Eu Amo meus Inimigos
MORADA DA MENINA...
Sou tua menina de cabelos cacheados da cor da noite, meus
olhos são expressivos como duas estrelinhas brilhantes e meu semblante ficou desenhado no firmamento e infante estarei sempre a te olhar, saiba que morte é apenas a transição para outra dimensão onde a alma toma a forma de coração, minha morada agora é a lua minguante que sorri pra ti nesse instante...
Já chorei tanto que fiz de minhas lágrimas um oceano, para que meus desafetos possam nele mergulhar suas almas.
Todos os meus sonhos estão incrustados nas estrelas e toda vez que observo a escuridão da noite uma delas cai do céu e se transforma em lágrimas quando choro.
E esses meus sonhos intangíveis, onde viajo neles com alma leve e braços abertos, mas acordo sempre com o corpo preso e olhos vendados.
Coloquei todos os meus sonhos mofados de bolor para arejar no varal do tempo, mas veio o vento e os levou.
Todas as pedras que encontrei no meu caminho, Deus construiu uma muralha para que meus passos caminhassem no tempo Dele e protegidos dentro dela.
Cansei de ser raiz, quero ser a árvore frondosa que vai dar sombra e frutos aos meus algozes que adubaram a terra árida que germinou vida que agora habita em mim.
Reticências num pensamento vazio nesse mundo que não consigo entrar, apenas observo o que os meus olhos conseguem enxergar...
Durante muito tempo meus pés descalços trilharam um caminho de pedras pontiagudas que os feriam... foi aí que fatigada e já sem forças pra continuar sento no chão e eis que nesse instante vejo um rio de todas as lágrimas que derramei nesse percurso, e então avisto um anjo vindo em minha direção com um par de asas na mão e diz : - Eis que o tempo chegou e a liberdade pra voar. Voe... O céu é infinito...
Meus sapatos foram feitos de pedras e deixei marcas pesadas pelo chão... foi quando Deus enxugou minhas lágrimas e os tirou e disse-me : - Agora, siga e levite sobre as rochas e quando te sentires euxarido levante uma mão e toque o céu e com a outra toque a terra, enquanto curo as feridas de teus pés.
Aninho os meus sonhos no peito, e envergo minha alma para que se encaixe em meu corpo que aos poucos vai perdendo a elasticidade da juventude, e na penumbra do quarto saem pensamentos borrados que pintam vitrais disformes do tempo...
Tem dias que meus pensamentos sentam na beira da praia e observam a calmaria do mar, outros são levados pelas ondas gingantescas para o oceano e custam a voltar..
Algozes cegaram meus olhos na escuridão, foi aí que enxerguei a luz nos meus pés.
E Deus disse: - Segue!
