Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
Um dia eu vi um casal de quero-queros
Procurando seu ninho desaparecido
Após a passagem
de um descuidado jardineiro
Eles piavam desesperadamente
Chorando e saltitando
A grama havia sido cortada
rente, muito rente
Aquilo me causou uma profunda angústia
Mas eles não guardaram mágoa
Não fantasiaram vingança
Construíram outro ninho, provavelmente
E seguiram adiante, em suas vidas
Não vivem de passado
Não plantam e nem tecem
deixam sua tristezas de lado
as esquecem
Portanto, não escrevem poesia
Vivem somente o dia-a-dia
Aceitam os desígnios do Criador
Cantam todo dia
A mesma canção
Eles são
A própria poesia
Quero-Quero
Porém, se Deus não der
Não tem problema
desta vida nada espero.
Se eu fosse a vida
me pediria desculpas
me pagaria um sorvete
e me levava pra passear
de carona, na sua garupa.
Se eu fosse a vida
talvez não me tratasse assim
e até sorrisse pra mim
quando fosse de manhã.
Me convenceria a abandonar
algumas dessas ideias malsãs
Essa vida bem que podia
me dar uma trégua
e não fazer assim.
Compreender
que talvez tenha sido ela
que começou essa briga
e me dava
um sopro a mais de vida.
Se eu fosse essa vida
me sentaria ao meu lado
um pouquinho só.
Daria uma pausa nessa briga vã
E que a gente nem se lembra
qual foi mesmo a sua causa..
Me dava um abraço
estreitaria nossos laços
aliviava um pouco esse cansaço.
No frio e solidão dessa madrugada
conversava um pouco
e muito a gente ria.
E quando amanhecesse o dia
eu diria adeus a ela
e com a alma um tanto leve
pra outra vida eu partiria.
Na fumaça que sobe lentamente
Eu vejo em leves lampejos
Momentos de um tempo
Em que eu sonhei em te trazer um doce
Sem saber qual doce que você gostava
Queria dividir contigo a vida
Como se a vida fosse
Uma cesta de framboesas
Ou um pote de cerejas
E juntos beberíamos o chá
Feito de flores de maracujá
E hoje, onde quer que eu esteja
de alguma forma eu ainda desejo
Que você me veja
Pois hoje, qualquer pensamento
traz de volta em algum momento
esse amor que eu sinto
Recheado de framboesas
Amoras e maracujas
E o sorriso que você me deu
E que não foi por causa
de nenhum doce que um dia eu te trouxe
Mas foi porque um dia
Eu olhei bem fundo nos teus olhos
E falei que eu amava você
Eu pensava
Que tudo na vida
Podia fazer sentido
Conforme a vida vai passando
A gente percebe que não sente
Que aos poucos vai perdendo
Muita coisa que realmente interessa
O tempo passa
E apesar de passar
Sem nenhuma pressa
Quando a gente olha os tempos idos
Percebe que a vida passou
Rapidamente
A vida passa de repente
Repentinamente
Sem fazer sentido
Ela te escapa e passa
pelos cinco sentidos
Sem ao menos ser sentida
Inesperadamente
a gente olha e sente
Que a vida passa
e Parece que passou por mim
Com muita pressa.
Eu creio que assim como eu
Todo mundo atravessa,
em algum momento
Aquelas horas
em que os pensamentos
São sempre ruins
E que eu sei, com toda certeza
Que mais ninguém precisa de mim
Tem horas que a gente se arrepende
Se arrepende realmente
Por não ter lido
Tudo aquilo que não leu
Nessas horas
Quase nada faz sentido
E até a luz do Sol me surpreende
E eu sinto que mesmo o Sol
é por demais limitado
E apesar tentar
Não pode fazer muita coisa por mim
Nesses dias
Todas as soluções se escondem
E todos os fantasmas do passado
Saltam das paredes
e vem ter, aqui comigo assim
E o coração sofre, apertado
Apartado de mim
Ele bate apressado
Nessas horas, normalmente
Eu percebo o quanto
Pra mim se tornou coisa normal
Não ter ninguém ao meu lado
Tem dias que parece
Que começam pelo fim
em dias assim
tudo que eu preciso
é somente um simples sorriso
daqueles que eu sei
Eles não vem
Tem dias que parece
Que meu coração é uma máquina
de fazer coisa ruim
Em dias assim
Tudo que eu preciso
é de uma lágrima
daquelas que não vem também
Tem dias que chove
Tem dias que faz Sol lá fora
Tanto faz
Em dias assim
Iguais agora
Quando ninguém pensa em mim
É que eu penso em todo Mundo
Que me odeia de vez em quando
E eu também não gosto deles
por alguns segundos
depois isso passa
Não gostar de gente assim
Não tem mais graça.
Quando eu digo palavras suaves
Ou escrevo alguma coisa sobre amor
Minhas palavras raramente tem retorno
Senão, parecem não surtir nenhum efeito
Muitas vezes vão acompanhadas de gestos
Que ninguém, vê nem repara
Outras vezes por um olhar
Que as pessoas
interpretam de maneira errada
E eu não compreendo
Se essas pessoas são vazias
Ou se eu mesmo não saiba me expressar
Algumas das pessoas, cuja companhia
Eu mais quis...
Se afastaram.
E as que ficaram são aquelas
Que a mim parece que fazem
Um enorme esforço
Em demonstrar o seu desprezo
Mesmo sendo as mesmas que um dia
Tanto fizeram
Pra hoje ter direito
à minha companhia.
Se eu soubesse,
em meus tempos primeiros
Ah, se eu conhecesse
Os reais motivos
de cada passo dessa dança
Teria feito um acordo com o tempo
Ainda nos meus tempos de criança
E, pode ser que hoje
Eu não vivesse como eu vivo
Com certeza eu não sofreria tanto
Talvez eu até nem sofresse
Porém, creio eu
Que se Deus me tivesse dado isso
Eu jamais teria aprendido
O real valor
de cada degrau de uma escada
E vivesse
Sem ao menos perceber
Que antes de mim,
Alguém a construiu, pra que eu subisse
E, como tanta gente
Somente me queixasse
Do imenso trabalho
Que se tem para galgá-la
Enxergando cegamente aquela escada
Como algo que sempre esteve lá
Desde a criação do Mundo
e mais nada.
Eu sou como uma sombra
Que se projeta na calçada
Numa noite
escura e mal iluminada
Alguém
que raramente se encontra
Porém se perde facilmente
E não volta por nada
Um ser magoado e ressentido
Que percebe a ingratidão
No menor ruído que houver
Eu sou como qualquer um
Mas isso não quer dizer
Que eu seja um ser qualquer
Nisso consiste a diferença
Pois todo mundo sempre haverá
de possuir alguma
Meu sensível coração de criança
Faz que eu seja teu melhor amigo
Porém, se eu hoje não encontro abrigo
Não brigo, parece até que nem ligo
Mas à partir de amanhã
Eu serei eternamente
Somente uma ausência e uma lembrança.
Nada
Por haver tanto a dizer
eu me embaraço
por haver tanto a fazer
eu nada faço
por haver tanto a jogar
apenas passo
espero pelo dia
em que eu possa te dizer
tudo que eu via
apesar de tudo
apesar de tardia
apesar de surdo
ainda te ouvia
por haver tanto a viver
eu não vivia
por haver tanto a mostrar
eu me escondia
por haver tanto a chorar
apenas ria
por haver tanto
apesar de tudo
nada.
Quando eu me ponho a em ti pensar
Viajo sem sair do lugar
Vôo até quase o amanhecer
É tão difícil te esquecer!
Felicidade que se foi
És como um espelho
Que reflete a própria imagem
Não vives por mais ninguém
Se eu não morrer em pensamento
Vou viver neste tão longo esquecimento
Como uma nuvem que passou e não parou
e o que jorrava se secou
Não descobri o que mudou o seu olhar
e nem senti o vento frio
Que esfriou essa paixão
Só vejo um dia lá na frente aproximar-se
Para eu imaginar, poder sentir
Todo esse Sol que vai brilhar
E nesse dia imaginário a consciência vai voar
Se nesse dia tão feliz você voltar
Eu hoje tranquei-me em meu quarto
cercado de idéias ruins
luz acesa, a imagem no espelho
Meu Deus, este não sou mais eu
O que este mundo fez de mim?
o que meus pés tocam, não são mais chão
só decepção
Fechos os olhos, mas não sinto sono
sinto apenas abandono
tudo que finda, continua ainda
o sonho um dia vira pesadelo
Tudo muda, qual cor do cabelo
cama dura
vida dura
quanto tempo terei de viver
até que tudo isso se acabe?
o futuro a Deus pertence
o motivo...só Ele sabe
Quando eu era criança os sinos tocavam
Num tempo em que as igrejas os tinham
e que valia à pena ir à igreja
Num tempo em que as águas eram limpas
Um tempo de gente distinta
E até as assombrações tinham respeito
Hoje olho e não vejo mais jeito
Não há mais mistérios
O mistério é descobrir
Como eles puderam existir ?
Hoje eu quero ir pra algum lugar
Onde pensassem por mim
estou cansado de tentar
quero parar e ver meu fim
Quero ir para um lugar
onde não sei aonde
passar por um buraco de minhoca
sentado na janela do bonde
hoje eu quero comer fruta do conde
olhando roupas balançando no varal
nos fundos de algum quintal
Quem sabe o vento me carregue
até que o tempo me vença e eu me entregue
hoje eu quero ir pro céu numa charrete
atravessar o rio
carregando uma moeda pro barqueiro
quero esquecer o mundo inteiro
e a vida que me esqueceu
hoje, tudo que eu queria
era poder sentir um pouco da alegria
de saber que eu não sou mais eu
esquecer o que eu fiz de errado
pois o maior erro que eu cometi
foi tentar fazer que alguém me entendesse
Ninguém entendeu
hoje eu vejo minha vida
como um livro que já foi lido
nesta manhã de domingo
ser colocado numa estante e esquecido.
Hoje eu queria. Ah, como eu gostaria!
De escrever um poema
Que entrasse na ordem do dia
Palavras que a ninguém ofendesse
mas que porém, confundisse
e quando finalmente você visse
Achasse que é poesia
um poema que vencesse
concurso de fotografia
poema que te pedisse
pra aparecer qualquer dia
Que agradasse a Ana Júlia
A Patrícia e a tia Luzia
Que fosse tão interessante
a ponto de ficar exposto
na sala, na sua estante
botasse um sorriso em seu rosto
se a letra fosse miúda
você fosse procurar a lupa
e te fizesse ficar muda
ao perceber o meu pedido de desculpas
uma mensagem subliminar
neste poema tão vulgar
mas eu já sei que não vai ler
então eu vou ficar assim distante
sem um poema em sua estante
e um cantinho em seu coração.
Bailarina aparece-me em sonhos
flutuando me mostra sua dança
vem dançar cá, na palma da mão
eu não sei como e se cansa
de trazer-me esta curta alegria
vem fazer rir meus olhos tristonhos
anuncia a chegada do dia
mais um dia a viver de saudade
eu queria poder te dizer
é tão linda esta nossa amizade
alivia a pena de existir
bailarina, porque tens que ir?
eu te espero outro dia surgir
passa a vida, não passa tua idade
vem menina, vem me fazer rir
hei te te esperar na noite que anteceda
o dia da hora de partir
pra um lugar que não tenha mais nada
nada além de um sorriso de fada
Dez vezes eu tentei
nove vezes me iludi
oito vezes perdoei
sete vezes desisti
seis vezes eu errei
cinco vezes me enganei
quatro vezes eu chorei
em três vezes ninguém viu
duas vezes eu morri
uma vida só vivi
Olhos, ouvidos, cabelos
nada disso sou eu
olhares, pedidos, apelos
nada disso sou eu
tempo perdido, conselhos
nada disso sou eu
palavras escritas, atalhos
nada disso sou eu
Fantasmas, ilusões ou espantalhos
nada disso sou eu
aquilo que eu disse,aquilo que eu quis
pouco dizem sobre mim
todos nós somos apenas
aquilo que não fizemos ou dissemos
todos nós somos a chance
e o tempo que passou
e aquilo que o tempo esqueceu
Eu sou sua alma sagrada
Em outra pessoa encarnada
Imagino-te vazia
Sem poder dividir comigo
Uma vida de alegria
Se minha vida ao seu lado fosse
Eu seria o senhor das batalhas
Vencedor da guerra fria
Marido da Imperatriz
Enfim,eu seria feliz
Simplesmente todo dia
E tudo por ti faria
Se eu pudesse te ver face a face
Ou, quem sabe,você se lembrasse
De algo que o tempo apagou
Que existiu por alguém que pensou
Em poder alegrar o seu dia
Enquanto você dormia
Deitado em meu quarto eu escuto
o surdo silêncio da noite
mais uma noite que se passa
são coisas assim, pequenas
que fazem a vida ter graça
sem sono, a vigília serena
se traduz no farfalhar
que o vento faz nas folhas
coruja lambendo as penas
o crepitar do fogo
só as nuvens despercebidas
parecem enciumadas
de repente se fazem sentidas
trovejando, relampagueando
rompendo a serena calma
mas se ainda chove neste mundo
a paz vai reinar em minh'alma
e faz-me dormir em paz
com as bênçãos que ela traz
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