Eu Errei me Perdoa Poesia
SILÊNCIO
Rua vazia, folhas de árvores balbuciando conforme a direção do vento. Frio pairando como se já fosse. inverno nada de cães a revirar o lixo em busca de comida. não há discussões calorosas sobre futebol. Hoje o bar está fechado. Casa pequena e organizada
Nenhum olhar que chore sua ausência. Nenhum sorriso que se Alegre ao ver tua face.
O contemplar de um olhar
Esse querer estar
Sem poder ficar
Esse passageiro momento
Buscando o regressar
Contínua procura
De um profundo olhar
Esses olhos cheios de alma
Imensos de si
Na profundidade do aconchego
Que se desejava morar
Longe de um fugaz instante
Perto de uma eternidade
De um profundo olhar
Igual a você não há, encontrei tudo o que procurei a vida toda, e o mais louco é que foi por acaso, você sorriu e pronto, eu sabia que seu sorriso era tudo aquilo que faltava, uma noite só não me satisfaz, todas as noites não são suficiente para demonstrar o quanto te quero.
Já disse que seu sorriso é lindo né? Acho que toda vez que te vejo, então me diz como faz pra ter esse sorriso todas as manhas me dando bom dia, mesmo que não possa te chamar de minha agora, eu não tenho pressa, tem certas coisas que assim como vinho quanto mais passa tempo, mais gostoso fica, preciso de ti e tu precisa de mim, escrevo em um caderno, mas seu corpo é o melhor papel em branco para escrever com meus lábios.
Dor existencial - 1
Minha alma grita dúvidas, e incertezas
sedenta de respostas, em dor existencial
procurando novos caminhos, e mais clareza
revira-se todo meu ser, em busca do essencial.
Minha mente embaraçada de pensamentos
meus sentimentos em tormenta visceral
se afoga em suor e lagrimas, de meus argumentos
me posiciono diante do real, e do surreal
Advogo a meu favor, mas vem uma voz alta
tinindo em fúria cheio de acusações
fico entre o certo e o incerto, enfialta!!!
Travo uma luta contra meu eu, cheio de aspirações!
Lembre-se bem de suas origens
a vida é uma montanha russa enlouquecida
Olha bem seus atos de sacanagens
Nunca ignore uma mão estendida.
Nunca se sabe o que me espera
mas há certeza de ter diversos encontros,
Egocentrismo é algo que me da nojo
Nunca elogie a si mesmo, se houver elogios, que venham dos outros.
A mente manipula o corpo
O corpo inspira a alma
A pureza que se adepta a esse mundo superestimado
Não se dão conta o sangue no qual foi derramado.
Meses se passam e a esperança se passa longe
Manusear essa palavras é algo trabalhoso,
Saber o que se fala é algo laborioso,
Mas sempre no final se sai orgulhoso.
Ja dizia que quem a aprender a escrever
conhece o peso da caneta,
Cada verso simbólico que ele fez e se arriscou
Sabe-se de tanta coisa que o poeta nunca morreu, Foi ao inferno e voltou.
O Poeta Voador
Dizem que a dor e o amor fazem o poeta.
Dois lados de uma mesma moeda,
que ora dá cara ora da coroa.
Fica a bipolaridade ora feliz ora triste... consistentemente insatisfeito.
Mas de quem é o problema? Do que ama ou do amado?
No fundo do que sofre, porque sonha voar mais alto com asas frágeis e cansadas.
Enquanto planeia no alto reza que a esperança não esmoreça,
que a nuvem sustente o palácio onde reside o seu espírito lutador...
Ah se tu soubesse quão belos são os olhos teus.....
Ah se pudesse se ver como veem os olhos meus.
Dia é águia, dia é colibrí
Como é bonito o dia quando você sorri.
Entre juras de amor, às vezes ameaça de morte
Mas tê-la em minha vida,
É muito mais do que sorte.
Dor existencial – 2
Aspirante a poeta, em versar sobre o ser
Oque sou, o que serei, para onde vou
Em ebulição com o devo e não devo fazer
Minhas origens, o passado, presente e futuro
Me encontro no meio da linha do tempo
Olho e vejo dois eus, o fui e o que sou
Mas entrementes um eu terceiro surgindo
O que serei, escolhas que afetarão a terceiros
Penso em minha nobre estirpe
Sigo seus passos, ou faço os meus
Começo a crepitar, pássaros em tumulto
Me atormentam e me questionam
Nessa bifurcação paralisei
Efêmeros eus, efêmero ser
Em consternação gritei
Serei eu a dona do meu viver!
Era uma arvore vigorosa de raízes bem fincadas,
com seu tronco bem exuberante e galhos fortes e folhosas,
morada de muitos pássaros, que neles se aconchegavam,
uma sombra fresca oferecia a quem quisesse fugir do sol
e debaixo dela deitar-se e descansar.
Mas não era assim que era vista,
humanos insanos,
amputaram seus galhos
e sem piedade expulsaram os pássaros
e fincaram em seu coração
o que eles chamam de modernidade
mas a raiz dela era profunda
afinal ela era fêmea
fértil e bélica por natureza
com o tempo se refez inteira;
e hoje olham para ela admirados
como pode uma arvore dessas
conviver com a modernidade?
Segredos só dela.
SOLIDÃO EM RÉ MENOR
A mente que sempre mente
Ao ser vazio
Triste cantador solitário
Viajante das estrelas
Visionário do caos
Carcaça arrastada
De rua em rua,
Bar em bar,
Cama em cama
Numa música única
Azul a insistir na mente
Deglutidora lenta
Do céu e do inferno
Solidão em ré menor
Eis a canção do cantador
Ainda sobrevivendo
TEMPESTADES DE VERÃO
No começo o vento é fraco
Depois torna-se forte, destruidor...
Nas tempestades de verão a dor diminui
O ardil brinca com a razão
Ventos e chuva,
Solidão e silêncio
Em meio às tormentas
Obscuras do ser...
Findar da vida
Começo da morte
Nas tempestades de verão.
PONTOS
Não adianta chorar
Ninguém há de ouvir.
Não adianta amar
Não há ninguém para desejar-lhe.
Assuma sua culpa.
Cuspa o veneno
Que tu mesmo preparaste
Seus livros não servem para nada.
Suas palavras se perdem no limbo.
Vosso lar...
Pontos perdidos
Sem vida,
Sem descanso.
Lá no horizonte a morte lhe espera.
Sorria agora, ser medíocre.
Rasteje como vermes.
Os mesmos que em breve comerão sua carne
Quebra-se o palácio de cristal
Ao toque das mãos
Que perderam o jogo.
MEDO
Do que tens medo?
Da escuridão?
De viver?
Dos outros, então!
Todos têm um ponto em comum a esconder
No jogo bruto em que vivemos
É estranho conviver com as brumas
Que escondem o sentido absoluto
Do mundo da razão navalha.
CARPE DIEM
Quero o azul como manto a proteger
Meus sonhos, essência do existir.
Quero o som de todos os cantos a preencher
Meus sentidos, movimento constante da transformação.
Quero as palavras como expressões do que é ou poderá ser
Minha direção no encontro e desencontro do eu ante os outros
Quero o sorrir e as lágrimas para sentimentos ter
Meu aprendizado, libertação dos grilhões da escuridão da ignorância.
Quero uma bela semana para aproveitar cada dia como se fosse o último
Pois para viver é necessário saber resistir para a certeza do existir.
NAVEGANTE
Bom dia com o sol que sorri
Abraçando o corpo,
protegendo a alma.
Motivo de irmos à frente,
rumo ao desconhecido;
doce andança
necessária para
conhecermos o Id
Timoneiro indolente,
do coração navegante
onde a cada porto
uma nova música aprende
para cantar quando estiver
em alto mar.
LUPERCALE
Noite adentro seguindo o rastro prateado
Oculto pelo medo presente, lembranças do pesar diurno
Sons bestiais e guturais da alma perseguida
Matilha desnuda ante a deusa nua
Qual a certeza no olhar vazio da insanidade?
Por entre os caminhos vagam as feras que devoram a mente
Correr, correr, correr... Sou o que mais temo.
Brindamos na companhia da Lua Negra
A vida e a morte do ser liberto.
EXISTÊNCIA
Siga o caminho dos ventos vindouros da Rosa
Registre suas pegadas nas areias do tempo.
Viva plenamente,
Ultrapasse as portas da percepção
Entenda o Eu oculto pelo véu da ignorância.
Para cada verso um sentido,
Nenhuma palavra é vã perante a existência.
Deixe registrada sua marca,
O seu sinal,
A certeza do seu ser.
GRANDE HORA
Meia- noite e três minutos...
Sob a luz fraca de uma lâmpada
O questionamento do caos
Serpejante da vida.
Sentimento sofrido?
Paixão destruída?
Talvez um prisioneiro de um cárcere sem luz...
Nunca houve claridade suficiente
Para iluminar o olhar obscuro
Da dúvida que é a existência.
PERSISTÊNCIA
Postar-me-ei desnudo aos ventos da rosa
Deixando as máculas da alma pelo ar
Pesado é o fardo,
Resistirei...
Das feridas, o tempo cuidará.
Aprendi a caminhar
Na companhia dos ventos
Labutando com fervor
Destino traçado em outrora
O quanto deverei pagar? Ainda não sei
Farei do tempo a minha estrada
E do vento, o meu guia.
SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA
Calmamente caminhei sem rumo,
Pelas alamedas encobertas pelos ipês lilases
Sorri ao convite do vento,
Suspirei profundamente,
Recitei o velho Blake.
No observar castanho onírico
Projetei a ânsia de viver
No firmamento límpido anil.
Aberto está o arcano sem nome;
O tempo será o juiz de minhas ações...
Eu, o algoz da sua sentença.
Logo será primavera,
cicatrizes de outrora se fecharão.
Um dia de cada vez.
Perseverei em face da incerteza do ser perante o nada
Inerme prosseguindo poeticamente.
Já não faz sentido empunhar o gládio em batalhas vãs.
Na sagração da primavera tudo renasce
com a unção das flores que sorriem no silêncio.
