Eu Errei me Perdoa Poesia
Porque eu quero fazer
O caminho de volta,
A começar por aquilo
Que me inspiro, penso e falo,
Desejando transformar
Somente em todo o carinho.
Não há autoritarismo
Que siga para frente,
Sempre que a vontade
De vencer e a esperança
Forem sem demora reunidos,
A fé na vida faz o paraíso.
Quem ofende a liberdade
Sempre merece o meu riso,
E quando a mim resiste
Desestruturo com os meus
Versos até fazer passar
O conflito e a tempestade.
Pensar jamais será ofensa,
Sentir e se expressar
Constroem Nações inteiras,
Não paro de por ti exigir,
Porque se livre te farei,
Assim livre eu permanecerei.
Timbó Profunda
Eu, poetisa, da cidade vizinha,
te celebro por tudo aquilo que
fostes, és e sempre será na vida.
Ando contando no calendário
os dias da Festa do Imigrante
que para setembro foi transferida.
Eu, poetisa daqui de Rodeio,
te celebro até mesmo
enquanto a festa não vem.
Porque te amo do alto e com
o mesmo balanço do Morro Azul,
És filha bonita de Santa Catarina
e jóia preciosa da Região Sul.
O tempo está passando
e eu não estou brincando,
Muitos ali morreram,
e eu sigo clamando...
O pedido de socorro ainda
não chegou na caixa-postal
correta para salvar as vidas
dos heróis feridos de Azovstal.
O tempo está passando
e ninguém está escutando,
Muitos ali morreram,
e eu sigo gritando...
Poetisa Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
assim eu sempre sou,
do Norte até o meu Sul,
de Leste só Oeste,
Escrevo para fazer
da rotina algo que preste.
Rodeio lá no Nova Brasília
Rodeio lá no Nova Brasília
eu me encontro com
a nossa gente tão querida
perto da BR-470
chegando quase em Ascurra,
Rodeio lá no Nova Brasília
tu levas com toda a ternura,
e por ali fico contigo festiva.
Rodeio lá no Nova Brasília
eu escutei aquela cantiga
que cantava a minha Noninha,
Memória de infância
sempre vale mais que toda a poesia.
Onde eu amarrei
minha alma pegando
até inspiração como
esta emprestada
para fazer a consciência
da América Sul libertada
diante de um rumo
incerto e não sabido.
Desde o dia que você
deixou de acreditar
na sua Nação estamos todos
nadando em céu naufragado,
e ouvindo o eco da nossa voz
em pleno Oceano Atlântico
pedindo que resgatem o Esequibo.
Muitos estão se distraindo,
imobilizando o tempo no exílio
e eu um poemário épico
tenho escrito pela liberdade
de um General e uma tropa
presos por causa
de um brutal autoritarismo.
Não me peça
conselhos de amor,
Por favor, não insista,
eu apenas sou poetisa,
E poetas não sabem dar
conselhos de amor;
Todo o poeta só sabe
nesta vida é viajar.
Eu sou poetisa,
e conselhos de amor
eu não sei dar;
Tenho a minha própria
vida para cuidar,
E no amor do outro
ninguém deve se meter.
Uma coisa certa
posso te aconselhar:
Sempre que invejar
o amor do outro,
Você pode perder
a chance de perceber
o teu amor chegar.
As pessoas reclamam,
a irmã reclama,
Os amigos reclamam,
todo mundo reclama,
E eu que não tenho nada
a ver com a História também,
Devemos ser solidários
para o nosso próprio bem.
Enquanto reclamo fico
contando e recontando tepuis,
e assim tem sido desde
dois mil e dezoito pouco
depois da prisão injusta
que o General preso continua
passando por pelo aumento
de restrições ainda mais
fortes junto com outros
presos de consciência
em Fuerte Tiuna.
Ah, eu sou a voz da minha
Mãe que pela vida
do velho tupamaro e pelo
Esequibo também reclama,
Não se esqueçam disso,
dele que está passando
por greve de fome há mais
de vinte dias e com a vida
em perigo porque
a Justiça não dá ouvidos
O quê é de política é de política,
E o quê é de direito
de recuperação territorial
É de direito
de recuperação territorial;
Em vez de quedas de braço
inúteis já deveriam ter
feito a reconciliação nacional.
E no Yuruani-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.
Eu sou o poema
da dupla fronteira
venezuelana e brasileira,
E de todos os povos
originários do continente.
Do Império não
prevejo o melhor,
porque essa história
eu bem conheço,
sei que não dá para
abrir mão do receio.
No relógio da vida
eis o giro do tempo,
que não venha mais
nenhum tormento.
Porque da trincheira
sou o último soldado,
ideologia poética,
aceno total de paz
e oração de devota:
implorando a liberdade
do General e da tropa.
Eu sei bem
quem eu sou,
e que em dias
normais quem
veste calças
escreve poesias
para inquietar
e em outros dias
quem veste saias
escreve poesias
para perturbar.
Quem possui
pensamentos
de libertação,
quem é poeta
não é liderado,
me leve a sério:
o autoritarismo
mora ao lado.
Quem nasceu
herdeiro de um
vero legado,
sabendo que há
prisões politicas,
jamais seguirá
em frente e calado.
A cautela exigida
Que eu deveria ter
Por andar sozinha
E nua nessas letras,
É fazer a mensagem
Caber na métrica.
Não consigo retê-la
Porque a injustiça
Assombra o peito,
Ela criou o preso
E arremessou
Para bem longe
A cons(ciência)
Da tua cabeça.
A liberdade espraiou
Nos corações
Dos eleitos guardiões
Das Américas,
Os sinos não hão
De dobrar nem por ti,
Devolva cada filho
Da onde o senhor
Não deveria ter tirado
Da austral realidade,
Aprenda a conviver
Com a verdade.
Por andar
Sozinha
Eu deveria:
Ter cautela.
Só consigo
No máximo
É equilibrar
O quê escrevo.
Em dias
Normais
Deixei tudo
para trás.
Sei que te
Impuseram
O tirano
Silêncio.
Em todos
Os tempos
E verbos,
Por ti não
vou parar
De gritar
Em todos
Os versos:
-Que não
aceito!
Seguem não
Temendo
Nenhum veto,
Meus poemas
São pacíficos,
Mas estão
Em protesto.
Não nasci
alheia,
me aturem,
Mas não
me lancem!
Porque se
for assim
para longe
eu corro,
para criar
impulso.
Do destino
a dançarina
predileta
do abismo,
eu sou provocadora,
notória
e declarada
ironia.
Nota celestial
da canção
de um mês,
Escândalo
vizinho
da onde
o silêncio
virou freguês.
Amanheceu
mais um dia
sem notícia,
Exatamente
como eu
imaginava,
É por causa disso
que não mais
não me permito
não tocar
neste assunto,
O silêncio
tem sido
indecente
e abusivo
e não está
parando
de transbordar,
é de direito divino
não parar de falar.
A necessidade pede
para a luz racionar,
Notícias do General
e da tropa eu quero escutar
e saber da harmonia voltando a reinar.
🍃🍃🍃
🍃🍃🍃🍃 Dois generais
foram degradados,
E sobre o General
e a tropa
Todos seguem
super silenciados.
🍃🍃🍃
🍃🍃🍃 Em exílio,
presos, tristes
ou fugindo estão
quase todos os Generais,
e não ter notícias
do General e tropa
vem me consumindo.
🍃🍃🍃
🍃🍃🍃
Quero paz
e não a guerra,
Estou a espera
do General e da tropa.
Pergunto: quando
a vida recomeça? 🍃🍃🍃
🍃🍃🍃
Um General e uma
tropa em detenção
é fortuna para qualquer
poeta lamentar,
e orfandade plena
para uma Nação chorar.
No alto da madrugada
ainda estou processando
que eu fui mais uma
pela jornalista enganada.
Não me importo,
porque por gente assim
jamais eu mudarei;
pelo valor da vida
jamais desistirei
de dedicar o meu louvor.
No alto desta madrugada
peço que abandonem
a cultura de truculência,
e aprendam ter paciência.
Importo-me com
o General, a tropa
e por cada um deles
tenho escrito e revisto
os meus poemas:
registrando os fatos,
assim os prevejo
fazendo história,
resgatando a união
e restaurando a glória.
É preciso permitir
fazer um pacto
com a reconciliação
e com o perdão,
para que o amor
volte ser o condutor
da tua Nação.
De poetisa
ao antigo poeta
da rebelião
que na calada
da noite
eu sei que
me lê,
e que 'vendeu'
a alma
em troca
do mundo
deixando
a poesia
à revelia
e conseguiu
na vida
se perder:
confio que
o Comandante
lá do céu
nos vê.
Não era para
ser assim,
e nem ter
sido assim,
ter falado
o quê não
devia sobre
o General,
você nunca
mais será
o poeta
de antes
para mim.
Ver inimizades
onde nunca
houveram
para se
segurar
naquilo
que passa
não é útil
para mim,
para ninguém
e para você,
preferia vê-lo
anunciando
a pacificação
que renova
e prospera.
Muitas vezes
escrevo além
da conta,
e falo até
o quê não devo;
é uma forma
de me defender
do mundo
que nos faz
brutos por medo.
Quando eu havia
lido essas palavras
do Presidente
interpretei de
maneira
precipitada que
a luz havia voltado:
"hemos recuperado
el cuerpo eléctrico
del país y no
podemos
dejar que se
caiga de nuevo".
A luz
voltou,
mas não em
todos os lugares
e a água ainda
está a caminho,
da mesma forma
espero que
a reconciliação
encontre o seu
destino porque
opositores
e defensores
estão reunidos
para vencer
este ataque
produzido
por culpa do
Império do Inferno,
faço votos que se
encontre e puna
os autores desse
crime bárbaro.
Por que me preocupo
com essa falta
de luz e água?
Porque eu quero
saber como está
o General preso
injustamente
há um ano,
pois ele está
muito mal
fisicamente.
Quero saber
como está
o Luís Carlos
que foi preso
abruptamente,
quero saber
de tanta gente
e de quando
virá a liberdade
daqui para frente.
É o abuso do absurdo
com o nosso coração:
os planetas dançam,
as horas passam,
eu não sei de nada
e você também não.
O mundo rodopia,
e nós sequer sabemos
dos presos políticos
detidos nas duas siglas
o quê sobra é a grave
e cruel silenciação;
a única certeza
que todos nós temos
é da plena escuridão.
Que venha a luz
e que acabem com
o silêncio de metal
que está sufocando
a minha poética de
um jeito sem igual.
