Eu Amo meus Inimigos
E o desejo, com o sol há de se pôr, guardarei nos meus lábios e na minha dor, esse nosso beijo, meu amor.
Ascendi os meus caminhos com a minha lépida pendurada à janela durante a noite. Os seus olhos são luzes ofuscadas e cintilantes do entardecer. O seu corpo são densas nuvens recaídas sobre as montanhas. Te esperei e tu não viestes... Ah! não viestes.
Vi relógios apontando o horizonte, mil relógios desapontando, os meus passos atrasados e distantes.
E vai-se indo no entardecer, as noites indormidas, nas esquinas da vida , a lua insinua beijar-me a fronte, e, mesmo assim distante, vi além mar, o horizonte
As estrelas piscam e brilham,
pequenas luzes distantes,
ilumina os meus instantes,
nos instantes que neblinam.
Essas luzes delirantes,
que no brilho da lua se homizia,
onde está os amores apaixonantes,
que desejei e que amei algum dia?
Perambulando no horizonte,
de leste a oeste,
a procura do acalanto,
onde o sol escurece e traz um novo dia.
E o sabor de café da manhã é um estupefaciente de coisas indormidas e mal nascidas.
Meus cadernos envelheceram nos meus arquivos que param o tempo ao acaso, com informações estúpidas nascidas de minha caligrafia torta.
E os dias se abreviam em opióides para aliviar dores não lembradas mas conhecidas, comprados na farmácia de velho comerciante que me vende medicamentos sem receitas coloridas enquanto o resto são cinzas.
E tudo fica normal ou é normal - o sol nasce, as estrelas brilham - e a noite, a noite chega à revelia de meu relógio descomunal.
E mais uma vez o sol me ilumina todo dia e o dia todo, silenciosamente, e tudo se embranquece e todos são vistos como não são e a igreja toca mais uma vez o repicar de sinos anunciando mais uma morte de um senhor gentil que preferiu para de respirar e esquecer os próprios pulmões congestionado.
Pobres pulmões, o ajudou a respirar profundamente a cada passo rumo ao não sei pra onde.
E tudo isso é normal, e enfurece o que inconscientemente nos conserva por igual em um conjunto de normais que não mais choram.
Nada muda, é tudo parado, mas, estamos andando, correndo, atrás do ônibus que se vai e de amores que não existe e que se desfaz.
Ainda dá pra sentir saudades, de meu avô, de meu pai, de Dona Vera, onde estão? onde estão? e dos dias já idos, adormecidos.
Sinto saudade de minha mãe mesmo estando ao meu lado, saudade do nunca mais querendo ser futuro e do por vir serenando o presente em um sábado a tarde.
Existimos e ainda estamos vivos, sonhamos e ainda desistimos, e chegamos em casa e dormimos, e se houver outro dia? se houver outro dia? Não sei, talvez pra nunca mais.
A poesia não me entrega
nessas palavras
meus segredos se revela
mais a poesia não entrega
quem a ela se revela
engana de forma mais bela
a desilusão de um poeta
teu corpo seduz meus pensamentos insanos,
meus olhos é o fascínio do reflexo desse pecado,
sou o sangue desse esplendor açoitado,
que absolve meus desejos profanos,
até o fim, e para sempre,
como um segredo não revelado,
igual a um apaixonado,
preso em um horror para sempre,
o amor.
Ser livre é algo desconcertante. A consciência disso é assustadora. Quem levará a culpa pelos meus erros? Eu não posso incriminar ninguém, se a escolha foi minha...Eu não vejo isso como algo a ser celebrado, como Sartre propõe em seus ensaios, mas uma realidade incômoda e inescapável...
Que sorte têm aqueles que conseguem prender os seus pensamentos na cabeça! Os meus sempre me escapam, vira e mexe me pego pensando em voz alta...
Nunca me interessei por fofoca de famosos. Prefiro saber da vida dos meus vizinhos, parentes e conhecidos em geral, pessoas que eu convivo e conheço bem (ou pelo menos imagino conhecer)...
Meus pensamentos não seguem uma linha reta, não têm um padrão. São frutos de uma mente inquieta, filhos da minha emoção...
Quando em meus devaneios,
sinto-me afogar em um mar de anseios,
refugio-me na nostalgia.
Me acalma lembrar das glórias que tive, pois do porvir nada sei,
mas sei do que já fui um dia...
Sou feliz com a idade que tenho, e se pudesse gostaria de ser ainda mais velho. Construí meus valores no passado, não me identifico com o tempo presente e muito menos vejo futuro para a humanidade do porvir...
Meu coração quer te amar, meus braços querem te abraçar, meus olhos querem te ver, minha boca quer te beijar, mas se for preciso, abro mão do meu querer, para a nossa amizade continuar.
Honestidade é nossa obrigação, assim me ensinaram meus Pais, mas parece que no mundo atual, honestidade virou raridade.
Olhe nos meus olhos, se não deve, não tenha medo, mas se me olhar nos olhos, os teus olhos vão me contar os teus segredos.
