Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Retiro-me
Despido do anjo
Ou da serpente
Apenas eu
Vazio
E no fundo de mim
Conheço as verdades
Ocultas no meu íntimo abismo
E aprisiono meu caos
E contemplo a luz na minha escuridão.
Marco Teles
Como é que vamos fazer
Pra eu morar aí no seu quarto
Sem essa de me colocar no seu porta-retrato
Quero contato, sem contrato, a gente faz um trato
Se você me der a chave, eu mudo até o meu status
Se tu partires para conheceres outras estradas e outros olhares então eu te deixarei ir
Te deixarei livre para abrir as portas do meu coração e saíres, mas lhe entregareis a chave dele. Para que um dia você volte. Não forçadamente, porque o que é forçado não é digno do meu amor, deixareis que volte por amor, por nobreza e respeito perante aos nossos laços de coração... para então no final te dizeres a ternura e o bem querer que sinto quando olho tua face e teus gestos tão únicos que só tu tens sobre essa terra tão cheia de dores incalculáveis.
Um dia
ainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim.
Vou andando, caminhando, caminhando;
me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.
Depois
faço puçanga de flor de tajá de lagoa
e mando chamar a Cobra Norato.
— Quero contar-te uma história:
Vamos passear naquelas ilhas decotadas?
Faz de conta que há luar.
A noite chega mansinho.
Estrelas conversam em voz baixa.
O mato já se vestiu.
Brinco então de amarrar uma fita no pescoço
e estrangulo a cobra.
Agora, sim,
me enfio nessa pele de seda elástica
e saio a correr mundo:
Vou visitar a rainha Luzia.
Quero me casar com sua filha.
— Então você tem que apagar os olhos primeiro.
O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas.
Um chão de lama rouba a força dos meus passos.
MIMO
Se da tua companhia eu privasse,
para mim serias o tudo que alguém,
pode ter.
Serias o ar, o calor, o carinho o
bem maior.
Somando tudo, serias o amor.
Passearias pela casa, como uma rainha,
por seu palácio.
Teu trono,o meu coração aonde o meu amor
por ti mora, lá vives.
Ali, a tua presença é constante és o mimo,
és o amor que eu nunca tive.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Eu te entreguei o meu corpo, a minha inexperiência, o meu amor, e o que você fez? Você foi embora, sem falar nada, jogou o meu amor fora como quem joga lixo. Talvez por não ter coragem de mostrar o que têm aí, se é que tinha alguma coisa direcionado aí pra mim. Sabe, como que alguém pode dizer que ama repetidas vezes a outra pessoa e depois fazer isso do nada? E eu te juro que o me deixa mais perplexa é que conversamos estávamos bem, pelo menos era o que estava pensando. Mas eu é que fiz de tudo pra não enxergar o que tava acontecendo bem debaixo do meu nariz. Sabe aquela velha história de quem quer da um jeito? Pois é, eu meio que passei a ignorar essa verdade, mesmo porq só eu procurava, e como eu estou vendo agora só eu sentia também. Não, não pense que eu estou te culpando por não ter me amado de volta, ninguém pode obrigar ou se obrigar a amar outra pessoa da forma que a gente quer. Você têm culpa sim, mais é de mentir pra mim, de me iludir com palavras que você tava longe de sentir, e foi isso que mais doeu.
Conformismo?
De certo ponto é sim.
Mas também é a compreensão que o mundo foi injusto antes de eu nascer e ainda será injusto depois que eu morrer.
Portanto, por mais que eu lute para mudar esse quadro não posso deixar de aproveitar as coisas boas da vida.
Faço a minha parte, mais não deixo as angústias do mundo me corromperem criando um ser amargurado, rancoroso e revoltado com a vida e com todos.
Afinal de contas, se isso acontecer, eu vou mais atrapalhar do que ajudar o mundo!
Nesse sentido, o oposto também se aplica: Se soubermos o que é a felicidade.
Se buscarmos vive-lá
compartilha-lá
e espalha-lá
poderemos assim estender essa mesma felicidade a todos.
E é aí que eu começo a mudar o mundo.
Ascendência
Eu, filho do caos e da isolamento,
faço deste pequeno e ínfimo verso
nascido em meu lúgubre universo,
meu último testamento.
Meus sentimentos jamais serão perdoados.
Detentores de natureza renitente,
Estes são meus pecados.
Quando elas me gritam,
meu peito dói.
Não suporto mais isso.
Quero acabar com essa dor que me destrói.
Eu, filho do amor e da exaltação,
hei de enterrar em meu túmulo
todo sentimento que em acúmulo
me levou a pecar contra meu coração.
O céu jamais se fez azul sobre minhas pestanas.
Mas quando o encaro, peço que me mate.
Que em meu túmulo se enterrem mentes insanas,
e assim como meu sangue se façam escarlate.
A constrição aumenta em meu peito.
Em meu quarto se mostra desconfortável sensação.
Recende a solidão.
E mais uma vez, a morte atavia o meu leito.
Eu, filho do rancor e da ardente paixão,
Renuncio toda dor.
Amaldiçoo todo amor
que me levou a cair em depravação.
Quando tamanho sofrimento
descera sobre minh'alma,
senti o último momento
em que me fora roubada a calma.
Abnego minha existência.
Já não sinto mais inevitável
vontade de com meu eu ser afável.
Em meu calvário se pagara a penitência.
Eu, filho do ver e da verdade,
através de meus versos encontro piedade.
Oriundo da terra, verdadeiro colo,
anuncio meu retorno ao solo.
Meus olhos, frutos da própria terra,
vis criaturas peçonhentas
que na verdade encontram tormentas,
sua Ascenção encontram na guerra.
Se ao teu ver, minha existência enfraquecida,
em meus olhos, expressão da realidade,
se encontre tamanha debilidade,
toma tua foice, ceifa a estéril vida.
Eu, filho da vida e da própria morte,
a quem rejeitara a própria sorte,
tornara-me da dor, escravo passivo.
À noite, sofredor cativo.
Quando em meu andar
eu hesitar em dar o primeiro passo,
deixe que em meu penúltimo ruflar
se desfaça esse eterno laço.
Elas, cujas lâminas marcam em meu braço
a falta de um único abraço
gritam o notar da minha ascendência.
Seu nome, depressão.
As horas passam e já é tarde; novamente "SEXTOU" e eu aqui querendo saber em que "OPEN BAR" encontrar meu amor !?
O problema é que já tem alguém do seu lado
E eu me sinto tão errado em tentar me aproximar
Por isso mantenho a distância necessária
Pra que não se esqueça, minha cara
Que ao meu lado é um bom lugar
Mais que isso eu não vou fazer, não
Apesar de querer
Para de querer fazer eu me apaixonar
Para de querer fazer eu entrar nesse joguinho
Para de me seduzir pra me forçar a ficar
O meu lugar não é aqui
Mas, se você topar um romance proibido
No meu particular, seu espaço é garantido
