Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
Eu sou a tempestade que se forma nos pequenos cálices.
O leite que transborda na fervura e se deixa derramar. Quando me dou conta já falei, já magoei, já conquistei ou despertei... Eu não sei ser de outro jeito.
Sou feita da intensidade das coisas imediatas e da vontade de abraçar o mundo - e de ser abraçada, também.
Talvez eu seja um pouco do oposto, um muito da contradição, um tanto do antônimo... Sou complexa mesmo, uma miscelânea, uma confusão sentimentalista e tempestuosa. Um singular humano.
Chove lá fora, e aqui dentro também. Talvez a tempestade maior esteja mesmo aqui, no meu coração. Eu sempre gostei desse termo, me afeiçoei a ele desde muito cedo, quando entendi a proporção dos sentidos figurados. Para mim, o significado maior de uma tempestade estava em seu poder de desolar o que não presta, derrubar o que já não podia mesmo ficar em pé. Mas hoje, com esse vendaval aqui no coração, percebo o quanto eu estive equivocada o tempo todo. As tempestades destroem também o que é firme. Arrasam até mesmo as relações mais concretas. Abalam pensamentos fortes. Decisões tomadas. Levam embora destinos traçados. A gente entra no meio da tempestade sem pedir, sem querer, sem precisar... e pronto. Vai tudo pro bueiro. Nossas estruturas internas ficam à margem do risco, sujeitas a desabar. Eu não quis assim, mas a tempestade levou. Levou de mim todas as certezas, todos os pontos a meu favor. Mais um porto, antes seguro, se tornou abismo. E eu, que nunca gostei de calmaria, agora anseio por ela. Quero poder desfrutar mais do morno, do ameno, do tranquilo. Quero um colo pra deitar e olhos pra olhar. Abraços. Uma toalha seca e mil lençóis amassados. Um refúgio, um carinho. Eu só preciso que pare de chover. Ou que chova em outro lugar. Por aqui, dentro de mim, não sobrou nada.
Tô cansada das pessoas, dessa mania que elas têm de achar que são donas umas das outras. Eu quero paz, companheirismo, diversão, um dia diferente do outro. De rotina, já basta a minha cara que é a mesma todos os dias. Quero pés quentinhos em um momento, e cerveja gelada no outro. Quero diálogo, compreensão e afeto. Quero notícias - boas, de preferência - quero matar essa saudade do desconhecido. Quero amor. Laço que não aperta, que não sufoca. Laço que enfeita e não amarra. Laço infinito.
Mesmo depois de tudo, eu ainda te desejo um arco-íris de todo mal que guardo. E me calo por todas as vezes que te bato com uma flor com medo de sentir o teu sofrimento dentre a maciez das pétalas. E não diga que nunca decorei os teus detalhes, pois os descubro em mim, ocultos pelos meus poros, tatuados em forma de poesia. Tinha o controle dos meus pensamentos quando não te avistava no horizonte das minhas vontades, o que raramente me persuadia.
Você me transformou num refém de mim mesma, sem objeções. Nas noites à toa num banco de praça, descobria você na minha cura para o tédio e até lhe encaixava na minha pasta velha de tristezas bonitas. Lembrava que o infinito era logo ali, quando eu te abraçava e ria do combustível que era o fogo dos teus olhos nos meus. Seus olhos. Eram eles cor de terra e os mais bonitos da cidade. Eram os meus olhos. Os seus olhos eram versos rimados, um poema que me vislumbrava ao ler. Eu estava ali o tempo todo, apenas mais um trançado de estrofes vagas que existia numa linha na palma da tua mão. Não me importava. Porque eu amava o imperfeito e as cores que te traziam pra mais perto, mesmo quando você fazia procurar demais por desculpas que eu nem sabia que existiam.
Ao fim, você foi embora como um cometa, um daqueles feixes luminosos que não ancoram no céu. Encontrava-me então perdida em tudo que você me disse, uma linha reta de palavras desenroladas. Aí talvez, por alguma distração, torço para que eu seja reescrita numa dessas ruas de quase-amores e suspiros inquietos. Aí talvez eu tenha sorte. Ou, quem sabe, eu nunca a embale de novo por constatar, pela milésima vez, que você também era a minha sorte, assim como a minha guerra perdida. Para as texturas que só enxergava em ti, o tempo me presenteou com as lembranças de hábitos tão teus. Este era o problema, o tempo não atrasava a minha melancolia, não retardada as minhas aflições, a escassez da tua acidez. O tempo não chorava, não contava a ti que na terça-feira passada eu não dormi por tua causa.
Foi em você, moço, que encontrei minha primeira tempestade, e ainda sinto o gosto das ondas dançando com as marés que não me tiravam do lugar. E mesmo distante, me sucumbindo, lá no horizonte, me desarmando com a indiferença. Mesmo assim, me pergunto sobre qual é a estrela que preciso pra conquistar você. Falho nas constatações, na união do existente, convencendo-me entre um ou dois soluços de quê não vai adiantar de nada multiplicar as coisas.
Trapaceei no jogo do amor e acabei perdendo os bônus de uma forma não muito bonita. Quis abraçar um mundo denso num mar de nuvens ilusórias, um inferno que não era meu. Bordo este conto em notas desafinadas enquanto o visto de maneira sutil. Pouso os olhos suavemente num ponto fixo enquanto tento encontrar meus erros numa escolha que não decidia apenas o meu rumo. Minhas palavras flutuavam até onde estavas como se soubessem exatamente para quem foram declamadas. E no intervalo de dois cigarros e quatro puxadas de ar, eu lhe tinha nas mãos, controlando as pontas dos meus dedos. Tranquei a respiração até o último ponto só pra não te perder pro suspiro de novo.
Eu vou te eternizar em literatura já que o eterno do nosso amor não durou uma primavera. Vou transformá-lo em estrofes só para não esquecer de ler a poesia e lembrar do encanto do teu riso.
Esse é o mal do poeta – pensei, vê vitrais em espelhos trincados.
GOSTARIA DE ESCREVER E TE DIZER
EU TE AMO EM RIMAS E VERSOS
MAS QUEM SABE UM DIA EU TE CONFESSO
QUE PRA DIZER EU TE AMO, NÃO PRECISO NEM DE RIMAS NEM DE VERSOS
É SÓ DIZER AQUI,ALI,ACOLÁ
QUE TE AMO EM QUALQUER LUGAR
QUE VOCÊ VÁ.
É no silêncio que eu me faço verdadeiramente presente, expressões são insuficientes para a quantidade de energia de uma alma que mal cabe no próprio corpo.
[25/05/2014]
E eu ainda lembro de tudo. Lembro do café que bebia correndo, pois preferia dormir mais cinco minutos, lembro da bochecha rosada por dormir sempre apoiada do lado esquerdo, lembro do cheirinho de shampoo, lembro do teu perfume aromatizando o quarto. É eu ainda lembro, como um rastro de pedaços que surgem por onde caminho, você ainda está aqui. Só aprendi a amar por inteiro, como olhar a noite, não sei ocultar as estrelas vivo tudo por inteiro. E foi entregando meu coração por inteiro que hoje sou feliz, sim, mesmo só sou feliz. Feliz por saber que cada vez que me chamou, lá estive. Por cada presente, flor ou carinho que lhe dei foi com imenso amor. Sim, realmente sou feliz por inteiro, não por perder-te, mas por ganhar-me. Hoje me completo só, sou feliz só, sou bobo só, quem chega transborda e se gostar já faz morada. E, assim, você disse que não deixaria rastros, mas deixou. E sabe que é bom, gosto das lembranças elas confortam como o cobertor no frio, mas não esqueça "você deixou rastros e não saudade".
Me espanto com a hipocrisia das pessoas que se fazem de indignadas porque eu falo o que a maioria pensa, mas não tem coragem de assumir.
Quando uma mulher te pergunta "sabe o que eu estava pensando?", na verdade ela quis dizer "sabe o que decidi?"
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