Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
Se eu morresse hoje
Se eu morresse hoje,
quem sentiria?
Quantas almas em desalinho
carregariam meu nome no peito,
como um grito surdo,
uma ausência que não se explica?
Minha mãe choraria,
seus olhos rasgando o véu do tempo,
e em sua dor caberia
não só o filho,
mas os ecos de todas as suas perdas.
Minhas mãos deixariam de segurar
os pequenos dedos dos meus filhos,
que talvez crescessem perguntando
como se vive com o buraco no abraço do pai.
Se eu morresse hoje,
minha mulher carregaria o peso
de um vazio que o amor não preenche,
e as noites seriam mais longas,
não por falta de sono,
mas pela ausência de risos,
pelos silêncios maiores que o quarto.
Dois ou três amigos,
aqueles que chamam pelo meu nome
com um afeto que só eles sabem pronunciar,
levantar-se-iam mais devagar no dia seguinte,
com o peso de uma saudade
que não cabe no copo ou na música.
E o mundo?
O mundo seguiria intacto,
como segue após a queda de uma folha,
após o último canto de um pássaro na mata.
O mundo não saberia que perdi,
nem que vivi,
porque a dor de uma ausência
só ecoa nos corações que a carregam.
Mas, e eu?
Se eu morresse hoje,
quem seguraria minha própria dor?
A dor de saber que deixei frases inacabadas,
poemas interrompidos,
canções sem acordes finais.
O projeto de uma vida,
essa frase tortuosa e infinita,
sem ponto final,
mas com uma interrupção brusca.
Se eu morresse hoje,
seria um adeus aos livros que não li,
às manhãs que não vi nascer,
aos ventos que não senti na pele.
Seria um adeus ao riso do meu filho,
ao jeito que minha mãe fala meu nome,
à canção favorita da minha mulher,
ao brilho dos olhos de um amigo
quando se lembra de algo bom.
E seria um adeus a mim mesmo,
a esse sonho confuso de ser,
de entender o que nunca se explica,
de existir entre tantas quedas,
tantas fugas,
tantas tentativas de encontrar
a linha que une o começo ao fim.
Se eu morresse hoje,
não seria só morte;
seria o vazio do que não foi dito,
do que não foi sentido,
do que não foi entregue.
E, na última respiração,
talvez eu entendesse:
viver é sempre escrever,
mesmo sem saber o final.
**Se Eu Morresse Hoje**
Se eu morresse hoje, quem sentiria?
Minha mãe, com lágrimas que rasgam o tempo,
meus filhos, crescendo sem o calor das minhas mãos,
minha mulher, habitando noites longas e vazias,
dois ou três amigos, mais lentos no amanhecer da saudade.
E o mundo?
Seguiria, indiferente, como após a queda de uma folha.
Mas eu?
Eu sofreria o peso do inacabado:
poemas interrompidos, abraços que não dei,
a linha invisível que une início e fim,
cortada abruptamente.
Morrer hoje seria mais que ausência.
Seria um adeus ao que não vivi,
um vazio gritante do que não foi entregue.
E talvez, no último suspiro,
eu compreendesse que viver
é um texto sem fim,
escrito no escuro do tempo.
Meu Pranto
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
A dor que dói deixa a marca sem furar
E eu não consigo um minuto me calar
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Meu violão não aguenta mais sofrer
Quebra as cordas com saudade de você
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Não tem papel nem caneta pra escrever
Falta argumento pra que eu possa te dizer
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Leva meu pranto, meu dissabor
Por isso eu canto, pra espantar a dor
Queira eu falar ao ouvido do mundo,
Poeta rouco, que sabe pouco dessa função.
Mas, agindo com bravura, fingindo loucura,
Alcança, sem rima, a erudição.
Poeta nasce por acaso,
Entre um suspiro e outro do caos...
O absurdo me atrai; diante do abismo,
Acelero o passo. O rito sacrossanto
Repete o mantra da má sorte,
Que suplanta qualquer dúvida da esperança,
Que pergunta ao homem sobre a eternidade
Vida sem Fim — O Tempo em Paz
Eu caminhei por entre os dias como quem pisa vidro.
Havia um relógio enterrado no peito e toda manhã era ferida.
Mas então... o tempo morreu.
E no exato momento em que o tempo expirou, nasceu a paz.
Viver sem fim é como dormir sobre nuvens de silêncio.
O céu já não cai. O chão já não ruge.
As horas não nos perseguem mais com sua foice sutil.
Tudo repousa. Tudo canta.
E o homem, enfim, contempla.
Sem a urgência do fim, a alma se deita no colo da eternidade.
E sonha desperta.
A arte deixou de ser grito.
Agora é sopro.
O gesto não busca o depois — ele floresce no agora como um lírio que jamais murcha.
Ah, viver sem fim...
É ver a infância reaparecer no rosto dos antigos.
É caminhar em jardins que se abrem só quando o espírito está limpo.
É colher frutos que não apodrecem e ouvir árvores sussurrando segredos que esperaram séculos para serem ditos.
Ninguém corre.
Porque tudo vem.
E tudo é.
A morte virou lembrança. Um vulto que se afastou devagar... até desaparecer.
Agora se ouve o som das estrelas.
Agora se escuta o pensamento dos rios.
Agora se entende o silêncio.
Há os que escrevem poemas sem fim — versos que se alongam como rios de luz,
e há os que leem o céu como quem lê um livro antigo, com os olhos marejados de compreensão.
Não há pressa em aprender.
Nem medo de esquecer.
Pois tudo o que é verdadeiro permanece — como o nome gravado no coração da Terra.
E eu, que um dia temi o escuro...
Hoje acendo lâmpadas na alma dos outros.
Porque viver sem fim é isso:
transformar cada instante em eternidade.
Por Evan do Carmo
Era outubro, na cidade velha de pedra,
de areia e espanto.
Foi de propósito — que sem querer — eu te olhei.
Você também, sem disfarce, me encarou.
E eu pensei: o que é tudo isso?
Artifício do acaso, ou um descuido da dor?
O tempo parou.
O céu ficou suspenso.
A primavera se atrasou.
A luz dos teus olhos me iluminou —
quando dei por mim, era verão.
Como parece ao vento
eu sussurrei um monólogo
Sem melancolia, nem saudade.
Quando tudo terminou, como num sonho
Inefável, eu aprendi a soletrar
A palavra eternidade.
Confissão de um artista incompreendido
Eu só sou artista quando escrevo.
Tocar, cantar — tudo isso, por mais que me habite, me degrada. Há um processo silencioso de deterioração da minha alma artística quando tento me expressar fora da palavra. Como se algo se perdesse no ar. Como se aquilo que eu sou, no fundo, não coubesse no gesto ou na voz.
Minhas melodias? Eu as crio em catarse. Elas nascem do abismo, do indizível, mas raramente alcançam quem ouve. Alguns me dizem, com um sorriso breve: “muito legal.” Outros me parabenizam — por educação, talvez. Mas eu percebo. Eu sei. A língua que falo, com minha arte, não chega audível aos seus ouvidos.
Eles não escutam o que eu ofereço. Escutam outra coisa. Um som qualquer. Um ruído bonito, talvez. Mas não escutam eu.
É por isso que, quando escrevo, me sinto inteiro. Porque sei que um — um só já basta — um leitor, em qualquer tempo, há de entender. Há de perceber. Há de aprender a língua secreta do meu ditirambo. Porque a palavra escrita não exige pressa, não pede aprovação imediata. Ela se deixa ler por quem for capaz de ouvir o silêncio entre as sílabas.
E é ali, nesse instante invisível, que eu sou artista por inteiro.
FARDO
Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer.
Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você...
Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você.
Diz o poeta, com razão:
Que amor demais dá combustão.
Acende o fogo da paixão,
Mas toda chama, um dia, apaga.
E todo amor, meu bem, um dia acaba...
Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer.
"A frase mais impactante da história é essa: Antes que Abraão existisse, Eu Sou (João 8:58)
Não existe ninguém maior que Deus!
Nem em atitude, nem em pensamento, nem em poder"
"Deus sempre foi bom pra mim, até mesmo quando eu so tinha lágrimas nos olhos, Ele me deu seu ombros como consolo, e me estendeu as suas mãos"
Ha muitos anos quando eu era crianca meu pai já dizia :
Filho, nunca se esqueça um casamento é composto de duas
partes que se completam, a Mulher e o Homem;
A mulher é a metade e o resto é
o homem...
"Quando era criança eu
chorava de saudade das
pessoas que eu gostava
sem entender o sentimento
Hoje eu sei que ela é a
válvula de escape pra aliviar
as dores da alma quando as
lembranças maltratam"
ECOS
Se a palavra me encanta
Eu sou encantado
Num verse que vem
Lá do coração
Fazendo da rima
Razão dessa vida
Eu sigo essa trilha
Sem perder a mão.
Não digo obrigado
Porque eu não sei
De onde é que vem
Essa inspiração
Apenas eu vou
Seguindo o caminho
Como um passarinho
De arribação.
Olhando pro céu
Vejo o infinito
E do silêncio
Eu escuto grito
E tendo o meu resto
De pranto banhado
Fico admirado
Com o inaudito.
Na beleza humana
De um homem que sofre
Mas no sofrimento
Encontra razão
Eu um simples humano
De essência tirana
Não percebo a gana
Da humanização.
Não vejo o amor
Nos olhos de quem
Diz que a filho ama
Porém escraviza
E em nome talvez
Do que chama progresso
Em um retrocesso
Me tira a camisa.
Sou apenas tristeza
Nas coisas que digo
Não sirvo de abrigo
Para a ilusão
Porque ancorado
Na realidade
A dor me invade
E me rouba o perdão.
Meu erro
Eu tirei a armadura para te abraçar e sentir com a minha alma o seu calor inundando meu corpo... E você, me destruiu no meu engano, me derrotou no meu território: dentro do meu peito.
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