Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais reis nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.
É natural no homem o ser livre e o querer sê-lo; mas esta igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá.
Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é úninca no mundo.
— Juro! Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas.
Neste belo mundo, todos pedem desculpas como se isso fosse algum tipo de tradição. Se cometermos um erro, pedimos desculpas e, mesmo que cometamos o mesmo erro outras vezes, continuamos pedindo desculpas. Isso é a humanidade.
Deslizo pelos dias, tantas comemorações, minha vida esse raio de sol que não cessa.
Já escrevi muita coisa triste, já perdi tanta coisa com resignação e até com destreza.
Agora nem me apavoro, toda dor é só um sopro em meio ao que vislumbro de possibilidades. Criatividade, eu aprendi, é inventar alternativas quando não se tinha. Onde não se via. Por enquanto, só o que tem me preocupado são as novas regras ortográficas, já que palavras compõem meus fatos, meus sonhos, minhas narrativas.
E se eram os hífens que me separavam do meu amor-próprio, tenho tudo que preciso agora: tanto autorrespeito.
Nosso subconsciente trabalha na materialização de nossas crenças. Ele não tem senso de humor. Faz sempre o que acreditamos. Não falha. Dessa forma, o fracasso não existe. Você foi sempre um sucesso! Sua vida é obra sua. Você é responsável por suas experiências. Mesmo aquelas que parecem não depender de você foram atraídas por sua forma de pensar.
Antes de você abrir os olhos, o mundo se fechou. Algumas palavras até sumiram, os poemas mais tristes parecem ter evaporado na escuridão: aquela tela negra, sem moldura, exposta na galeria infinita e inalcançável: o céu. As estrelas precisaram se apagar e ficaram imóveis, estáticas, como se admirassem algo mais brilhante do que elas: você sonhando, por exemplo. As últimas folhas se desprenderam delicadamente dos últimos galhos das últimas árvores coloridas: o outono acabou de acabar: nenhuma outra estação quis aflorar. Nem a primavera, que combinava tão bem com a poesia da sua fala tão delicada. Nem o verão, que aquecia tão bem suas mãos tão frias. Nem o inverno, que congelava cada eu te amo pronunciado pelos seus lábios finos no tempo, na neve, em nós. E os olhos que apareciam no final dos meus sonhos mais confusos, eram seus. Tenho certeza. Não absoluta. Mas tenho certeza. Eles formavam duas luas cheias, circulares: símbolo da eternidade. Sim, a eternidade nasce e morre todos os dias em você. Ela precisa da sua doçura, quase maternal, para acontecer para sempre. Eram duas luas negras: talvez de planetas que nem existem mais, ou que nunca existiram, e que qualquer poeta criaria, ou recriaria, só para vê-los decorando a imensidão do céu ou condecorando a pequenez do mundo diante da grandeza dos seus olhos. E lá de dentro, posso enfim observar a beleza da vida: da morte: as dores nunca sentidas: os sentimentos mais dolorosos. E ainda assim, eles riem. Sim. Sem dentes, sem lábios, sem motivos. Eles riem. E quando sua gargalhada escapa da traqueia, o canto dos seus olhos dobra e forma pequenas rugas: pequenos caminhos: atalhos. Como se seu sorriso quisesse escapar da cadeia das suas pálpebras, que preservam encantos que você não mostrará a ninguém. É segredo. É mistério. É seu. É silêncio.
Chora sinfonia.
"Chora viola que você se afastou
Chora o banjo que fui eu que te afastei
Chora o tempo que me pede perdão
Por estragar meus sentimentos, a quem eu nunca duvidei
E numa chuva de cinismo e poder,
Logo eu, sob chuva, que nunca me acostumei.
E de barco vou barranco a baixo
Chora o baixo o canto pro meu filho
Que meu amor de vida não foi sua mãe,
Mas a cacheada que a tempos me encontrei.
Chora o lute que o amor não e reciprocado,
Só há dor de um lado,
E já se sabe o lado de quem.
Chora a harpa, me acusando de não amar,
Perdi-me em meus sentimentos
Mas os seus não eram dúvidas para ninguém"
Ecoa cachos.
"Chora o berimbau, ecoa a saudade,
Por você, minha ialorixá, tão bela e cacheada.
Em meio aos orixás, você me encantou,
Mas eu, garoto confuso, não soube segurar.
Perdi você por bobeira, por falta de cuidado,
Agora apenas tenho saudade e este vazio.
Mas não posso negar, meu coração ainda chora,
Pela sua ausência, pela sua falta, pelo que foi.
Mas vida vai, e eu me contento,
Com o que tenho, mas você não esqueço.
Nem o perfume de seu santuário,
Nem o brilho de seu olhar, nem seu sorriso.
Chora o berimbau, ecoa a saudade,
Mas eu sei que você está longe, em outro lugar.
E eu aqui, com meu coração dividido,
Entre o que foi e o que poderia ser."
“Sabe quando você ama tanto uma pessoa que é incapaz de imaginar sequer um dia da sua vida sem ela?”
''Sei que meu amor é sincero, pois sua felicidade é mais importate que a minha própria. Sei que é eterno, pois olho nos teus olhos e perco totalmente a noção de tempo.
Nunca fui um homem religioso, mas já não consigo mais olhar para o teu rosto sem acreditar que foste criada com base naquilo que sempre busquei em alguem. Tudo que me era importante perdeu o brilho, você passou a ser minha única prioridade. Por isso, ter você longe de mim tornou-se a uma imensa tortura. É por este motivo que eu nunca vou te abandonar.''
Convivência
André Luiz
A vida vem de Deus, a convivência vem de nós.
Aqueles companheiros que nos partilham a experiência do cotidiano são os melhores que a Divina Sabedoria nos concede, a favor de nós mesmos.
Se você encontra uma pessoa difícil em sua intimidade, essa é a criatura exata que as leis da reencarnação lhe trazem ao trabalho de burilamento próprio.
As pessoas que nos compreendem são bênçãos que nos alimentam o ânimo de trabalhar; entretanto, aquelas outras que ainda não nos entendem são testes que a vida igualmente nos oferece, a fim de que aprendamos a compreender.
Recordemos: nos campos da convivência é preciso saber suportar os outros para que sejamos suportados.
Se alguém surge como sendo um enigma em seu caminho, isso quer dizer que você é igualmente um enigma para esse alguém.
Nunca diga que a amizade não existe; qual nos acontece, cada amigo nosso tem as suas limitações e se algo conseguimos fazer em auxílio do próximo, nem sempre logramos fazer o máximo, de vez que somente Deus consegue tudo em todos.
Se você realmente ama aqueles que lhe compartilham a estrada, ajude-os a ser livres para encontrarem a si mesmos, tal qual deseja você a independência própria para ser você, em qualquer lugar.
Quem valoriza a estima alheia, procura igualmente estimar.
Se você acredita que franqueza rude pode ajudar alguém, observe o que ocorre com a planta que você atire água fervente.
Abençoemos se quisermos ser abençoados.
Do cap. 16 do livro Respostas da Vida, de André Luiz, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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