Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce

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Seeu morrer de saudade
o amor vive em mim,
se eu viver
de lembranças do amor é o fim...

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É triste ser feliz, eu já fui triste um dia...

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REFLEXO
Eu quero esquecer o passado
Mas tenho medo
Eu quero esquecer o medo
Mas tem o passado
Eu quero esquecer o sorriso
Vermelho do palhaço
Mas tem o espelho
Eu quero esquecer o vampiro
Mas não tem reflexo no espelho
Eu quero esquecer que sou fraco
Mas tenho meus complexos
sou fraco, caio de joelhos
Eu quero esquecer a lua
mas tem a janela como uma moldura
Tem o lago prateado com a sua candura
tem o seu reflexo
Tem o lobisomem que resistiu ao folclore...
.Tem a estrofe de um soneto feito uma tocaia
Tem a lembrança de tua saia
Ao vento tem este querer imenso...

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STRAUSS

Daqui a pouco talvez eu esqueça,
Depois dessa noite,
Depois da lua minguante,
Depois de todas as luas,
Se a magia de tudo
Ainda mantiver suspensas as estrelas,
Todos os satélites,
Se ainda existir magia...
Talvez algum dia eu esqueça,
Se eu cair e bater a cabeça,
Quem sabe uma amnésia aconteça,
Se o mundo explodir talvez eu desapareça
E comigo a lembrança da tua boca pedindo,
Das tuas mãos pegando
Das tuas pernas valsando... valsando...valsando...

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Eu me equilibro a mil metros de altura,
numa espécie de slackline emocional...

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PASSARADA
Bem te vi cantou teu nome...
Eu sempre quis te amar,
Quando vem manhã na serra,
Bem te vi me faz lembrar,
Que o amor engana,
Já que canta bem te vi,
E voa para bem longe...

Quando chove no sertão,
A passarada se agita,
Mil pardais no mangueiral,
Juriti foge pra serra,
Anuns a lamuriar
na caatinga espessa,
Corrupião na mangueira
Furando manga jasmim,
Sanhaçu voa de par,
Querendo fruta madura,
E a candura do algodão,
Clareando pela tarde,
Do teu sorriso e ternura,
Lembra-me felicidade...

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NAUFRÁGIOS
Umas me deitavam
Outras me cobriam
Sempre dei a sensação
De que era eu a caça
Era uma armadilha
E nunca deixei de ser ilha
E nesse mar de solidão
Elas se afogam
E pela madrugada
Vou recolhendo na lembrança
O que restou dos seus naufrágios...

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Eu só quero fazer poesia...

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CONTO
E quanto ao teu olhar e o teu carinho,
Meu ninho e meu encanto
Eu canto, eu conto,
Eu sei que nem existo
Meu verso é corvo louco
Perdido no deserto
E longe eu não sou nada
E perto eu me desfaço
Em miragens que me cercam
Curiós e odaliscas,
Lagos e horizontes
Tudo como o último beijo
No penúltimo sonho
E quanto a você,
Uma visão é tão pouco
Fica o encontro marcado
Para o próximo sono
E eu me abandono
Ao abandono
Surgindo numa esquina,
Quando a alma se declina
Eu vagabundo
Me dou conta
Que nada conta
Que nada tem sentido...

Inserida por tadeumemoria

OUTROS SONHOS
Enquanto a aranha tece sua teia
No porão, eu penso a caminhar
Sobre as campinas,
Passando por cima da minha emoção,
Voltando ao passado,
Derrubando edíficios,
Que agora cercam a minha visão,
Operários bem equipados,
Bem aparelhados,
Erguem torres e coberturas,
Improvisam um elevador,
E a igrejinha do meu casamento,
Onde com tanto srntimento,
Jurei meu amor,
Sua única torre ameaçada por um guindaste,
Enquadrada por andaimes,
Badala seu sino,
Agora abafado por tantas paredes,

E nos campos, onde floresciam meus sonhos,
E eram verdes como as campinas,
Embalados por passarinhos,
Que emigraram para outros campos,
Para compor outros sonhos...

Inserida por tadeumemoria

meus cabelos pratearam
mas minha paixão se arrasta
feito criança
e o tempo que eu tenho
é o que me resta de esperança...

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ILUSTRES SEM LUSTRES
Sou neto do bisneto do Coelho Neto
Eu também sou ilustre
Sem lustres no meu teto
A lamparina é minha inspiração
Conheci a neta da empregada
Da bisneta da Princesa Isabel
Conheci D pedro ll,
Segundo rufino Balacobaco
Que plantava fumo e fabricava tabaco
Sou primo do agripino
Criado cheio de mimo
Que falava fino e e tinha má rputação
Duques e Barões de Coimbra
Vendiam laranjas e abacaxis
Nas esquinas da Chatuba
E falavam da invasão inglesa em portugal
Descendentes da burguesia lisboeta
Viviam de quitandas e padarias
Nas periferias da baixada fluminense
Oferecendo laranjas e tangerinas
Ou pães e sonhos
Aos que um dia foram colonizados...

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O que eu tenho de melhor é saber nada ter...

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CIO

sabe como olhar,
como andar,
quando olhar,
caminha na minha frente
como se eu fosse santo,
fala comigo como se eu fosse o seu amo,
se abaixa como se eu fosse cego,
senta na minha frente
como se eu fosse de ferro,
eu também sei sonhar,
eu tenho um coração e um tênis,
não aguento mais maracujina,
pra essa febre só novalgina,
sorri pra mim como se eu fosse um beato,
me toca como se eu fosse Buda
esquece o decote,
o perfume que exala,
minh’alma se perdendo,
minha língua pedindo...
não percebe o desejo consumindo,
chega tão perto que eu farejo o cio...

Inserida por tadeumemoria

AS SEGUNDAS

As segundas são longas,
As noites são tensas,
Os anjos fenecem nas esquinas,
Eu faço um poema,
Porque eu sou a poesia,
Porque não sei cantar,
Eu escrevo porque não quero esquecer
As rimas perfeitas que surgem
Assim repentinas...
Eu caminho tão triste,
Eu caminho tão só,
Eu caminho
Porque caminhar é o caminho...
Não sei se amo porque sou poeta
Ou sou poeta porque amo...
Mas amo tanto, que de mim me esqueço
E esquecido assim, no meu mundo
Menos poeta e mais vagabundo
Eu amo tanto e nem te mereço...

Inserida por tadeumemoria

A NÉVOA
Às vezes libertam-me da camisa de força
E eu esqueço a forca,
Esqueço a corda pendurada,
Escrevo as emoções
Que certamente não são só minhas ...
Rufino comeu a empregada...
Rufino comeu a empregada...
Rufino comeu a empregada...
Então chegam os azuizinhos com a injeção,
Chamam de sossega leão...
Rufino comeu... Rufino comeu... Rufino comeu...
Vem a névoa, uma sonolência...
Deus ostenta um estetoscópio
Todos lhe obedecem,
Não vejo Santíssima Maria...
Pela manhã a algazarra,
Alguém “caiu”da escada,
Alguém não acordará nunca mais...
Meu caderno ainda está sob o colchão,
Meu coração está em transição...
Tenho uma certa taquicardia ,
Mas sem a camisa eu escrevo...
Sempre soube que era um pouco louco,
Mas, filósofos dizem que o louco
Sabe de tudo, só não sabe disso.
Às vezes temo nunca mais acordar...
Às vezes temo Rufino...
Rufino comeu a empregada...
Rufino comeu a empregada...
Não suportava mais sopas de legumes.

Inserida por tadeumemoria

Escrever agora é um hábito
É como tomar café com pão pela manhã...
eu sou metódico, sistemático...
talvez umpouco enigmático...
mas o que fazer com tanta sensibilidade
o que fazer com tantas possibilidades
o que fazer com a cidade
na palma de minha mão
o que fazer com o deserto
no olhar da mulher
eu bebo o meu café
e como o meu pão...

Inserida por tadeumemoria

Amar-te-ei tanto
que estaremos sempre juntos
e mesmo quando eu for defunto
haverá esse encanto...

Inserida por tadeumemoria

Silenciosamente eu canto, eu toco um violino, e a harpa... uma harpa angelical me acompanha.

Inserida por tadeumemoria

Sob a chuva e o clarão dos relâmpagos,
na alma, no âmago, o desalento de qualquer pagão,
eu tento entender a noite e suas dores,
quanto mais amores mais dor no coração...

Inserida por tadeumemoria