Eu Errei me Perdoa Poesia
Tristura
Eu estava a chorar
E na tristura e lágrimas
Pus a alma a pensar
Das angústias e lástimas
E nesta sumarenta dor
Escorrendo em desestimas
O que me alentou foi o amor
Luciano Spagnol
Na noite solitário já chorei
Naquela música emocionei
Na solidão eu já fui peão
Da dor eu fui escravidão
Tentei no vasto e no pouco
Odiei um momento ou outro
Já fui magoado e magoei
Amei, fui amado, e não amei...
Eu vivo cansado do mundo,
Eu vivo cansado das pessoas e suas mentes aprisionadas em cavernas escuras,
Deslumbrando, coisas que não estão lá realmente,
São sombras apenas, sombras daquilo que realmente é,
Porque tudo aquilo que é, realmente não é,
Mas, para as pessoas é uma simples mentira,
Fato que não existe!
Entre lavandas... !
Amanheceu um dia cintilante...
Eu cantarolava canções que me vinham da alma...
O horizonte de um azul inebriante... A brisa tépida da primavera...
E caminhei entre campos de lavandas perfumadas...
Vagando a procura de curtir esta paz... Achei a paixão...
A beleza... O sentir profundo... A sensibilidade da alma...
O grande amor...
Encanto-me por ser este um momento único... E fico em êxtase
E qual uma alucinação... Num privilégio...
Escuto quartetos de cordas com piano...
Música que me invade e me convida a sair dançando...
Em completo e profundo fascínio!
Maior do que esse mundo pensa
Eu vou domando minha loucura
Eles procurando a cura
E eu sou a própria doença
Nuvens de Algodão
Eu trouxe flores, de outra estação.
Viajo nas nuvens, de algodão.
Sou prisioneiro e refém,
De um mundo de ninguém.
Armas, eu não tenho não.
Abra, e veja o meu coração.
Bate mais que tambor,
Eu não sou robo.
Eu sei que meu coração nunca mais será o mesmo
Mas eu estou dizendo a mim mesma que eu vou ficar bem
Mamãe, mamãe, ajude-me a chegar em casa.
Eu estou na floresta, eu estou lá fora sozinho.
Eu encontrei um lobisomem, um nojento e velho vira-lata
Ele me mostrou seus dentes e foi direto ao meu intestino.
Mamãe, mamãe, ajude-me a chegar em casa.
Eu estou na floresta, eu estou lá fora sozinho.
Eu fui parado por um vampiro, um velho destroço apodrecendo.
Ele me mostrou seus dentes, e foi direto ao meu pescoço.
Mamãe, mamãe, coloque-me na cama
Eu não vou chegar em casa, eu já estou meio-morto
Eu encontrei um inválido, e caí pela arte dele.
Ele me mostrou seu sorriso e foi direto ao meu coração.
Eu sou triste como um prático de farmácia,
sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.
Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher
mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.
CARTAS DE AMOR
Ah se eu pudesse ler o que as cartas de amor não dizem
Cada suspiro que vai nas entrelinhas
O silêncio guardado em cada espaço em branco
Ah se eu pudesse ler cada pergunta que não é feita
O que se esconde atrás das vírgulas
A história que continua após o ponto final
Os sentimentos que impregnam o último verso
Quisera eu saber ler cartas de amor
Mas elas não se deixam ler
Ou não seriam cartas de amor.
SOBRE MIM.
Já chegaram a me dizer
O que eu deveria fazer,
Do que eu deveria saber,
Mas mal sabiam eles
Que apenas queriam ensinar chuva a chover.
Nunca fui um sabe nada,
No entanto,
Nunca serei um sabe tudo,
Eu vou seguindo minha estrada,
Como guerra de Esparta,
Mas sem usar espada e escudo..
Não sou igual a ninguém
E não sou tão diferente também,
Tenho minha vida,
Um eterno vai e vem,
Mas eu vou seguindo bem.
Vivo de forma mansa,
Como uma dança,
Uma eterna valsa,
Onde não se cansa.
Veja só, veja só,
Sou um eterno viciado,
Não em pedra,
Não em pó,
Sou viciado em verso,
Em prosa,
Na vida e só.
Como queres que eu desabroche em amor
se não alimentas meus sonhos?
se te fazes distante e indiferente?
se me deixas só, no orvalho frio da noite sem fim?
se tua voz calou palavras que soavam carinhos?
se teus olhos não mais procuram os meus?
se teu olhar de estrela distante se afastou do meu?
Como queres que eu desabroche em amor
se não respondes ao meu coração?
se apenas minh'alma te faz poesia?
se nada disso queres responder, adeus é o que resta, acabaste de me perder...
Levo sua imagem por onde vou,
você que tanto já sofreu por mim...
e mesmo sofrendo me perdoou,
eu que não merecia ser perdoada assim !
O eu te amo está tão raro quanto o olho no olho sem desviar o olhar.
É mais fácil dizer na beira do caixão, quando a cova está prestes a ser tapada.
Eu poderia jurar que vi o verso
perfeito na curva do teu pescoço
quando passei minha boca por lá...
... Mas seu gemido não me permitiu
registrar as palavras.
Desci para os teus seios
e me perdi
nos entremeios de tua alma.
Mas eu vi,
tenho certeza que vi poesia ali.
Triste eu?
De forma alguma!
Imagina.
Estou silencioso
Paciente
Quieto e
Caliente.
Só
à espera de que venhas ser feliz
... Comigo!!
Anny
- - -
Eu amo a forma como ela não se importa
A forma como vê o mundo
Eu gosto do som do seu instrumento que eu esqueci o nome
E a sua voz
Eu a levaria para um lugar alto
Para que ela pudesse ver vocês, tão humanos e tão frágeis
e se sentir a mulher mais importante do universo.
Mas ela diria que vai pensar
O que significa um não,
E eu entendo.
Então eu sento de frente ao meu computador as seis da tarde
Tomando um café
E escrevo sobre ela.
Tento imaginar suas qualidades
E então percebo que não a conheço muito bem
Então penso em escrever sobre esperar
Mas essa palavra, assim como o tempo está me matando.
Então por um momento penso em parar de escrever,
Penso que é loucura.
E percebo que estou certo.
O que eu estou fazendo?
Paro de escrever imediatamente.
Foda-se o mundo lá fora, o que eu só quero por agora é não mais desejar essa boca e não ser a razão de tantos olhares brilhantes que seduzem meu eu me deixando em um estado de não precisar.. mais de te querer com tanta força que pouco importa como chamar ... Seria tão clichê dizer que só quero te amar..
Mas é tão pouco pra alguém que consome e transtorna essa cabeça pensante que as vezes esquece de agir..
E vive nesse mundo pequeno.. cheio de tantas realidades que até me cansa pensar então imagina o quanto custa falar..
A VIDA
Mirei o horizonte remoto
Sonhei acordado fantasias
Do cerrado eu fui devoto
Da vida as trovas vazias
Era sonho tão maroto
Com tortas caligrafias
Das quimeras de garoto
Seguintes as tais ironias
De um tal amor imoto
Raras as companhias
Com o verso canhoto
Ortografei as urgias
Então, neste viver piloto
Riscados nas heresias
De poeta e feliz louco
Versejaram os meus dias
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, outubro
Cerrado goiano
Qualquer tempo
Deixa eu te encontrar, mesmo que seja por pouco tempo
Vamos sair para dar uma volta, mesmo que o tempo seja pouco
Qualquer tempo é perfeito ao seu lado, tanto faz, chuva ou sol
O tempo de um abraço bem demorado que transforma o mundo em um paraíso bem rápido
Todo tempo é precioso, porém, não raro
O tempo passa a ser raro quando encontramos um verdadeiro abrigo
Aonde você se sente bem, só em observar um sorriso.
