você só queria um abrigo passageiro para os dias de chuva. Eu apostava no que a gente poderia ser, e você só se ocupava em ter certeza de que poderia ir embora a qualquer minuto.
Hoje, eu decido fechar essa porta.
Escolho resgatar a intensidade que gastei com quem era raso.
Escolho a certeza que você nunca soube me dar e a dignidade de não caber mais em espaços tão pequenos. Eu não aceito mais ser o rascunho de alguém que nem sabe o que quer escrever.

Achou que o seu gelo ia me congelar? Pois veste o casaco, porque eu acabei de decretar o inverno.

Se for resumir o meu caminho, puxa uma cadeira que eu te explico como os tombos viraram técnica de esquiva e como as madrugadas com o controle na mão viraram gestão de crise.

Tempo em que eu nem sabia o que era o amor, muito menos amar!

Mas até agora, eu nunca me senti vivo. Até.. eu pintar aquele quadro azul.
- Blue Period

De que adianta?


​De que adianta eu ter um dom e enterrá-lo no quintal de casa? De que adianta eu ter uma voz e não usá-la para o bem? De que adianta saber que minhas mãos receberam o dom de curar e, ainda assim, eu não tocar ninguém? De que adianta possuir o dom da palavra se eu escolho o silêncio quando eu poderia semear esperança?
​Que tudo o que eu tenho, todos os meus dons e tudo o que sou, sejam colocados a serviço do bem que nasci para fazer!
​Que tudo o que eu toque se multiplique, inclusive, eu mesma. Que tudo o que eu toque prospere. Que, em todos os lugares por onde eu passe, eu espalhe o amor. Talvez assim, eu tenha feito a vontade daquele que é superior.
​Nildinha Freitas

Eu me preocupo muito com o futuro, mas eu vivo no passado.
O presente é inexistente para mim⁠

que te acompanho
eu sigo teus beijos
de cada banho
reflete como me vejo

perfeição em paixão
mentira que se desfaz
por cada erro, tua mão
como posso ver mais?

essa mente coletiva
parasitas e demônios
adoram e a comem viva
daqui por mais quilômetros

te importo de bondade
luxúria se dissipou
mesmo que terá verdade
não sou o que buscou

bastardo eu pensar
que teria algo especial
ao teu lado, sensacional
para nunca mais terminar

abrirei para trancar de vez
meu coração
orarei para que tu livrareis
minha condição
te dê surdez, e não ouvirá
minha canção.

O que seria de mim sem você?
que eu diga pro vazio, o que ia querer?
essa lacuna que afunda, desculpa
mas tenho mais por continuar a luta

sem propósitos e afins
seria tédio, ou busca por ti?
meu coração tem as intenções
evitando tudo isso por segundas razões

fugir dos meus desejos
só adiará a resposta
o vazio gritaria por tanto desespero
a pergunta bateria na minha porta

Eu já disse vai embora, quando eu queria dizer fica aqui comigo,

Eu já disse coisas que machucaram, num ato de me machucar novamente;

Eu já disse nunca mais, quando nunca deixei de querer;

Eu já disse nem pensar, quando tudo era só pensamento;

Eu já disse que cansei, quando eu ainda tinha forças para lutar;

Eu já disse que não amava, quando eu amava perdidamente;

Eu já disse que não me importava, quando eu só me preocupava;

Eu já disse que estava bem, quando eu só chorava;

Mas...Nunca disse que tinha orgulho

E sem orgulho, consegui dizer tudo que sempre quis...

Eu perdi a confiança e então você morreu.

É curioso pensar que hoje eu posso ler algo escrito por alguém que viveu dois séculos atrás e me reconhecer ali, como se aquela pessoa ainda respirasse no mesmo tempo que eu.


Há uma comunhão invisível entre quem escreve e quem lê, uma ponte que desafia a distância do tempo.


Escrever é, de certa forma, se eternizar no efêmero.